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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Túlio Monteiro: DO SURGIMENTO DA LITERATURA NO CEARÁ – CRÔNICA AO PROFESSOR SÂNZIO DE AZEVEDO

O ano era 1892. Naquele final de século 19, a bucólica cidade de Fortaleza tinha pouco mais que 45 mil habitantes, ficando seu centro nervoso restrito ao quadrilátero composto pelas avenidas Dom Manuel, Duque de Caxias, do Imperador e faixa litorânea.

Em uma cidade com essas dimensões geográficas e populacionais não seria de se admirar que praticamente todos os fortalezenses se conhecessem pelo menos de vista, como ainda hoje ocorre nas pequenas cidades do interior. Tudo se sabia naquela "Fortaleza Descalça", no dizer do poeta Otacílio de Azevedo, pai do Professor e Historiador Sânzio de Azevedo, nosso homenageado deste texto.

Naquela que era considerada a "Paris dos trópicos", a influência francesa se estabeleceu cedo por conta dos interesses mercantis entre Brasil e França e da privilegiada localização de nossa cidade em relação ao oceano Atlântico, não sendo estranho, portanto, que os intelectuais de nosso estado avidamente “bebessem” nas fontes de Charles Baudelaire, Paul Verlaine, Arthur Rimbaud e Stéphane Mallarmé e José Maria Herediá - Para citar apenas alguns.

Sequiosos de cultura que sempre fomos, a literatura europeia nos entrou pelos poros qual brisa leve em tranquilas manhãs de domingo. A cultura que vinha do Velho Mundo aliou-se ao que aqui já se criava, fazendo eclodir movimentos intelectuais em cada canto dessa Fortaleza cidade de Nossa Senhora da Assunção. E não foram poucos os movimentos: A princípio, os Outeiros de Governador Sampaio – de que, cá para nós, tenho lá minhas restrições quanto à qualidade dos estetas que por lá caminhavam –, passando pela poesia dos que viviam as Letras daquele então, até chegarmos à fundação da primeira Academia de Letras do nosso País; aqui estabelecida em 15 de agosto de 1894, tendo sua História dividida em três partes: A primeira iniciada em 15 de agosto de 1894, ao ser fundada a passos largos até 17 de julho de 1922, quando Justiniano de Serpa lhe promoveu a reconstituição.

Esse primeiro período foi áureo para as Letras cearenses, quando a inquietação de intelectuais já havia motivado a criação da Padaria Espiritual, dois anos antes da criação da Academia Cearense de Letras – ACL, época em que o Ceará ocupava então importante papel dentro do movimento literário nacional, tendo se antecipado inclusive à criação da Academia Brasileira de Letras – ocorrida aos 20 de julho de 1897 – e à Semana de Arte Moderna de 1922. A segunda fase da ACL teve início em 1922, quando Justiniano de Serpa, diante da situação em que se encontrava a instituição com somente oito membros ainda residentes em Fortaleza, reorganizou-a de forma peculiar. Porém, autêntica. Neste novo formato, foram ampliadas as vagas, passando de 27 para as então atuais 40 Cadeiras, tendo sido deste mesmo período a denominação dos patronos. No ano seguinte ao de sua reformulação, a morte de Justiniano de Serpa, em 1° de agosto de 1923, fez a instituição permanecer na penumbra até 1930.

Porém, como bem não poderia deixar de ser, aos 21 de maio de 1930, foi instalada a reunião de reorganização da instituição, agora em definitivo nos moldes atuais e instalada na casa de Tomás Pompeu, cito à Rua do Rosário, número 1, Centro da cidade, bem ao lado da “Praça dos Leões”.

Mas, voltemos ao início do ano de 1892 e a um dos muitos finais de tarde em que uma seleta casta de intelectuais reunia-se na praça do Ferreira para, nas mesas do saudoso Café Java, discutirem o que eles produziam e o que de melhor era produzido no seio da literatura do Ceará.

Naquele quiosque, ricamente ambientado à moda dos cafés franceses, Antônio Sales, Lopes Filho, Temístocles Machado, Tibúrcio de Freitas, Ulisses Bezerra e Sabino Batista idealizaram aquele que viria a ser o maior e mais importante movimento artístico do Ceará em todos os tempos: A PADARIA ESPIRITUAL. Digo artístico, porque no seio da Padaria não havia apenas homens de Letras. Coexistiam pacificamente naquela agremiação escritores e poetas como os que há pouco citamos, além de músicos como Henrique Jorge e Carlos Vítor, e do artista plástico Luís Sá. Isso sem esquecermos, jamais, a veia cômica do cearense de Joaquim Vitoriano, o Paulo Kandalaskaia, que não era escritor, músico nem muito menos pintor, mas, sim, um sujeito forte, bem dois metros de altura. Isso no sentido muscular mesmo. Era o sujeito que se encarregava exclusivamente da segurança física dos padeiros espirituais, que tantos inimigos fizeram ao publicar textos ácidos contra a hipocrisia e o marasmo daquela sociedade que quatro anos antes havia condenado Adolfo Caminha em virtude do seu romance proibido com Isabel Jataí de Paula Barros. Quem não conhece a narrativa de “A Normalista”, de 1893?!

