domingo, 26 de setembro de 2010

Sinais de um AVC - salve uma vida

O que se aprende em tempos de tranquilidade pode salvar vidas em momentos de aflição, portanto, leia várias vezes. Caso uma vítima de derrame cerebral for atendida dentro das primeiras três horas, os  efeitos do derrame  podem ser refeitos totalmente. O segredo é reconhecer o derrame, diagnosticá-lo e receber o tratamento médico correspondente, dentro das três horas seguintes, o que é difícil.  
Primeiro memorize as três primeiras letras... S.F.B.

Como reconhecer um derrame (AVC)
Os sintomas de um derrame são difíceis de identificar. Infelizmente, nossa falta de atenção, torna-se desastrosa. A vítima do derrame pode sofrer severa consequência cerebral quando as pessoas que o presenciaram falham em reconhecer  os sintomas de um derrame.

Agora, os  médicos dizem que uma testemunha qualquer pode reconhecer um derrame pedindo à vítima estas três simples atitudes:


  1. S*  (Sorrir)  Peça-lhe que SORRIA. 
  2. F*  (Falar)  Peça-lhe que FALE ou APENAS DIGA UMA FRASE SIMPLES (com coerência), por exemplo: Hoje o dia está ensolarado.
  3. B*  (Braços levantados) Peça-lhe que  levante AMBOS OS BRAÇOS.    
Se a pessoa tem algum problema em realizar QUALQUER destas tarefas, chame a emergência imediatamente  e  descreva-lhe os sintomas, ou leve-a rápido a uma clínica ou hospital.

Novo Sinal de derrame - Ponha a língua fora.
Há um outro sinal de derrame importante a língua.
Peça à pessoa que ponha a língua para fora. Se a língua estiver torcida e sair por um lado ou por outro, é também sinal de derrame.
Lembre-se
Estas informações podem salvas vidas, divulgue-as.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Conselho Municipal de Política Cultural


Povo do Livro, da Leitura e da Literatura,

Na eleição para o Conselho Municipal de Política Cultural de Fortaleza, ocorrida nos dias 20 e 21, obtive 61% dos votos para ser o represente do segmento Literatura. Agradeço a todos que me apoiaram.

Uma vez empossado e depois das importantes eleições majoritárias de nosso país, que nos tem mobilizado a todos, marcarei reuniões para inicialmente discutir quatro pontos:

1. O Plano Municipal do Livro, da Leitura e da Literatura (PMLL) em consonância com Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) e o PELL (Plano Estadual do Livro e da Leitura).
2. O lugar do livro, leitura e literatura no projeto do Polo Cultural do Benfica;
3. Organizar o Conselho para discutir a ampliação do percentual orçamentário da Cultura, hoje de 6,2% (equivalente a R$23.793.267), conforme a LOA para 2010, em 1,5%.
4. Promover reuniões nas seis regionais para fazer o levantamento das necessidades da categoria nos bairros de Fortaleza.

Juntos somos mais fortes!


Clube de Leitura - Café Literário em Viçosa do Ceará

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Corruptos disfarçados de democratas, peguem o beco!

Quem fala desvirtuando fatos não merece credibilidade. Quem manipula informações para enganar a opinião pública pratica desonestidade. A Revista Veja, useira e veseira dessa prática, sempre a favor da direita, tenta reverter os resultados das pesquisas de intenção de votos pró-Dilma, para presidente do Brasil, e pró-Cid Gomes, para governador do Ceará.

Essa prática desonesta associou, às vésperas da eleição de 1989, o PT de Lula ao sequestro de Abílio Diniz (uma mentira). Agora tenta fazer o mesmo contra Dilma, para presidente, e contra Cid Gomes, para governador do Ceará.

A quem favorecem essas notícias desvirtuadas? Sempre os candidatos de direita são os beneficiados, são a eles a quem $ideologicamente$ a Revista Veja está associada.

Esse golpe da direita é um tiro que vai sair pela culatra. Desesperados, desvirtuam os fatos na tentativa de enganar a opinião pública. Se antes da eleição agem assim imaginem só essa corja no poder.

Nada tão perigoso para democracia quanto a prática do denuncismo vazio contra quem trabalha sério. Se quem faz esse tipo de denúncia, chega ao poder, teremos de volta a corrupta ditadura que levou o Brasil à miséria e a elite econômica brasileira a representar uma das maiores riquezas do mundo em paraísos fiscais.

