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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Biblioteca Comunitária do Benfica e Gentilândia


Núcleo original do bairro Benfica, a Gentilândia é a "capital" do mais intenso polo cultural de Fortaleza. Tem em si universidades públicas (estadual e federal) com todos seus equipamentos (museus, auditórios, cinemas, conservatórios de música, teatros, anfiteatros, bibliotecas das mais diversas faculdades, rádios, quadras poliesportivas...), residências universitárias, bares bem boêmios, um ginásio de esportes integrado a um estádio de futebol, além de praças bem arborizadas dotadas de espaços de convivência cultural, como palco para shows, barracas de comidas típicas, feiras-livres, e um casario bem preservado, cujos moradores põem cadeiras na calçada todo fim de tarde para conversarem refrescados pela brisa vinda bem lá da praia, refrigério só possível por conta de no Benfica predominar casas e edifícios de apenas quatro andares, quase um paraíso urbano, então.

Agora o curso de Biblioteconomia da UFC dá mais uma contribuição para a felicidade desse paraíso cultural, por meio do Projeto de Extensão do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará que visa traçar o perfil cultural dos bairros Benfica e Gentilândia, em Fortaleza, a fim de construir com a comunidade a Biblioteca Comunitária local, para que tenha o sotaque, vozes e dicções de sua comunidade. Desse modo o seu acervo inicial se constituirá de livros e revistas, álbuns de família, filmes, cartas, discos, mapas e demais suportes cinevideográficos, imagéticos e bibliográficos.

A coordenação do projeto, sob responsabilidade do professor Luiz Tadeu Feitosa, promoveu a coleta de registros sobre o bairro e sobre a futura biblioteca por meio de depoimentos orais, entrevistas, bate-papos, encontros, entre outros recursos. Todo esse material irá compor o acervo de memória do bairro e servirá de azimute para a implementação da biblioteca, que pretende ser um espaço de convivência, onde os atores da comunidade interajam, criem e resolvam suas demandas informacionais.

Estivemos por lá dando nossa contribuição inicial para constituição coletiva de mais um espaço de convivência cultural. Conversamos longamente com a pesquisadora Sirlândia, acadêmica de biblioteconomia, e demais bolsistas. Temos fortes convicções para abraçar essa causa de criar e instalar tão importante equipamento cultural num dos bairros mais referenciais de Fortaleza. Sabemos que depois dele virão mais e mais de modo a termos várias em vários bairros de Fortaleza e todos os municípios do Ceará. 
Inicialmente a Biblioteca Comunitária funcionará na Biblioteca Laboratório do Curso de Biblioteconomia, no Centro de Humanidades II, do Campus do Benfica, situado à Av. da Universidade, 2762, Bloco da Biblioteconomia e Psicologia, no segundo andar.
Promessas e promessas
A UFC e a Câmara Municipal de Fortaleza se comprometem a estreitar parcerias e atuar, conjuntamente, em diversas áreas,entre as quais na criação do Polo Cultural do  Benfica. Leia mais


Notícias associadas
Crônica para relembrar o Benfica e Moreira Campos
Biblioteca Comunitária do Benfica e Gentilândia
Câmara abre debate sobro o Polo Cultural do Benfica
Conselho Municipal de Política Cultural


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Um universo chamado Benfica

Lira Neto    27 de agosto de 2010
Amanhã, monitorado por um bom amigo, o professor Kelsen Bravos, o ônibus do Percursos Urbanos parte do centro da cidade em direção ao Benfica. Por isso mesmo, gostaria de estar aí, para escolher uma cadeira próxima a uma das janelas, um lugar qualquer que me permitisse uma visão privilegiada do trajeto.

Afinal, aquele bairro faz parte indissolúvel de minha vida.

Se eu ainda morasse em Fortaleza, ou se pelo menos estivesse por aí neste final de semana, já teria um programa certo para a tarde de amanhã, sábado. Caminharia pela Floriano Peixoto até chegar em frente ao edifício Raul Barbosa, ali onde está a sede do Centro Cultural Banco do Nordeste. Lá, pontualmente às quatro da tarde, subiria no ônibus com a tabuleta "Percursos Urbanos" instalada no parabrisas. Seria mais um dos passageiros desta que é uma das ideias mais geniais - e mais simples - de que já ouvi falar em relação ao mapeamento afetivo de uma cidade.