Essa mistura de diretrizes e interesses culturais, aliada aos tons pilhéricos, modernizadores e nativistas explicitados nos 48 artigos do seu Programa de Instalação, fizeram da Padaria Espiritual um movimento artístico miscigenado conhecido em todo o Brasil, antecipando o Movimento Modernista de 1922 em exatas 3 décadas.

No seio da Padaria Espiritual surgiram nomes hoje considerados sagrados para a Literatura Brasileira, porque não dizer para a Universal. Nela, conviveram em harmonia Simbolistas, Realistas, Naturalistas, Parnasianos e até Românticos de última hora, a exemplo de X. de Castro, Antônio Sales, Rodolfo Teófilo, Adolfo Caminha e Lívio Barreto, para citarmos apenas alguns dos 34 grandes homens que fizeram parte das duas fases pelas quais passou a Padaria Espiritual entre o dia 30 de maio de 1892, quando foi fundada e o dia 20 de dezembro de 1898, quando realizou-se sua última sessão solene.

Sim, a Padaria Espiritual teve uma gigantesca importância para o fazer literário de nosso País. No entanto, senhoras e senhores, a inexorabilidade do tempo e o descaso com nosso patrimônio histórico poderiam ter varrido desse planeta a existência da Padaria, não fosse o trabalho árduo dos historiadores de nossa terra. Sem Antônio Sales, Rodolfo Teófilo, Leonardo Mota, Dolor Barreira e Guilherme Studart, este último mais conhecido como Barão de Studart, nenhum vestígio haveria sobrado daqueles anos de pura efervescência intelectual. Entretanto, seus estudos e livros eram um tanto quanto rasos no que diz respeito à minúcia, ao esmero e à precisão das informações pertinentes à Padaria Espiritual. Havendo, pois, a necessidade de uma obra mais completa, mais rica em detalhes e informações. Uma obra final, definitiva, que trouxesse à luz informações absolutamente corretas sobre aquele precioso ajuntamento de intelectos.

E foi nesse cenário, digo isso sem nenhum tom de bajulação, mas, sim, de admiração explícita, que surgiu o Historiador Rafael Sânzio de Azevedo. Seus muitos estudos e ensaios literários vão deixar registrados para as gerações futuras não só os feitos dos padeiros espirituais, mas também dos que participaram de tantos outros movimentos intelectuais do nosso Ceará, a exemplo do Centro Literário e da Academia Francesa.

Interrompo aqui o acadêmico que se faz necessário a este momento, para modificar as tintas do que ora vos falo. Caro professor Sânzio, desde os já idos anos 1980 e 1990 do século que já se vai para o sua segunda década, quando conversávamos ora nas salas e corredores, ora sob as sombras do sempre aprazível e mágico bosque do Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará até os dias atuais de dura lida em busca da sobrevivência, afirmo-lhe jamais esquecerei do "pão do espírito" que o senhor tão bem ensinou a centenas de meros aprendizes a "amassar" e saborear. Na condição de seu eterno admirador, o conhecimento que adquiri através de sua pessoa caminhará ao meu lado até o fim de meus dias. Isso prometo!

Em legítima atitude de admiração perpétua, meu amigo e eterno Professor Sânzio de Azevedo. Concluo com um seu poema, o que aqui considero uma carta de absoluto agradecimento pela cultura aos seus discípulos ofertada por sua pessoa. Este seu poema é curto, mas profundo e belo. Como bem devem ser os escritos de fina casta. Poema que nos fala da efemeridade da vida e das coisas importantes – muito mais importantes que dinheiro ou status social. Poema que bate forte e faz calar no peito dos que pensam ser eternos, duras verdades sobre o começo, o meio e o fim das vidas que aqui vivemos e que tão rapidamente se vão:


Carpe Diem

Daqui há alguns anos,
todas as novidades serão velhas.

E ainda mais tarde, quando os calendários
marcarem outro século,
e quando o outro século for velho,
lápides testemunharão nossa passagem,
efêmera passagem pelo Mundo.

É incrível admitir que este momento,
este instante de agora
novo, atual, moderno,
será passado um dia...

Os últimos modelos de automóvel
(que já hoje raros chamam de automóvel)
e os mais modernos aviões
(que um dia se chamaram aeroplanos),
tudo será, futuramente,
atração de museu...

Colhamos, (doce ou amargo), o momento presente
antes que ele se torne antigamente...

Fortaleza, dezembro de 2017.
___________________
*Túlio Monteiro - escritor, biógrafo, pesquisador, revisor, ensaísta e crítico literário, publica todas as segundas aqui no Evoé! Leia também Literatura com Túlio Monteiro.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

EU VENHO DAS DUNAS BRANCAS - Túlio Monteiro

Fonte: Dunas do Cocó/FaceBook

Eu venho das dunas brancas
Onde eu queria ficar
Deitando os olhos cansados
Por onde a vista alcançar

Meu céu é pleno de paz
Sem chaminés ou fumaça
(...)
(TERRAL - Ednardo - excertos)



PARTE I

Será que alguém aqui sabe o que é uma tijubina ou um muricizeiro? Acho meio difícil para
Tijubina
quem tem menos 30 anos conhecer esses dois personagens da nossa vegetação de restinga. Uma vez que clubes aquáticos e até, pasmem, campos de golfe já invadiram seus lugares de origem. Não se assombre, não. No Ceará não tem só o Porto das Dunas! Temos o Aquiraz Riviera Clube de Golfe – dentre outros – como atração assim para, digamos, gringo ver. O cearense de classe média por lá é hostilizado mesmo. Experimente um dia entrar em um lugar desses para você ver o que é bom.