O que a Veja faz é corrupção disfarçada de democracia. Ela é igual a quem se beneficia de suas mentiras. Estamos de olho.  Eles (Veja e seus $"associados"$), numa expressão bem cearense, VÃO PEGAR O BECO!

domingo, 5 de setembro de 2010

Resenhas: A casa, por Marlúcia Nogueira

Natércia Campos, Edições UFC,
2ª ed., 2004, 89 páginas,
romance, R$ 11,0
O livro A Casa, da escritora cearense Natércia Campos, foi publicado em 1999 e, desde então, é considerado um dos melhores romances brasileiros pós-modernos. Filha do escritor Moreira Campos, falecido em 1994, Natércia fez seu próprio caminho literário, apesar da manifesta influência do pai na preferência pelo conto e na concisão da linguagem.

A narrativa de A Casa é lírica e encantatória. Já nas frases iniciais do romance podemos identificar uma linguagem cadenciada, com rimas internas, espécie de ecos, que podem representar também os sons do passado voltando para nos contar a história daquele casarão: "Fui feita com esmero, contaram os ventos, antes que eu mesma dessa verdade tomasse tento". Essa frase, por exemplo, poderia perfeitamente ser organizada em versos, dada sua musicalidade que nos faz lembrar quadrinhas populares. A retomada da origem do feitio da casa aponta para a perspectiva temporal que direciona todo o enredo.

Um dos aspectos relevantes desse livro singular é o foco narrativo, centrado na própria casa, que é narradora-personagem e também espaço dos acontecimentos, o palco da narrativa. Mergulhada nas profundezas de um grande lago, ela ressurge para contar a história de três gerações de seus antigos moradores. Em meio a essas histórias, que incluem  incesto e suicídio, a autora enxerta lendas do Nordeste, como histórias de assombração, de alma do outro mundo e maldições que se instalam entre os membros da família, às vezes, separando-os um do outro, dolorosamente.

O livro dialoga com a tradição de José de Alencar, em O Guarani e em Iracema, quando busca recriar o passado histórico da nossa colonização, visto que os primeiros habitantes dessa Casa vieram de Portugal.
No plano estilístico, notamos semelhança com o recurso narrativo utilizado por Mário de Andrade em Macunaíma, devido aos traços rapsódicos (uma mistura de “cantos”) e outros elementos da tradição popular oral, como a história do “encoletado em couro”,  a do “menino do rastro de pluma” e algumas superstições, como os prenúncios de tragédia feitos pela fantástica voz da “lâmina das águas” dos açudes. Lembrando ainda o estilo de Guimarães Rosa, é possível recortar  dentro do texto certas demonstrações do senso comum, através de aforismos e dizeres populares: “- Meus filhos machos, só um não vingou... Há numa ninhada sempre um ovo goro. Um rebanho tem sempre uma ovelha perdida. O que é de raça caminhando passa.”

Em constante vigilância, porque não dorme nunca, a Casa presencia os fatos naturais e sobrenaturais que se dão em suas dependências, flagrando, inclusive, a chegada da morte. Na condição de observadora privilegiada por não ter uma vida tão curta quanto a dos homens, a casa-personagem mantém na memória a marca dos tempos, que lhe confere a experiência necessária para contar a história dos homens, sugerindo também a alienação destes em relação ao espaço que habitam e às forças misteriosas que regem todos os destinos.

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Marlúcia Nogueira

Autora da resenha

Cearense nascida em Aracoiaba, passei um bom tempo em Ocara, dando aulas de Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Médio, e atualmente moro em Pacajus.
Apaixonada por livros desde criança, passava longas tardes na Biblioteca Pública Rui Barbosa, em Aracoiaba.
Graduada em Letras (UECE), com Especialização em Literatura e Formação do Leitor (UECE) e Mestrado em Literatura Brasileira (UFC), sou professora de Literatura nos cursos semipresenciais de Letras / Português, pela UFC.
Como professora efetiva pela SEDUC, no momento integro a equipe PAIC da 9ª CREDE – Horizonte, cuidando do eixo de Literatura Infantil e Formação de Leitores, com grande prazer.

sábado, 4 de setembro de 2010

Crônica: O sentido das coisas


de Kelsen Bravos





Não é por fazer nenhum arrazoado linguístico ou semiótico, pois do que sei disso, nem tudo me foi clareza. Mas a crônica de Pablo Uchoa (A palavra mais bela) me fez refletir sobre o que dá sentido às palavras e às coisas que por elas são ditas, a arbitrariedade dos signos. Declinarei de falar da crônica, prefiro recomendá-la (ver link abaixo).