A cada novo sábado o ônibus do "Percursos Urbanos" faz um itinerário diferente. São viagens temáticas, que percorrem a essência, a memória e os aspectos menos evidentes de uma Fortaleza que não está retratada em previsíveis cartões postais. Porém, uma Fortaleza que pode ser tão bela - e muito mais verdadeira - quanto aquela que consta dos slogans políticos e do catálogo tão pouco criativo dos guias turísticos.

Um mediador, sempre íntimo ao tema, conduz o percurso, sugerindo olhares menos óbvios e menos apressados sobre a paisagem da cidade. No trajeto, revelam-se matizes, desvendam-se segredos, descobrem-se novidades que na verdade sempre estiveram ali, bem diante de nós, mas que o imperativo do cotidiano impede-nos de parar, compreender, contemplar. É mesmo como se um novo mapa simbólico, uma cartografia irresistivelmente inusitada, se desenhasse sobre o traçado de pedra e asfalto que compõem as já tão conhecidas ruas e avenidas da cidade.

De 2008 para cá, os passageiros do Percursos Urbanos, entre tantas outras viagens, já excursionaram, por exemplo, pelo universo das lendas urbanas de Fortaleza, à espreita dos indícios do célebre Cão da Itaoca e da terrível Perna Cabeluda. Já percorreram o roteiro das manifestações arquitetônicas de uma Fortaleza despudoradamente cafona, com direito a paradas obrigatórias em frente à catedral de pretensão gótica construída debaixo de um sol de rachar, à inacreditável Casa do Português e seu desenho bizarro e, é claro, à estátua gigantesca e estrábica de Nossa Senhora de Fátima plantada à margem da avenida 13 de Maio.

O ônibus do Percursos Urbanos já trafegou também pela geografia sentimental de escritores como Moreira Campos, Ciro Colares, Gustavo Barroso. Já revisitou o espírito de uma Fortaleza insubmissa, conferindo os cenários de revoltas populares e sublevações históricas. Já flanou pela Fortaleza boêmia, pela Fortaleza dos maçons, pela Fortaleza de Fausto Nilo, e por tantas outras Fortalezas mais ou menos conhecidas - e desconhecidas.

Como a Fortaleza dos dançarinos de salão, a Fortaleza do bumba-meu-boi, a Fortaleza das lagoas aterradas, a Fortaleza de mangues estrangulados. Mas também a buliçosa Fortaleza da imprensa alternativa dos anos 70, a Fortaleza da "belle epòque" cabocla, a Fortaleza dos trabalhadores do mar e, quando se imagina que até para a criatividade há algum limite, a Fortaleza dos caçadores de ETs.

Amanhã, monitorado por um bom amigo, o professor Kelsen Bravos, o ônibus do Percursos Urbanos parte do centro da cidade em direção ao Benfica. Por isso mesmo, gostaria de estar aí, para escolher uma cadeira próxima a uma das janelas, um lugar qualquer que me permitisse uma visão privilegiada do trajeto.

Afinal, aquele bairro faz parte indissolúvel de minha vida. Foi nele que passei alguns dos melhores anos de juventude, orbitando entre o prédio da antiga Escola Técnica Federal, o Centro de Humanidades da Uece, a constelação de equipamentos culturais em torno da torrinha cor de rosa da reitoria da UFC e, é claro, a buliçosa feirinha da Gentilândia. Um perímetro universitário que alguns amigos tratavam, com carinho e certa ironia de inspiração ideológica, como PCdoB: Pólo Cultural do Benfica.

Foi ali que estudei, perambulei, namorei, deixei a barba e o cabelo crescer, descobri-me poeta marginal e anarquista juvenil. Foi ali que participei de passeatas pueris, bebi numa miríade de botecos sujos, conheci gente bacana e um pessoal nem tanto assim. Ali, escrevi para revistas literárias efêmeras e fiz amigos perenes. Desafiei professores obtusos e aprendi com alguns - poucos, é verdade - mestres geniais. O verdadeiro aprendizado estava nas ruas, na atmosfera utópica com que conduzíamos nossas existências tão ingênuas e, ao mesmo tempo, tão idealistas.

Éramos jovens. Fazíamos mil revoluções por minuto nas mesas do Esquina Azul, do Bar das Letras, do Jazz Blues Bar e, mais tarde, do Pertinho do Céu. Embriagávamo-nos de vinho barato e boa literatura no Bosque da Letras, fazíamos xixi no pedestal da estátua da praça e, quase todo dia, víamos Moreira Campos de paletó e gravata dirigindo o seu fusquinha. Como gostávamos do velhinho. Gostávamos mais ainda de seus contos cheios de silêncios, interditos e sofisticadas sacanagens.