Pois é! Lá onde fica o Aquiraz Riviera era vegetação pura de restinga, toda a área que envolve o Porto das Dunas com seus Alphavilles também era de dunas que ajudavam os ventos vindos da África até três – eu disse só três – décadas atrás. Só que hoje, a especulação imobiliária tomou conta daquele pedação de Ceará, litoral que se perde de vista e tornava Fortaleza bem mais amena no que diz respeito ao forte calor que faz por aqui quando a quadra invernosa vai embora ali por março/abril.

Mas, voltemos às tijubinas e aos muricizeiros e deixemos o resto mais para adiante. Se aprochegue aí e vamos ver o que sai hoje dessa caneta ardente que nem o cano do fuzil de Lampião.

Corria o ano de 1976, quando meu pai, seu Bernardo Monteiro, chegou em casa todo serelepe dizendo que tinha feito a compra de uma ação do LUXOU ATLÉTICO CLUBE DE FORTALEZA, na verdade o primeiro clube de praia para a classe média/média de Fortaleza – hoje abandonado às moscas na avenida Dioguinho 2222, Praia do Futuro. Imagine, menino, eu que só sabia o que era tomar banho em água parada na Lagoa da Parangaba ou da Maraponga, ainda assim aos domingos, quando o velho enchia seu Fuscão verde de moleques da rua em que nasci para irmos nadar em águas ainda relativamente limpas. Foi uma alegria só. 

– Tem piscina para crianças, para adultos, piscina de saltos e até piscina olímpica com 50 metros de comprimento, dizia ele com os olhos brilhando de alegria pela aquisição feita em longas 24 parcelas a tirar de vista.

E foi em um domingo daquele mesmo 1976 que eu, ele e minha mãe fomos pela primeira vez a um clube social. Imagine o tempo que levamos para escolher as roupas certas, os apetrechos a levar. De nove da matina, você que me lê, até às cinco da tarde debaixo de sol e dentro das piscinas que eu podia entrar foi um regozijo só. Chovesse ou fizesse sol, não havia domingo que escapasse. Só quem escapava mesmo éramos eu e alguns amigos de infância para explorar o entorno do clube que não tinha nada a não ser quilômetros de dunas para se olhar e nenhuma sombra para proteção. Havíamos descoberto uma espécie de paraíso. 

Criado em subúrbio, eu lá sabia que existia aquele mundo cheio de uns calanguinhos coloridos que corriam feito a peste pelas areias escaldantes do lugar. Se escondendo embaixo de pequenas plantas que insistiam em nascer sobre a areia de praia que as cercava. Confesso que demorou um bom tempo para eu capturar com vida um dos coloridos répteis que por ali passeavam. Junto com ele levei enrolados em uma velha camisa sem mangas frutos amarelos mais ou menos do tamanho de uma pequena uva, só que eram amarelos e expeliam um cheiro peculiar que até hoje não me foge às narinas. 

Mostrei-os ao meu pai, que sempre teve e tem uma resposta na ponta da língua para as coisas do sertão e litoral. – Bom, a esses calanguinhos a gente chama de tijubinas e são coloridos assim para se camuflarem no meio das folhas que eles encontram tanto na praia quanto no interior e esses frutos nada mais são que muricis que dão um suco muito gostoso. Invenção dos índios que por aqui já habitavam muito antes da gente. Eu ficava maravilhado com a inteligência do meu velho.

Soltamos a tijubina, apesar de meus protestos, e levamos os muricis para casa onde lembro até hoje do suco grosso que ele provê. Tempos leves, tempos muito leves.




PARTE II

Mas o inexorável tempo passa e a gente cresce e envelhece certos sonhos. O LUXOU, clube onde conheci também Eloisa, minha companheira já de tantos anos, fechou e com ele cessaram as idas domingueiras para os lados da Praia do Futuro que nem barracas tinha ainda nos anos 1970.

Mudemos, agora, o rumo da prosa para coisas mais atuais e perigosas.

Fortaleza fica situada entre as fozes de dois grandes rios, um a Leste e o outro a Oeste, respectivamente o Cocó e o Ceará. Assim foi escolhida a nossa capital justamente por se situar entre dois grandes rios que proveram de água doce os colonizadores portugueses, holandeses, espanhóis e sei lá mais quantas nacionalidades vieram em busca das velhas pedras preciosas e novas terras a conquistar no que eles chamaram de Novo Mundo. Mas o negócio começou tão esculhambado por aqui que até a data de fundação de nossa cidade ainda gera controvérsias, tantas foram as invasões, guerras, disputas territoriais, chacinas indígenas e reinvindicações de posse.