Em vez disso, contarei a história de um querido amigo que encontrou um amor depois de carpir, durante bom tempo, solidão causada por involuntária solteirice. Seu exemplo mostra que o sentido das coisas está em quem as diz e em quem as ouve. E, se repararmos bem, veremos que o sentido está mesmo é no estado de espírito das pessoas. Pois a nova namorada de meu amigo havia arejado seu mundo. Fê-lo respirar mais profundo. Inflamou seu intimorato peito. Sua emoção tornava tudo possível, vencia distâncias por seu amor. Sim, distâncias, pois entre o casal havia 688 km de estrada noturna entre Fortaleza e João Pessoa.


Meu amigo é poeta, não porque escreva – aliás, para ser vate escrever não é o principal requisito – mas porque vive a poesia, celebra a vida com intensidade (e por isso escreve). Sabe mais do que ninguém que a solidão é o contraponto do conviver, segundo os versos-mantra de Vinícius: “viver é a arte do encontro, embora haja muito desencontro pela vida”. Meu amigo lamenta os desencontros; mas festeja os afetuosos enlaces, os fraternos e os carnais.


Toda segunda-feira, ele e os amigos celebrávamos uma sagrada libação. E quando sua falta começou a se fazer presente, ficamos os três restantes a presumir o que ocorrera ao Poetinha. Três semanas depois, confirmamos nossa pressuposição. À mesa, vimos vindo pela calçada, zoadento, braços abertos, sorriso largo, o Poetinha. Vinha que era uma maria-fumaça, tamanha a avidez com que tragava e bafejava o cigarro. Chegou cantando, e fizemos coro:


“(...) Sabe você o que é o amor? Não sabe, eu sei/ Sabe o que é um trovador? Não sabe, eu sei./ Sabe andar de madrugada tendo a amada pela mão/ Sabe gostar, qual sabe nada, sabe, não/ Você sabe o que é uma flor? Não sabe, eu sei. Você já chorou de dor? Pois eu chorei. (...)". E emendou: “Meu poeta, eu hoje estou contente, todo mundo de repente/ ficou lindo, ficou lindo de morrer/ Eu hoje estou me rindo...”.


Ao findar a canção, falou, com os olhos em flash, da namorada. Era linda! O nosso Poetinha, que nessa época trabalhava no Mercado São Sebastião, estava apaixonado. Era um promissor comerciante, hoje não é mais (mas isso é outra história que qualquer dia eu conto). E ele, que já não gostava tanto de literalmente madrugar no trabalho, depois dessa paixão que o impulsionava a trilhar estradas quase todo dia, passou a ojerizar o lugar. O Mercado significava frustração, impossibilidade, entre outros quetais negativos.


Toda vez que o Poetinha vinha para a sagrada libação, findávamos por deixá-lo na rodoviária. Fazer o quê? Amigo é pra essas coisas! Vai poeta, vai ser feliz! Ele ia e ficávamos, preparando o dia em que ele precisaria de uma lâmpada acesa e uma bebida por perto! Não tardou muito esse dia.


Mas para surpresa de todos, o Poetinha suspirava aliviado. Quando foi ao Mercado, descobriu nele outro significado. Diz que viu um festival de cores, cheiros e sabores: o vermelho das acerolas, o amarelo das seriguelas, o verde das graviolas; os melões, abacaxis, mangabas, cajás, cajus, cajaranas, mangas-rosa, sapoti, muricis. Viu as pessoas e aquela faina toda e subiu cantando as escadarias, contagiando a todos com sua alegria. Estava livre de um falso amor. E o Mercado, outrora prisão, representava com aquela explosão de vida natural ao mesmo tempo a renovação e o reencontro do Poetinha consigo mesmo.


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Leia a crônica de Pablo Uchoa A palavra mais bela

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Editora cearense na final do Prêmio Jabuti

A editora IMEPH tem título classificado para a final do Jabuti. Trata-se do título Boi no Café, de Sérgio Viotti.


Sergio Viotti nasceu em São Paulo, em 14 de março de 1927. Trabalhou como ator, diretor, adaptador e tradutor de obras literárias e crítico de arte. Em 1949, estreou como ator na peça L'Apollom Du Marsac, de Giraudoux, dirigida por Simone Cox, mas só em 1961 encena seu primeiro espetáculo como profissional, O Contato, de Jack Gelber. Já como diretor, estreou na peça Viagem a Três, de Jean de Lètraz, em 1959.