Hoje, tantos anos depois, o melhor de tudo é saber que a história de amor entre o bairro e várias gerações de fortalezenses não se esgota nesse tipo de reminiscência, na simples nostalgia. Soube que, agora mesmo, tramita na Câmara Municipal de Fortaleza um projeto que oficializa a criação do "Pólo Cultural do Benfica". Vão institucionalizar, portanto, o epíteto brincalhão de PCdoB. Ótimo. Mas torço para que isso não signifique um simples batismo solene com base em um trocadilho que, um dia, soava genial, mas que hoje perdeu em frescor e sentido.

Seja como for, amanhã, caros leitores, se estiverem a bordo do ônibus do Percursos Urbanos em direção ao Benfica, bem na hora em que passarem diante do Centro de Humanidades da Uece, perguntem ao Kelsen Bravos a respeito da nossa grande frustração daquele tempo de estudantes. Nunca conseguimos sequestrar, de verdade, a estátua de São Tomás de Aquino instalada à entrada do prédio, como tanto idealizávamos. O plano era rocambolesco. Alta madrugada, eu, Kelsen e o gigante Vessillo Monte roubaríamos a imagem do expoente da filosofia escolástica para colocar outra em seu lugar: a de Exu, que pretendíamos comprar em uma loja de artigos de macumba.

Que pena. Jamais cometemos tão sonhada heresia.


Fonte: Diário do Nordeste e Blog do Lira Neto

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Seminário Internacional Arte Pública Relacional como Prática Social

Dia 23/08 – 19:00 h – Cinemas Benfica
Abertura Oficial
Apresentação do Coral das Artes Cênicas do IFCE
Arte de Bem Ficar – Benfica no Planejamento Urbano de Fortaleza (Prof. Dr. Laércio Noronha – UNIFOR, Brasil)
Política de Cultura como Reorganização do Espaço Urbano (Prof. Dr. Abdelhafid Hammouche - França)
Coquetel de Abertura.
Dia 24/08 – 19:00h – Teatro José de Alencar
Mostra de vídeo:
IN Paradox OUT - Urban Drift
São Paulo - Berlin, 2002. Videoclip do Fórum Internacional: A Arte, o Urbano e a ReconstruçãoSoci al, realizado no CCBB/SP, março de 2002, como contraponto a 25ª. Bienal Internacional de São Paulo e ao projeto Artecidadezonaleste. (12'); Direção e arte Lilian Amaral. Edição Heitor Costamilan.
Palestra:
Arte Pública Como Prática Social (Dra. Lílian Amaral – Casa da Memória de Paranapiacaba – SP - Brasil);
“Projecto Rio: Arte, Ciência e Patrimônio” (Profa. Dra. Virgínia Fróis – FBAUL - Portugal);
Dia 25/08 – 19:00h – Casa Amarela - UFC
Mostra de vídeo:
Humanscape
Sub-Prefeitura de Paranapiacaba e Parque Andreense, Prefeitura do Município de Santo André, SP. I Festival de Inverno de Paranapiacaba, 2001. Arte Pública e intervenção no tecido social com participação de artistas e comunidade, focando a paisagem humana, sua história e produção de sentidos. (9'50"); Direção e arte Lilian Amaral. Edição e roteiro Heitor Costamilan. Brasil.
Palestra:
Do Monumental ao Relacional na Arte Pública – Percurso Histórico
(Profa. Dra. Margarida Calado – FBAUL - Portugal)
Metodologia da Pesquisa Ação
(Profa. Dra. Geny Lustosa – UFRGN - Brasil)
Dia 26/08 – 19:00h – Auditório do IFCE
Mostra de vídeo:
Olho Canibal
Avenida Paulista, São Paulo, 1998, Paço das Artes, 24ª. Bienal Internacional de São Paulo,Brasil. Lilian Amaral. 0 apagamento da arte pública frente aos dispositivos da aceleração e da mídia urbana. (5'); Direção, arte e roteiro Lilian Amaral. Edição Heitor Costamilan.
Palestra:
Contextura do Patrimônio e da Memória por Amor ao Benfica
(Prof. Dr. Gilberto Nogueira - UFC –Brasil );
Potencialidades e Dificuldades do Benfica
(Prof. Dr. Elmo Vasconcelos Junior– UECE/UFC - Brasil);
Literatura no Benfica: Airton Monte, Carlos Emílio e João Soares Neto.
Dia 27/08 – 19:00 h – Centro Cultural BNB
Mostra de vídeo:
Alegoria do Caos,
Paço das Artes - Heliópolis, São Paulo, 2000, Brasil. Lilian Amaral. Como a Arte Educação e a Arte Pública podem atuar na inclusão cultural. (6'10"); Direção e arte Lilian Amaral. Edição e roteiro Heitor Costamilan.
Palestra:
Imagens da Cultura, Cultura das Imagens
(Prof. Dr. José Ribeiro - Universidade Aberta – Portugal)
Pesquisa em Artes
(Prof. Dr. José Albio Sales Moreira – UECE);
Dia 28/08 – 17:00 h – Centro Cultural BNB
Mostra de vídeo:
MAU WAL - Encontros Traduzidos.
Produzido pela Associação Cultural VideoBrasil, Sao Paulo, 2002. Maurício Dias, brasileiro, e Walter Riedweg, suíço, desenvolvem, desde 1993, um projeto de produção coletiva com o objetivo de vincular esteticamente assuntos contemporâneos e grupos sociais. 0 documentário apresenta a relação peculiar entre os artistas e seus parceiros". (52’).
Debate: Com a Palavra os Coletivos (Curto Circuito, R.A.M. Crew, Pã, Acidum).
Dia 29/08 – das 10:00h às 22:00h – Pça. Feira da Gentilândia e Pça. do Esperanto - Benfica
Mostra de Arte Urbana:
Artes visuais, literatura, dança, música, teatro, cultura popular, esporte e lazer.
Fonte: 