Depois disso, atrocidades e mais atrocidades foram impetradas à capital Alencarina. Comecemos com os espigões da praia de Iracema que foram “construídos” ainda nos anos 1930 para que as águas do Atlântico dessem uma trégua em suas potentes ondas e navios de médio e grande porte pudessem atracar para deixar e levar cargas de exportação e importação. 

Em 1929, o Departamento de Portos, Rios e Canais tinha planos de realizar estudos sobre o porto de Fortaleza. Esta tarefa coube ao engenheiro Augusto Hor Meyll. Com base nos estudos feitos em Fortaleza, o Dr. Hor Meyll apresentou, a 21 de janeiro de 1930, o seu projeto de construção do porto de Fortaleza. A enseada do Mucuripe oferecia vantagens extraordinárias, inclusive o fato de esta localizar-se a seis quilômetros da capital. Na época, Meyll disse em frase que ficou famosa "Ou temos o porto na Enseada de Mucuripe, ou nunca teremos um porto em Fortaleza." Aí, começou uma esculhambação que vamos chamar aqui de assoreamento. Ou seja, com a construção do porto, o mar recuou centenas de metros praticamente acabando com a zona de praia usada pela elite fortalezense. Deve ter sido engraçado, ver os ricos chegando para trocar seus trajes de banho em cabinas particulares que ficavam trancadas à beira do mar e ter que caminhar, sei lá, um quilômetro para chegar ao salgado sabor do mar. Bem, mas Getúlio Vargas, com o Decreto-Lei 544, de 7 de julho de 1938, decidiu sobre a localização do novo porto de Fortaleza definindo a Enseada do Mucuripe como o novo local, sendo as obras iniciadas em 1939. E quem quisesse e achasse ruim que fosse reclamar na Corte do Rio de Janeiro.

E tome o assoreamento, que nada mais é que o acúmulo de sedimentos (areia, terra, rochas), lixo e outros materiais levados até o leito dos cursos d'água pela ação da chuva, do vento ou do ser humano, onde em alguns casos, o curso d'água pode até deixar de existir em decorrência desse fenômeno.

Foi o que deu origem à Praia Mansa, nos arredores do porto e ao buraco causado onde hoje se tem como medida paliativa – eu afirmo: paliativa – o Aterro da Prainha, uma vez que apenas foi completado com areia do mar para evitar que o mesmo tomasse conta da Rua Eduardo Girão e “cortasse” o acesso para o lado mais Leste de Fortaleza. O que, inevitavelmente irá acontecer em alguns anos. Basta esperar.

Daí o efeito dominó só vem se alastrando para as bandas do Oeste. Praias como Barra do Ceará, Dois Coqueiros, Iparana e mais recentemente Icaraí estão totalmente destruídas pela ação de projetos mal calculados. Dizem que a quebradeira já chegou na Tabuba e no Cumbuco. Tudo porque autoridades incompetentes resolveram criar o Porto do Pecém e mais uma vez pensar SEM nas consequências que isso traria ao litoral de Fortaleza e praias adjacentes.

Trocando em miúdos. Fortaleza e região metropolitana estão fadadas a ficar sem praias habitáveis em poucos anos. Uma década, no máximo. Estando toda essa região de litoral “espremida” entre grosseiros erros de engenharia advindos dos últimos – pasmem – apenas 80 anos. Nessa batida e não estou sendo exagerado, o Piauí que cuide do Delta do Parnaíba, pois é para lá que os assoreamentos do Porto do Pecém se dirigirem.


PARTE III 

Bem, tendo exposto o campo de guerra que se tornou o litoral Oeste de Fortaleza, vamos ao arremate dessas tragédias anunciadas. Só que agora focando o lado Leste, ainda quase intacto. Mas que agora virou alvo definitivo da exploração imobiliária. Isso mesmo! A bola da vez agora são as Dunas do Cocó e regiões limítrofes. Justamente onde estão as derradeiras dunas intactas do litoral Fortalezense, localizadas em terras pertencentes aos grupos Edson Queiroz e M. Dias Branco. 

Foi aprovado em nossa Câmara de Vereadores um projeto para a exploração imobiliária das Dunas do Cocó. Os do lado Leste que se prepararem, pois os menos favorecidos serão sumariamente destituídos de seus terrenos e casas, bem como quaisquer bens que tenham em seu poder. Ou seja, RUA aos de menor calibre. 

A exploração agora é Lei parlamentar e só falta o aval de nosso Prefeito para que os projetos imobiliários comecem a pipocar para aqueles lados começando a pôr fim em uma preciosidade ambiental que possui mais de 1500 anos de idade, uma floresta fechada e intacta com mais de 150 espécies vegetais e dezenas de espécies animais dentre elas raposas, tamanduás, tatus, caranguejos, aves, macacos, lagartos e serpentes que põem o ambiente em total equilíbrio com a natureza local. 

Convém lembrar que as Dunas do Cocó exercem importante papel no clima da cidade de Fortaleza e região metropolitana, uma vez que através delas as águas captadas das chuvas são filtradas e jogadas no estuário do rio Cocó responsável por dois terços da água pluvial da metrópole, que traz importante valor de limpeza aos poços artesanais que ainda existem e resistem por toda a capital. Ou seja, prejudicarão, também, o lençol freático de Fortaleza que já não anda mais lá essas coisas todas. Percebem a gravidade dos fatos? 