O Boi no Café
Autor: Sergio Viotti
Quantidade de páginas: 528
ISBN: 978-85-60300-87-7
Formato: 18 x 26 cm
Editora: Editora IMEPH

Lira Neto mais uma vez é finalista do Prêmio Jabuti

O jornalista e biógrafo Lira Neto chega mais uma vez à final do Jabuti. Desta feita com a biografia de Padre Cícero,  quinto lugar na lista para a decisão final do mais representativo prêmio da literatura brasileira.

Antes conquistara o Jabuti com O inimigo do rei, uma biografia de José de Alencar, e fora também finalista com Maysa, sobre a famosa cantora brasileira, bem como com Castelo - a marcha para a ditadura. Essas conquistas fazem jus ao excelente trabalho de Lira Neto.

Saiba mais sobre Lira Neto.
Confira a lista completa em aqui.
E vamos torcer para que Lira ganhe mais essa!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Tempo, tempo, tempo


TEMPO, TEMPO, TEMPO... 


Tempo de chegar o tempo
de se espreguiçar e sonhar
com um desabrochar em flor
tempo de despertar o amor
tempo de ser
tempo de ler
tempo de ter feliz merecer.


Tempo de brincar sem nem descansar
bola-de-meia, pega-pega, esconde-esconde,
skate, videogame, arraia, handebol,
box, x-box, bicicleta, capoeira, futebol. 


Tempo de chove chuva sem parar
de beijos de juá no chuá das cachoeiras
tempo de quentura no frio
tempo de banhos de rio
tempo de açudes e lagoas
tempo de pescar nas camboas.


Tempo de maresia e céu de anil
tempo de surfar
tempo de se bronzear
e de viajar o Brasil.


Tempo de ser tudo, tempo sortudo.
Tempo de se espreguiçar e sonhar
com um desabrochar em flor
tempo de despertar o amor
tempo de ser
tempo de ler
tempo de ter feliz merecer.


Tempo de ser neto, filho e amigo-irmão
tempo de adolescer, tempo-senão
tempo de ficar, de paquerar
tempo de namorar
tempo de endurecer, sem a ternura perder,
tempo de maioridade, de faculdade
tempo de amadurecer.


tempo de casar/e descasar/ e casar
tempo de ser amante
tempo apaixonante
tempo de ser pai,
de sim e de não,
tempo de se ter tempo ao tempo
tempo de se dar tempo ao tempo.


Tempo, tempo, tempo
do já-não-era-sem-tempo
de o sol-posto inspirar
o desejo de além-mar
e singrar o sal dos horizontes. 


Tempo de honrar o destino aedo
de, mesmo no dilúvio, da arca exilado
fazer do inexorável afã aliado
e com fortes braçadas desafiar o degredo
sem nem saber de aportar
nadar pela inelutável desdita
a cantar o amor, e chegar
por tamanho apego à bendita vida maldita.

Antinoé, brindar o boêmio evoé!

Tempo de chegar o tempo
de se espreguiçar e sonhar
com um desabrochar em flor
tempo de despertar o amor
tempo de ser
tempo de ler
tempo de ter feliz merecer.

Kelsen Bravos 17/fevereiro/2010 

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Feira dos pássaros

Domingo é dia de feira livre. Em Fortaleza a mais famosa é a da lagoa de Parangaba. Aliás o seu nome é uma corruptela de porangaba, que em tupi quer dizer beleza. Sabiam mesmo os nativos denominar os cenários naturais, prova inconteste da efetividade linguística de sua cultura.

Acordar cedo e mandar-se para lá num dia ensolarado, é como entrar num túnel do tempo. A feira da Parangaba, conhecida como feira dos Pássaros, nos remete a um ambiente, no mínimo, quinhentista.

Aguadeiros de Funchal. Fonte: azeferino.web.simplesnet.pt 
Àquela época na Europa, iam às feiras em busca de especiarias vindas do Oriente figuras como monges e abades; nobres e burgueses; donzelas e namoradeiras; mulheres da vida e marinheiros; aguadeiros (foto) e catadoras de piolho; contadores de histórias, jograis, trovadores, fantoches e saltimbancos; arautos e peregrinos; escravos e pedintes.

O espaço da feira principiava onde se começava a ouvir os anúncios e findava onde se deixava de ouvi-los. Esses pregões teciam a malha que formava uma espécie de um toldo invisível, constituído por um entrecruzar de vozes, um bulício; mas de aparente desordem.