Câmara abre o debate sobre a criação do PCdoB - Polo Cultural do Benfica

No dia 19/08, houve uma audiência pública no antigo CEFET para debater a criação do Polo Cultural do Benfica, um projeto de quase dez anos que visa fortalecer a integração de seus vários equipamentos culturais. A discussão continua. Participe!
A Câmara Municipal de Fortaleza - por meio de requerimento do vereador João Alfredo (PSOL) - realizou, no dia 19/08, às 18h30min, audiência pública para debater a criação do Polo Cultural do Benfica - PCdoBenfica. A audiência, realizada no auditório Iran Raupp, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), localizado na avenida 13 de Maio, foi uma solicitação do grupo Meio Fio de Pesquisa e Ação, do IFCE, que desde abril deste ano se articula com o gabinete do Mandato Ecos da Cidade para discutir a criação desse novo polo cultural da capital cearense.


Segundo João Alfredo, há muito se fala na efetivação de um “corredor cultural” no bairro Benfica, a fim de que aquela região seja reconhecida em definitivo pelo poder público e pela sociedade como um polo de desenvolvimento das mais diversas manifestações culturais.


O parlamentar destaca que o grupo Meio Fio de Pesquisa e Ação tem retomado esse processo com o intuito de efetivar o reconhecimento por lei do bairro Benfica como Pólo Cultural, a exemplo do que aconteceu recentemente com o bairro Varjota, agora reconhecido pelo poder público como Polo Gastronômico. “O Benfica é um bairro histórico, localizado entre o Centro e os bairros que margeiam a cidade e conta com um número considerável de equipamentos que, em conjunto, poderá configurar-se num importante Centro Cultural Urbano”.


Um dos principais objetivos do PCdoBenfica será promover a integração de seus vários equipamentos culturais, sociais, desportivos e educacionais, criando um roteiro unificado de atividades nessas áreas, motivando artistas, pesquisadores, educadores, gestores públicos e a sociedade civil a contribuírem com a implementação de projetos voltados ao desenvolvimento das potencialidades da região, com ênfase nas atividades culturais.

Preservação do patrimônio cultural do Benfica
“A criação do Polo Cultural deverá ter como objetivo, ainda, a promoção e preservação do patrimônio cultural do Benfica, além de oferecer à cidade opções de lazer e cidadania que possam contribuir para a formação cultural, conscientização patrimonial, revelação de valores artísticos e construção de novos saberes. Então é importante reconhecer, por lei, o bairro como pólo cultural, tendo em vista a promoção de suas potencialidades e melhor aproveitamento de seus equipamentos”, acrescenta João Alfredo.