Tudo isso sem contar, que destruídas e “colonizadas” as dunas, muito mais do que água será perdido. Falo de ecoturismo, refiro-me ao clima mais ameno, aos ventos que serão retidos por conta de arranha-céus a serem construídos em regime de mutirão mesmo, dada à pressa e valorização lucrativa que nosso último verde-puro possui. 

E para arrematar esses escritos, faço-me valer de artigo produzido pelo articulista do SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, que, já em 2010, aventava para a radical exploração das Dunas do Cocó por empreiteiras e construtoras. Mostrando que a guerra ia ser longa e uma das partes – como sempre o lado mais fraco – iria perder e perder feio para os capitalistas que se importam apenas com suas contas bancárias não relevando que suas próprias gerações futuras perderão, e muito, com a destruição das Dunas do Cocó que nada mais são que parte do que resta da Mata Atlântica brasileira. Ele conclui afirmando que Fortaleza precisa de áreas protegidas, de dunas vegetadas, de paisagens para a fruição, contemplação e lazer da população. Confira As dunas de Fortaleza, escrito por Mantovani.

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Túlio Monteiro - escritor, revisor e crítico literário, publica todas as segundas aqui no Evoé! Leia também Literatura com Túlio Monteiro.



Artigo escrito pelo diretor de políticas públicas da Fundação Mario Mantovani: 

As dunas de Fortaleza

2010 é o ano da Biodiversidade. A perda de habitats é a principal causa da extinção de espécies. A criação de unidades de conservação com a participação e envolvimento da população torna-se uma prioridade para alcançar um desenvolvimento sustentável. Fortaleza deu o exemplo protegendo suas dunas remanescentes, mas esta conquista está ameaçada. 

A paisagem de Fortaleza se sobressai pelo belo encontro das dunas, lagoas interdunares, vegetação de restingas com o verde do mar. Esta paisagem, característica da Mata Atlântica, convida ao turismo sustentável, às caminhadas ao entardecer, e é cenário dos passeios noturnos de bicicleta de Fortaleza, contribuindo para a melhoria da qualidade vida. Pouco resta desta paisagem livre de ocupação humana em Fortaleza, nos últimos 30 anos a cidade perdeu mais de 90% de sua área verde. 

A sociedade reconheceu a importância ecológica dos remanescentes de Mata Atlântica para o equilíbrio climático da cidade, valorizou a paisagem e a área por integrarem o sistema da Bacia do rio Cocó. Por ser essencial na mitigação dos impactos e pressões sofridas pelo principal parque de Fortaleza, o Parque do Cocó. O reconhecimento por parte da população do valor ambiental das dunas, ainda remanescentes em Fortaleza, motivou uma mobilização e articulação com repercussões nacionais. A sociedade fez sua parte: blogs, páginas na internet, manifestações nas ruas e mais de três mil assinaturas pleitearam a criação de uma unidade de conservação capaz de proteger e evitar a ocupação desordenada das dunas vegetadas do bairro do Cocó. As dunas são consideradas áreas de preservação permanente protegidas pelo Código Florestal e pela Resolução CONAMA 303/2002, que define duna como unidade geomorfológica de constituição predominante arenosa, com aparência de cômoro ou colina, produzida pela ação dos ventos, situada no litoral ou no interior do continente, podendo estar recoberta, ou não, por vegetação. Portanto, são áreas definidas pela legislação federal e foram definitivamente demarcadas e protegidas com a aprovação da Lei Municipal 9502 em dezembro de 2009, de autoria do vereador e ambientalista João Alfredo, que, sintonizado com os anseios da população, criou a Área de Relevante Interesse Ecológico das Dunas do Cocó. 

Esta luta foi uma vitória de todos os ambientalistas, de toda a sociedade, da cidade de Fortaleza, e de todos os que compreendem a urgência de uma nova sociedade sustentável, uma sociedade tecida com os nós da solidariedade, do compromisso com o futuro e com a qualidade de vida, em que a natureza não pode ser tratada como um mero recurso econômico, mas que deve ser incluída como bem e valor ser protegido e integrado a um projeto de desenvolvimento sustentável. 

Com tristeza e indignação recebemos a notícia que o Presidente do Tribunal de Justiça, em decisão liminar, retirou a eficácia da proteção das dunas, com argumento que a Lei, legitimamente aprovada com apoio de mobilização da população, entra em conflito com o Plano Diretor. Não existe cidade sustentável, objetivo maior do Plano Diretor, sem equilíbrio ambiental, como assistimos nos desastres recentes de Santa Catarina e de Angra dos Reis. A proteção do meio ambiente consiste no caminho para alcançarmos uma sociedade mais justa, equilibrada e com qualidade de vida e a construção de uma cidade sustentável. O dever de criar unidades de conservação encontra fundamento constitucional: “incumbe ao Poder Público: definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção” 

Vamos fazer valer esse dever do estado e direito do cidadão, os ambientalistas questionam judicialmente a decisão. Esperamos que a Justiça abra os olhos para a beleza e para o meio ambiente. Fortaleza precisa de áreas protegidas, de dunas vegetadas, de paisagens para a fruição, contemplação e lazer da população. (https://www.sosma.org.br/1170/as-dunas-de-fortaleza/)

quinta-feira, 4 de maio de 2017

BELCHIOR, PATRIMÔNIO IMATERIAL DO CEARÁ - Kelsen Bravos


Muito bem vinda a notícia de que a Ordem dos Advogados do Brasil no Ceará requereu ao governo do estado o reconhecimento da obra de Belchior (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes) como Patrimônio Imaterial, conforme a Lei Estadual 13.427, pois esse manifesto, oficiado pela Comissão de Direitos Culturais da OAB CE, presidida por Ricardo Bacelar, pode ser um divisor histórico na produção artística, uma vez que chama a atenção para o compromisso e a função da arte no Ceará. Devemos todos, portanto, apoiar essa iniciativa de extrema relevância para a nossa sociedade.