Assim também é a feira dos Pássaros. Lá se compra e se vende do treco ao quetreco, inclusive especiarias do Oriente e do Extremo Oriente, Taiwan, por exemplo. Em vez de jograis e trovadores, encontramos cordelistas e cantadores; escravos decerto não há, em seus lugares estão os equilibristas da corda bamba da vida, e muito mais pedintes, infelizmente.

Ela tem esse nome, porque antes concentrava venda de animais, sobretudo, pássaros. Era bicho de tudo quanto é espécie. Bobeasse era capaz de encontrar até um dodó legítimo das ilhas Maurício. O Ibama chegou por ali para pôr fim aos abusos contra os espécimes naturais. Mas só de alguns é proibida a comercialização. Dodó das ilhas Maurício, por exemplo, quem quiser é só ir lá e encomendar.

A lagoa da Parangaba é habitada por jacarés e cobra das boas. Vez ou outra os bombeiros aparecem resgatando uma cobra-de-veado gigante ou mesmo uma sucuri. Os jacarés também algumas vezes dão o ar de sua graça. São enormes. Dizem que os fiscais do Ibama foram responsáveis por esses animais habitarem a lagoa, pois, quando chegavam as blitzen, os infratores para livrarem-se do flagrante jogavam os animais ainda filhotes dentro dágua.

Tem gente que não deixa de ir um domingo sequer. Cresceu sendo levado pelo pai à feira, hoje leva o filho e promete levar o neto. A intenção de algumas dessas pessoas é aprender na prática as regras do comércio. Há negócio de tudo quanto é jeito. Chegam com no máximo dez reais e saem com cem. Não importa o valor, o importante é fazer negócio e sair lucrando. Pode ser uma relação de compra envolvendo dinheiro ou escambo de mercadoria, enfim toda forma de transação comercial. Vale tudo que é argumento, grito, palavrão, cara feia, enfim é um regateio, uma negociação no mais puro estilo árabe.

Chá de Palavras com Andrea Bardawil

Urik Paiva, assessor da Supervisão de
Literatura, Livro e Leitura 
da SeCultFor.


Um fim de tarde. Chá e biscoitos. Literatura. Essa é a proposta do Chá de Palavras, bate-papo com um convidado que acontece na Biblioteca Dolor Barreira. No menu, escritores, poetas, ilustradores, professores, músicos, cineastas, diretores, atores, ou seja, artistas que trabalham da palavra, batem um papo com o público sobre sua trajetória e sua relação com a linguagem, ultrapassando os limites didáticos da Literatura e buscando relacioná-la com outras formas de dizer, de pensar, de ser.

Sempre às 17h.






DIA 30 de agosto
Andrea Bardawil
Dança, palavra e construção poética 

Nos passos da palavra? Ou na palavra dos passos? Andrea Bardawil conversa com o público as relações entre as poéticas da literatura e da dança, através de um diálogo sobre seus trabalhos que tiveram inspiração em obras literárias, abordando também essa experiência no contexto geral da dança cearense.

A artista: Andrea Bardawil é coreógrafa, diretora da Cia. de Arte Andanças e uma das integrantes do Alpendre - Casa de Arte, Pesquisa e Produção.

BIBLIOTECA DOLOR BARREIRA - AV. DA UNIVERSIDADE, 2572 - BENFICA


Clube de Leitura de Pires Ferreira - CE


 Recebo de Pires Ferreira a seguitne nota: "O clube de Leitura: Chá Literário, do município de Pires Ferreira, teve início no dia 28/08. Nesse primeiro encontro homenageamos Vinícius de Moraes com a leitura de  alguns de seus lindos poemas. "

Que felicidade! O Ceará está em festa! Aos poucos (paulatinamente, como costumo dizer), vamos consolidando essa prática.

Parabéns Pires Ferreira.


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um universo chamado Benfica

Lira Neto    27 de agosto de 2010
Amanhã, monitorado por um bom amigo, o professor Kelsen Bravos, o ônibus do Percursos Urbanos parte do centro da cidade em direção ao Benfica. Por isso mesmo, gostaria de estar aí, para escolher uma cadeira próxima a uma das janelas, um lugar qualquer que me permitisse uma visão privilegiada do trajeto.

Afinal, aquele bairro faz parte indissolúvel de minha vida.

Se eu ainda morasse em Fortaleza, ou se pelo menos estivesse por aí neste final de semana, já teria um programa certo para a tarde de amanhã, sábado. Caminharia pela Floriano Peixoto até chegar em frente ao edifício Raul Barbosa, ali onde está a sede do Centro Cultural Banco do Nordeste. Lá, pontualmente às quatro da tarde, subiria no ônibus com a tabuleta "Percursos Urbanos" instalada no parabrisas. Seria mais um dos passageiros desta que é uma das ideias mais geniais - e mais simples - de que já ouvi falar em relação ao mapeamento afetivo de uma cidade.