Centro Cultural Urbano
Para o professor do IFCE, artista plástico e coordenador do Grupo Meio Fio de Pesquisa e Ação, Herbert Rolim, a efetivação do PCdoBenfica tem a importância, sobretudo, de democratizar e socializar os equipamentos culturais do bairro e seu entorno, configurando-o num verdadeiro Centro Cultural Urbano, capaz de gerar um circuito (arte/cultura, esporte, lazer, meio ambiente e urbanismo) eficiente e produtivo. “Seu reconhecimento por lei contribuirá para o ordenamento e humanização do espaço urbano, permitindo um gerenciamento integrado, envolvendo vários parceiros da gestão pública, iniciativa privada e sociedade civil organizada. Há dez anos que este projeto espera pelo seu reconhecimento e operacionalização. Está na hora, ou passando da hora, de uma integração, do interesse social se sobrepor às indisposições políticas partidárias e ao isolamento das instituições envolvidas. A cidade agradece”, disse.




SOBRE O BENFICA:
Fazem parte desse complexo e de seu entorno o IFCE, o Centro de Humanidades da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e parte do Campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), além de outras instituições educacionais públicas e privadas: as Casas de Cultura Estrangeira (hispânica, britânica, italiana, russa, francesa, germânica), bibliotecas (Humanidades, Direito, Educação, Economia, Arquitetura), Imprensa Universitária, Instituto de Cultura da UFC, Concha Acústica, Museu de Arte da UFC (MAUC), Casa Amarela Eusélio Oliveira, Rádio Universitária FM, Teatro Universitário da UFC, Quadra do Céu, Bosque das Letras (espaço de convivência), Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura, Fundação Cearense de Esportes, Conservatório de Música Alberto Neponuceno, Biblioteca Municipal Dolor Barreira, Instituto Municipal de Pesquisas, Instituto de Administração e Recursos Humanos (Imparh), Ginásio Esportivo Aécio de Borba, Estádio Presidente Vargas, Vila das Artes, Teatro Bar Chico Anísio, feira livre da Gentilândia, livrarias, sede de partidos políticos, residências universitárias, bares, praças, igrejas, shopping, estação de metrô (em construção) etc.


Fonte: Tembiú - Alimento da Alma

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domingo, 22 de agosto de 2010

Crônica para relembrar o Benfica de Moreira Campos





Túlio Monteiro*


Manhã dessas da vida decidi flanar pelas ruas com e sem saída da velha Gentilândia, fundida em tempos mais atuais ao bucólico Benfica. Bairro boêmio e intelectual, reduto último de um tempo passado, início do século XX, casas de um só andar, quase nenhum duplex, nada ainda de prédios arranhando céus tão limpos de barulhos ou nuvens de fumaça.

Sim! Apesar da proximidade geográfica que o Benfica guarda em relação ao sujo e abandonado centro de Fortaleza, nada lhe afeta a maciez do tempo onde relógios preguiçosos parecem marcar seus dias. Domingos, então, nada mais tranqüilizante que apreciar sem pressa de chegar a lugar nenhum, fachadas de casas aquietantes, árvores farfalhantes, bem-te-vis, rolinhas cascavel, pardais e, com sorte, o singrante gavião que costuma habitar as copas das altas mangueiras do Bosque de Letras. Será ele o antigo morador daquelas paragens dos meus tempos de acadêmico? – Vinte anos passados – Ou se tratará de um seu descendente, gerações pósteras de velhas asas caçadoras?

Certa noite boêmia de lá, lançaram-me aos ouvidos de poeta uma daquelas indeléveis frases que costumam nos acompanhar por toda a vida: “Morar no Benfica não é simplesmente morar, é habitar um privilegiado estado de espírito!” E como! É preciso se ir até lá ao amanhecer de um final de semana, deixando-se ir preguiçoso por entre as barracas da feira livre, sentindo, um a um, os extratos, cheiros emanados das frutas, verduras e afins expostos nas bancadas de madeira que, de tão velhas, certamente guardam histórias de décadas e décadas de sol, chuva, sorrisos e saudades. Chuva que no Benfica cai e se torna cheiro de amor, vida e pena de morrer.

Ventos quentes de verão não têm vez por aquelas bandas. Sombras de altas castanholeiras e imponentes benjamins amenizam a sede física e espiritual dos amigos – gerações e gerações deles – mesinha de bar tranqüilo, cerveja gelada no copo, músicas na altura certa para amenizar dores de amores. E que não nos venham estacionar as ruas os famigerados “carros-bomba” com seus infernais aparelhos de som, milhares de watts despejados sobre tímpanos sensíveis. Afinal, pelo que sei, porta-malas foram criados para guardar objetos, inclusive, claro, malas. Não! Que não venham os donos dos “carros-bomba” tentar infligir aos do quieto Benfica uma prática que parece buscar suprir – através da potência eletrônica de seus autofalantes – suas carências por dotes mais avantajados ou desempenhos sexuais menos pífios, se é que me faço entender. Isso não permitiremos, como tantas vezes já não permitimos.