Assinada por Bacelar e Vitor Studart (pesquisador, advogado e membro da comissão da OAB), a proposta para reconhecer a obra de Belchior como Patrimônio Imaterial vai decerto ampliar - tanto vertical como horizontalmente - o conhecimento e a extensão da sua obra e, óbvio, preservá-la às gerações. 

Para além do mercado de consumo
A iniciativa promove vários significados e reflexões. Ela sinaliza aos artistas a responsabilidade de buscarem imprimir consequente qualidade em suas criações, a fim de gerarem expressões para além do imediatismo do mercado de consumo.

Livro(s) de Registro
Esse processo administrativo abre uma discussão importante sobre a Lei 13.472/2003, pois o tombamento como patrimônio imaterial nela previsto institui-se no Livro de Registro que na verdade encapsula seis livros, denominados segundo a natureza da manifestação do bem imaterial tombado. São estes os livros: dos Saberes, das Celebrações, das Formas de Expressão, dos Lugares, dos Guardiões da Memória e dos Mestres da Cultura Tradicional Popular do Estado do Ceará.

Jurisprudência para todas linguagens culturais
Nesse contexto, a grande contribuição da iniciativa da OAB seria a criação de um sétimo livro específico para música cearense, onde, segundo afirma Bacelar, o acervo sonoro de Belchior ganharia o reconhecimento de Patrimônio Imaterial do Ceará. Com certeza, os estudos e debates para a superação dessa fase já representam uma grande contribuição, pois promove diálogos envolvendo artistas, acadêmicos, críticos e pesquisadores em geral. A cultura estaria sempre em pauta e como fato jurídico criaria uma jurisprudência a favor da promoção da inserção de livros de registro para as demais linguagens. 

Critérios de tombamento
Para esclarecer os leigos, entre os quais me incluo, quem estabelece no sentido amplo os critérios de tombamento é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan). Ele define como bem de natureza imaterial as práticas e domínios da vida social manifestadas em saberes, ofícios e modos de fazer, celebrações, formas de expressão cênicas, plásticas ou lúdicas, assim como os locais que abrigam estas manifestações, como mercados, feiras e santuários. A simples leitura dessa informação nos faz visualizar o Cordel.

Cordel e Repente
Há muito os atores do universo Cordel se movimentam. Por aqui, sensibilizaram o Iphan – através da Superintendência do Ceará e o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – CNFCP – e mobilizaram cordelistas, xilogravadores, repentistas, folheteiros, editores, pesquisadores e demais interessados para se unirem em favor do registro da Literatura de Cordel e do Repente como Patrimônio Imaterial.

Manifesto na XII Bienal Internacional do Livro do Ceará
Não foi à toa, portanto, que Klévisson Viana, premiado poeta cordelista, coordenador da Praça do Cordel da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará (14 a 23/04/2017), durante esse evento, entregou a Fabiano dos Santos Piúba, secretário da Cultura do Ceará, um documento amplo subscrito por uma multidão reivindicando o registro. O cordel e o Repente vão conseguir seu intento sem precisar abrir um segmento no Livro de Registro, como é o caso ora reivindicado para a música, que, reitero, se efetivada, amplia de modo positivo a questão para as demais linguagens.

Ampliação - vale o diálogo
Na Literatura, por exemplo, como seria possível a inclusão de obras como patrimônio imaterial? Lembro que, há quase duas décadas, Lira Neto, então editor das Edições Demócrito Rocha, propôs e lançou a coleção Clássicos Cearenses. A ideia original era publicar obras seminais da Cultura do Ceará há pelo menos vinte anos sem reedição. Ressaltemos aqui certa distância conceitual entre o que seria clássico e o que seria patrimônio imaterial. Há interseção nesses conceitos e muita exclusão também. É uma questão profunda. Deixando, por enquanto, essa profundidade de lado, quais seriam as demais questões as serem levantadas para enquadrar uma obra literária como patrimônio imaterial? A pergunta cabe também para as demais linguagens. Vale muito dialogar sobre. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

No mundo inteiro, só no Ceará tem: Irmãos Aniceto e Orquestra Eleazar de Carvalho



Da natureza e da cultura em cenário
com os Aniceto a Eleazar de Carvalho
faz a festa da gente em orquestra

Sem esta de heróis de gesta!