A cada novo sábado o ônibus do "Percursos Urbanos" faz um itinerário diferente. São viagens temáticas, que percorrem a essência, a memória e os aspectos menos evidentes de uma Fortaleza que não está retratada em previsíveis cartões postais. Porém, uma Fortaleza que pode ser tão bela - e muito mais verdadeira - quanto aquela que consta dos slogans políticos e do catálogo tão pouco criativo dos guias turísticos.

Um mediador, sempre íntimo ao tema, conduz o percurso, sugerindo olhares menos óbvios e menos apressados sobre a paisagem da cidade. No trajeto, revelam-se matizes, desvendam-se segredos, descobrem-se novidades que na verdade sempre estiveram ali, bem diante de nós, mas que o imperativo do cotidiano impede-nos de parar, compreender, contemplar. É mesmo como se um novo mapa simbólico, uma cartografia irresistivelmente inusitada, se desenhasse sobre o traçado de pedra e asfalto que compõem as já tão conhecidas ruas e avenidas da cidade.

De 2008 para cá, os passageiros do Percursos Urbanos, entre tantas outras viagens, já excursionaram, por exemplo, pelo universo das lendas urbanas de Fortaleza, à espreita dos indícios do célebre Cão da Itaoca e da terrível Perna Cabeluda. Já percorreram o roteiro das manifestações arquitetônicas de uma Fortaleza despudoradamente cafona, com direito a paradas obrigatórias em frente à catedral de pretensão gótica construída debaixo de um sol de rachar, à inacreditável Casa do Português e seu desenho bizarro e, é claro, à estátua gigantesca e estrábica de Nossa Senhora de Fátima plantada à margem da avenida 13 de Maio.

O ônibus do Percursos Urbanos já trafegou também pela geografia sentimental de escritores como Moreira Campos, Ciro Colares, Gustavo Barroso. Já revisitou o espírito de uma Fortaleza insubmissa, conferindo os cenários de revoltas populares e sublevações históricas. Já flanou pela Fortaleza boêmia, pela Fortaleza dos maçons, pela Fortaleza de Fausto Nilo, e por tantas outras Fortalezas mais ou menos conhecidas - e desconhecidas.

Como a Fortaleza dos dançarinos de salão, a Fortaleza do bumba-meu-boi, a Fortaleza das lagoas aterradas, a Fortaleza de mangues estrangulados. Mas também a buliçosa Fortaleza da imprensa alternativa dos anos 70, a Fortaleza da "belle epòque" cabocla, a Fortaleza dos trabalhadores do mar e, quando se imagina que até para a criatividade há algum limite, a Fortaleza dos caçadores de ETs.

Amanhã, monitorado por um bom amigo, o professor Kelsen Bravos, o ônibus do Percursos Urbanos parte do centro da cidade em direção ao Benfica. Por isso mesmo, gostaria de estar aí, para escolher uma cadeira próxima a uma das janelas, um lugar qualquer que me permitisse uma visão privilegiada do trajeto.

Afinal, aquele bairro faz parte indissolúvel de minha vida. Foi nele que passei alguns dos melhores anos de juventude, orbitando entre o prédio da antiga Escola Técnica Federal, o Centro de Humanidades da Uece, a constelação de equipamentos culturais em torno da torrinha cor de rosa da reitoria da UFC e, é claro, a buliçosa feirinha da Gentilândia. Um perímetro universitário que alguns amigos tratavam, com carinho e certa ironia de inspiração ideológica, como PCdoB: Pólo Cultural do Benfica.

Foi ali que estudei, perambulei, namorei, deixei a barba e o cabelo crescer, descobri-me poeta marginal e anarquista juvenil. Foi ali que participei de passeatas pueris, bebi numa miríade de botecos sujos, conheci gente bacana e um pessoal nem tanto assim. Ali, escrevi para revistas literárias efêmeras e fiz amigos perenes. Desafiei professores obtusos e aprendi com alguns - poucos, é verdade - mestres geniais. O verdadeiro aprendizado estava nas ruas, na atmosfera utópica com que conduzíamos nossas existências tão ingênuas e, ao mesmo tempo, tão idealistas.