Moreira Campos (Fonte:http://fortalezaemfotos.blogspot.com)
E que a saudade de tua estrutura atual, Benfica de guerra, nunca se torne verdade, jamais se aplicando a você as sábias palavras do eterno mestre Sânzio de Azevedo: “Quando um homem perceber mudanças nas ruas pelas quais há tempos caminha, ou começar a lembrar de coisas que já não mais existem, ele estará ficando velho... E sábio”. Quero ficar velho te vendo igual, não por teimosia do idoso chato que provavelmente serei, mas por conhecer, assim como uns outros poucos felizardos que te habitam, certos segredos de tua geografia. Geografia esta que perdeu, no último novembro**, a casa de Moreira Campos, demolida e devorada que foi. Virou estacionamento o solo doméstico e cultural que por tantos anos foi pisado pelo maior contista cearense de todos os tempos. Casa que também serviu de abrigo a uma menininha que, sem medo de rotulações, decidiu por seguir os caminhos do pai famoso: Natércia Campos, amiga tão cedo retornada ao seio de Deus. Natércia, ironicamente a autora do já célebre romance A Casa. Ironia das ironias.

Ante esses rompantes de pseudo-modernidade, meu Benfica de Epicuro, Benfica de quintas tão aprazíveis, só me resta sonhar-te tempos melhores, onde a silenciosa revolta de teus habitantes e a História deste Ceará quase sem memória se encarreguem de dar conta dos dias que virão, ceifando as asas capitalistas que hoje sobrevoam teu casario desguarnecido.
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*Túlio Monteiro é escritor e crítico literário. Crônica escrita no início de 2006.
** Em novembro de 2005, a Casa de Moreira Campos foi demolida para construir um estacionamento de shopping.

Links associados Dois pontos

Saiba mais sobre o Benfica.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Programação cultural: PerCursos urbanos




Polo Cultural do Benfica no meio-fio
No próximo dia 28 de agosto, sábado, das 15h às 18h30, o projeto PerCursos Urbanos irá até o Polo Cultural do Benfica.  

Da rua Padre Cícero à avenida Duque de Caxias e da rua José Bastos até a avenida Aguanambi, neste entre limite afetivo e cultural, encontra-se o chamado Polo Cultural do Benfica. O seu coração é residencial e universitário, cheio de equipamentos culturais e história. Concentra universidades, museus, teatros, auditórios, anfiteatros, cinemas, estádio, ginásios e quadras poliesportivos; feiras livres, casario e residências universitárias; rádio, igrejas, livrarias, bares e praças. Diversas programações culturais ao prazer boêmio e compromisso social. Lugar de inspiração literária e musical. Palco de performances dramáticas, intervenções urbanas, relações de vizinhança, enfim, área de intensas convergências culturais autênticas de naturezas diversas. É por estes caminhos cruzados, por esta forma rizomática de lugar que nos perderemos com o olhar de cronistas nesta tarde de sábado. 210min.

Mediador: Kelsen Bravos, escritor, editor e professor.
Participantes: Interessados em geral, mediante inscrição prévia.
Ponto de saída: Centro Cultural Banco do Nordeste
Inscrições: A partir de 24/08, na recepção do CCBNB.




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O que é o PerCurso Urbano?
Uma parceria entre o coletivo Mediação de Saberes e o Centro Cultural Banco do Nordeste - Fortaleza, a idéia dos PerCursos Urbanos se traduz na realização de roteiros em ônibus urbanos, com o objetivo de apresentar e discutir os desafios e as possibilidades da urbe, articulando como mediadores pessoas de saberes acadêmicos e de saberes populares.
Trocar idéias, (re)descobrir espaços e pessoas da cidade, propor ações criativas e novos usos da cidade, partilhando tardes de sábado. agregar conhecimento e estabelecer vículos culturais, sociais e afetivos estão entre os objetivos da proposta. 



Mediador: Kelsen Bravos, escritor, editor e professor.
Participantes: Interessados em geral, mediante inscrição prévia.
Ponto de saída: Centro Cultural Banco do Nordeste
Inscrições: A partir de 24/08, na recepção do CCBNB.