Da natureza e da cultura da roça, a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto a festa da gente anima e adoça. É poesia cotidiana, do alvorecer até o clarão a noite esconder. Do dia a dia, cantos-contos do afazer: festas, novenas, reisados, bumbas-meu-boi, caretas, folguedos folgados, baiões de trancelim trançados. É sol, é lua, é seca, chuva grande e orvalho. Bichos de todas as horas do dia e da escuridão, abelha-marimbondo, coruja-caboré, gavião, dança de facas e facões e o fuá de Severino Brabo - o valentão. Sem esta de heróis de gesta. Nossa grandeza e divindade estão na firme dignidade de nossa vida modesta! Irmãos Aniceto são expressão daqui. Coisa de índio - Nação Cariri. Em todo o mundo, par não há. É arte universal, porque é e sempre será Siriará! (Kelsen Bravos)


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Conversando.com - na Livraria Feira do Livro

No dia 25 de abril de 2013, o Quintal Literário, projeto aprovado no edital PROCULTURA para Programação Cultural de Livrarias, recebeu no aconchegante espaço do quintal da Livraria Feira do Livro, no bairro Montese, o ilustre Professor e vereador de Fortaleza pelo PCdoB, Evaldo LimaO encontro, em meio às comemorações dos 287 anos da capital cearense, teve por tema Fortaleza: sua história, sua gente e foi mediado por Kelsen Bravos que, como sempre, transformou o formal em conversa agradável e descontraída, típico de bate-papo entre amigos.





Fonte: http://www.livrariafeiradolivro.com.br/

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Bora pra "1ª Mostra Bora! Ceará Cultural Criativo"?


Razões para ir há de sobra ao Passeio Público; mas duas são bastantes. A primeira delas o alto nível da programação de três domingos a contar do dia 25/11, que envolve 15 atrações individuais ou de grupos. Todas elas de Fortaleza sempre iniciando às 14h.  A segunda é ter à frente o Alan Mendonça, compositor, produtor cultural e pessoa das mais bacanas, criteriosíssimo em tudo que faz.
A intenção da 1ª Mostra Bora! Ceará Autoral Criativo é, segundo informa Alan Mendonça,  "levar o que há de mais representativo da nossa música autoral contemporânea para o povo em muito desacostumado a ir até os lugares oficiais desta música. Seguindo a máxima 'se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé', retomamos a praça e cantamos pro povo". 
Para efetivar sua intenção Mendonça inscreveu seu projeto no III Edital de Concurso Público / Prêmio de Música na Cidade de Fortaleza 2010, da Prefeitura Municipal de Fortaleza, publicado pela Secretaria de Cultura. Pronto, foi contemplado e agora apresenta cinco pockets shows a cada domingo. Fazem os mini-shows Edinho Vilas Boas, Jefferson Portela, Jânio Florêncio, Marco Leonel Fukuda, Renegados, Daniel Sombra, Simone Sousa, Aparecida Silvino, Fulô da Aurora, Felipe Breier, Lídia Maria, Joyce Custódio, Osvaldo Zarco, Argonautas e Davi Silvino.
            A realização do evento fica por conta da Radiadora Cultural e do Instituto Bora! Ceará Autoral Criativo. A coordenação geral de produção da Mostra Bora! Ceará Autoral Criativo, claro, é do compositor e produtor cultural Alan Mendonça.

Confira como serão os shows de cada domigo:
25/11
2/12
9/12
Marco L. Fukuda
Joyce Custódio
Osvaldo Zarco
Lídia Maria
Simone Sousa
Argonautas
Daniel Sombra
Jânio Florêncio
Jefferson Portela
Edinho Vilas Boas
Felipe Breier
Aparecida Silvino
Davi Silvino
Fulô da Aurora
Renegados

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Paulo Linhares assumirá Dragão

O ex-secretário de cultura Paulo Linhares, criador do Dragão do Mar, vai assumir o Instituto de Arte e Cultura do Ceará (IACC). A informação foi confirmada na noite desse quarta-feira (18) por fontes do Governo.
O Instituto, uma Organização Social, é responsável ... (leia mais)

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Fortaleza sedia I Feira Brasileira do Cordel





A Literatura de Cordel está com a corda toda. Gênero literário surgido no Nordeste, o Cordel teve em Leandro Gomes de Barros (1865-1918), paraibano de Pombal, seu primeiro grande difusor e seu criador mais ilustre. Autor de clássicos que se imortalizaram em mais de um século, a exemplo de Juvenal e o Dragão, O Cachorro dos Mortos e A Donzela Teodora, Leandro é a referência maior da atual geração de cordelistas, na qual brilham nomes como o de Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana e Marco Haurélio.

É justamente Klévisson Viana, cearense de Quixeramobim, poeta popular, editor e ilustrador, o idealizador da I Feira Brasileira de Cordel, que terá como palco o Centro Cultural Dragão do Mar, um 
dos mais respeitáveis espaços culturais de Fortaleza. Entre os dias 17 e 19 de julho, a capital cearense receberá alguns dos mais representativos criadores da poesia popular, entre os quais os baianos Bule-Bule e Marco Haurélio, os paraibanos Chico Pedrosa e Chico Salles, o carioca Fábio Sombra e o pernambucano Marcelo Soares. O Ceará estará muito bem representado nas vozes dos consagrados repentistas Geraldo Amâncio e Zé Maria de Fortaleza, além de rodas de declamação com Paulo de Tarso, Rouxinol do Rinaré, Francisco Melchíades, Lucarocas, Arievaldo Viana, Evaristo Geraldo e o curador do evento, Klévisson Viana.