Éramos jovens. Fazíamos mil revoluções por minuto nas mesas do Esquina Azul, do Bar das Letras, do Jazz Blues Bar e, mais tarde, do Pertinho do Céu. Embriagávamo-nos de vinho barato e boa literatura no Bosque da Letras, fazíamos xixi no pedestal da estátua da praça e, quase todo dia, víamos Moreira Campos de paletó e gravata dirigindo o seu fusquinha. Como gostávamos do velhinho. Gostávamos mais ainda de seus contos cheios de silêncios, interditos e sofisticadas sacanagens.

Hoje, tantos anos depois, o melhor de tudo é saber que a história de amor entre o bairro e várias gerações de fortalezenses não se esgota nesse tipo de reminiscência, na simples nostalgia. Soube que, agora mesmo, tramita na Câmara Municipal de Fortaleza um projeto que oficializa a criação do "Pólo Cultural do Benfica". Vão institucionalizar, portanto, o epíteto brincalhão de PCdoB. Ótimo. Mas torço para que isso não signifique um simples batismo solene com base em um trocadilho que, um dia, soava genial, mas que hoje perdeu em frescor e sentido.

Seja como for, amanhã, caros leitores, se estiverem a bordo do ônibus do Percursos Urbanos em direção ao Benfica, bem na hora em que passarem diante do Centro de Humanidades da Uece, perguntem ao Kelsen Bravos a respeito da nossa grande frustração daquele tempo de estudantes. Nunca conseguimos sequestrar, de verdade, a estátua de São Tomás de Aquino instalada à entrada do prédio, como tanto idealizávamos. O plano era rocambolesco. Alta madrugada, eu, Kelsen e o gigante Vessillo Monte roubaríamos a imagem do expoente da filosofia escolástica para colocar outra em seu lugar: a de Exu, que pretendíamos comprar em uma loja de artigos de macumba.

Que pena. Jamais cometemos tão sonhada heresia.


Fonte: Diário do Nordeste e Blog do Lira Neto

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Clube de Leitura de Pacoti

Pacoti-CE - Prajna Morais, formadora do Paic em Pacoti, Informa que de 2 a 7 de setembro, o município de Pacoti festeja seus 72 anos de emancipação. Nas comemorações, a manhã do dia 3 está dedicada a literatura, no anfiteatro do Polo de Lazer haverá muitas histórias para todos. 

Vamos lá dar nossa colaboração.

MinC vai apoiar leitura em presídios

Criado grupo de trabalho para implantar novo projeto, que levará oito Pontos de Leitura a quatro instituições federais
Especialistas em ações de estímulo à leitura em presídios foram debatidas no estande do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), durante a 21ª Bienal do Livro de São Paulo, no dia 18 de agosto de 2010.  No encontro foi proposta a criação de um Grupo de Trabalho para discutir a implantação do projeto da Unesco: “Uma janela para o mundo”, em parceria com os ministérios da Cultura, Justiça, Educação e do Desenvolvimento Agrário.
Recentemente, o Ministério da Cultura, por meio do Programa Mais Cultura, doou oito Pontos de Leitura a quatro penitenciárias federais.
As quatro penitenciárias federais – Porto Velho (RO), Mossoró (RN), Campo Grande (MS) e Catanduvas (PR) – começaram o trabalho de incentivo à leitura a partir da doação de acervo bibliográfico pelo projeto Arca das Letras, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Agora, a proposta é integrar os acervos doados pelo MinC e pelo MDA e, junto com os ministérios da Educação e da Justiça, desenvolver uma ação voltada para a formação de agentes de leitura nos presídios, ampliando os projetos hoje desenvolvidos nestes espaços. Juntos, os quatro presídios atendem a aproximadamente 500 apenados.
Cada ponto de leitura doado pelo MinC é composto por um acervo de 650 obras – exemplares de literatura brasileira, estrangeira, infantil e juvenil, DVDs, enciclopédias, entre outros – computador e impressora. Cada penitenciária recebeu dois pontos de leitura – um para uso dos apenados e outro para uso dos familiares, que poderão levar os livros para casa.
“O espaço do presídio tem de ser de busca de recuperação”, diz Thimoty Irleand, representante da Unesco no Brasil. Segundo ele, a ação conjunta dos ministérios, nas penitenciárias federais, pode ser um piloto a ser replicado em outras instituições prisionais e países.
Fontes: Mais Cultura  e PNLL
Informações para a imprensa: Neila Baldi – (11) 7669.3922 / (61) 9104.3514

Clube de Leitura de Pindoretama - Ceará

De Pacajus - 9

ª CREDE -
 Marluce Nogueira, que responde pelo eixo de literatura infantil e formação do leitor, do Programa Alfabetização na Idade Certa (PAIC), na 9
ª CREDE, 
informa que no dia 26/08, em Pindoretama, haverá um sarau de lançamento do Clube de leitura do município. Será às 16h, no Centro Cultural de lá. Diz que em breve enviará a cobertura completa do evento, com direito a fotos e vídeos. Esse "vídeos" fica por conta de meu desejo.


Desejamos sucesso para eles. No próximo evento, podem contar com a nossa presença, minha, Kelsen Bravos, do Régis Freitas, do Antonio Filho e do Jurandir Filho.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

O universo criativo das crianças... haja imaginação...

Resenhas: O fio das missangas, por Marlúcia Nogueira

Mia Couto, Fio das missangas
Cia das Letras, 2009, R$: 22 a 32
Entre os autores contemporâneos de língua portuguesa, destaca-se o nome do moçambicano Mia Couto como um dos escritores africanos mais lidos e premiados no mundo. Sua vasta produção literária inclui romances, contos, crônicas e poesias filiadas à tradição da melhor literatura de língua portuguesa.
O fio das missangas, publicado em 2003, é um livro que reúne vinte e nove pequenos contos que, mesmo sendo enredos independentes, mantém um elo entre si, à maneira de um colar.  Fazendo referência a algo banal, o livro fala de coisas discretas, delicadas e frágeis, que geralmente ficam ocultas (como um fio), mas que se revestem de grande importância. Por trás dessa aparente banalidade, os contos tratam temas fortes, como violência, morte, separação, traição, loucura, vingança, incesto, suicídio, responsáveis pelas maiores dores humanas.
Despretensiosas à primeira vista, essas narrativas trazem situações em que nos sentimos sem importância, diminuídos em nossa dignidade humana ou desencorajados da vida. A maior parte desses contos abordam a condição feminina, visto que nós, mulheres, somos, em muitos casos, relegadas a uma existência anulada, de submissão e abandono, como se pode sentir na seguinte fala de uma das personagens:  “Agora, estou sentada olhando a saia rodada, a saia amarfanhosa, almarrotada. E parece que me sento sobre a minha própria vida” (do conto “Saia almarrotada”). Contemplando a própria saia, que é um símbolo feminino, essa personagem reflete sobre sua condição de indivíduo coisificado, transformado em objeto que, depois do uso, é descartado exatamente como um “fio de missanga”.
Em outro trecho, a mesma personagem se apresenta: “A mim, quando me deram a saia de rodar, eu me tranquei em casa. Mais que fechada, me apurei invisível, eternamente noturna. Nasci para cozinha, pano e pranto. Ensinaram-me tanta vergonha em sentir prazer, que acabei sentindo prazer em ter vergonha.”. Como podemos perceber nessa fala, os contos do livro têm um conteúdo revelador, de denúncia do silenciamento imposto a mulheres do mundo inteiro, mas que para as africanas se torna mais intenso, já que residem em um continente explorado e massacrado sob diversos aspectos.
A escritura de Mia Couto é renovada, criativa e dinâmica porque apresenta muitos neologismos, construções sintáticas inusitadas e aforismos, revelando com isso uma proximidade com o estilo do escritor mineiro João Guimarães Rosa, de quem o autor é admirador confesso.


Marlúcia Nogueira
Autora da resenha


Cearense nascida em Aracoiaba, passei um bom tempo em Ocara, dando aulas de Língua Portuguesa e Literatura no Ensino Médio, e atualmente moro em Pacajus.
Apaixonada por livros desde criança, passava longas tardes na Biblioteca Pública Rui Barbosa, em Aracoiaba.
Graduada em Letras (UECE), com Especialização em Literatura e Formação do Leitor (UECE) e Mestrado em Literatura Brasileira (UFC), sou professora de Literatura nos cursos semipresenciais de Letras / Português, pela UFC.
Como professora efetiva pela SEDUC, no momento integro a equipe PAIC da 9ª CREDE – Horizonte, cuidando do eixo de Literatura Infantil e Formação de Leitores, com grande prazer.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Dois projetos cearenses premiados com a Bolsa FUNARTE

Os projetos de circulação literária Ciranda das Coisas do Coração, de Flamsteed Flamarion Machado Rodrigues (nosso querido amigo Teddy Williams) e Bolsa de Letrinhas, do não menos famoso e adorado de todas e todos que lhe são caros, Almir Mota, foram contemplados com a Bolsa Funarte.

Confira aqui .