A primeira edição da feira homenageará os cem anos de nascimento de Joaquim Batista de Sena, um dos maiores cordelistas de todos os tempos  e estarão expostos à venda folhetos e livros de várias editoras, como Tupynanquim, Nova Alexandria, Luzeiro, Conhecimento, Hedra, Coqueiro, além das entidades apoiadoras, como a ABC (Academia Brasileira de Cordel), CECORDEL (Centro de Cordelistas do Nordeste) e ILGB (Instituto Leandro Gomes de Barros).
A realização do evento se tornou possível a partir da seleção do projeto da AESTROFE (Associação de Trovadores, Folheteiros e Escritores do Ceará) pelo Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel, no ano de 2010.

SERVIÇO:
I FEIRA BRASILEIRA DO CORDEL
Data: 17, 18 e 19 de julho
Horário: Das 16h às 21h30
Local: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Informações: 3217-2891 | 9675-1099
aestrofe@gmail.com

54º Fórum Cearense de Teatro


sexta-feira, 18 de maio de 2012

Arena Castelão - Copa 2014



A Arena Castelão Operadora de Estádio S/A, criada em dezembro de 2010, é uma sociedade de propósito específico com o objetivo de reformar de adequar, construir, manter e operar, as estruturas da Arena Castelão até o ano de 2018, com a pretensão de garantir a Melhor Arena da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014™, com destaque na prestação de serviços e desenvolvimento da Arena Multiuso. Para ver mais clique em Arena Castelão .

Porque sozinho ninguém administra estado ou município


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Seminário para elaboração do Plano Municipal de Cultura



Programação:

* 14/05 (segunda):

- 14h: Apresentação da proposta de metodologia para elaboração do Plano de Cultura;

- 16h: Apresentação do plano de ação para conclusão da I Etapa de elaboração do Plano de Cultura
de Fortaleza;* 15/05 (terça):

- 14h: Processo de colaboração à elaboração dos Sistemas Municipais de Cultura (MINC /
Nordeste);

- 15h: Definição dos Grupos e da sistemática de trabalho;

- 16h: Apresentação da proposta de questionários para realização dos diagnósticos das linguagens e
setores;

- Definição de ferramenta metodológica para diagnósticos culturais dos territórios.

Local: Teatro Antonieta Noronha (SECULTFOR), Rua Pereira Filgueiras Nº 04, Centro.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Greve, acefalia e intervenção

1. A greve

A Polícia Civil entra em greve geral pela segunda vez em menos de um mês, após uma série de quatro paralisações de agosto até hoje. A primeira deu em nada. São legítimas as suas reivindicações. A primal greve deu em nada porque, diferente da Polícia Militar, o trabalho da Polícia Civil é silencioso, investigativo, secreto. Por essência discretíssima, quanto menos notado o trabalho mais eficaz, portanto, será. E se não é visto assim tão ostensivamente, não conta com o clamor da população. Daí não ter tanta exposição quanto as greves de bancários, comerciários, motoristas, cobradores e, agora, policiais militares. Talvez por isso esteja sendo tão negligenciada a negociação, mas esta é uma terrível opção. Com a polícia civil parada sua antagonista, a corrupção, que também é silente, secreta e ramificada, vai tomar conta de tudo. Só corruptos se beneficiam com essa situação.


2. A acefalia

Por cá, só quem rompeu a discrição do trabalho da Polícia Civil foi um tal secretário de nome Moroni, que adotava o estilo de enfrentar pessoalmente os criminosos, indo prendê-los nos lares onde se abrigavam (mas antes mobilizava toda a mídia, e comprovava se o cenário estava seguro). Fez fama a custa do risco alheio. A intenção dessa quebra de critério todos constataram depois, ele virou vice-governador e, em seguida, deputado federal, oportunidade em que votou em causa própria e conseguiu uma aposentadoria bem vantajosa. Mas a maioria do povo cearense não é besta e o tirou de cena. Feito praga sazonal, entretanto, a cada dois anos ele reaparece nas eleições. Agora está de volta e se diz de novo candidato. É bem capaz de adotar um discurso em favor do funcionalismo público para, quem sabe, ocupar essa vacância causada pela acefalia de líderes políticos no Ceará; todavia, felizmente!, ele não tem perfil de líder, pois é um autoritário. Um poder sob seu comando descambaria para o sensacionalismo de uma ditadurazinha corrupta (desculpem-me a redundância). Deus nos livre desse diabo, que já fez escola inclusive na mídia.


3. A acefalia 2
A Polícia Civil está em greve, pela segunda vez em menos de um mês. É bem capaz de dar em nada de novo, pois o trabalho discreto desses profissionais não dói no bolso do comércio tão imediatamente. Sem eles a corrupção come solta, o regime das aparências impera. A arrogância, sabemos todos, é a diplomacia do estado corrupto. E o cenário está propício a isso, pois o governo se declara sem a menor capacidade de gerenciar essa crise e, ao se eximir de sua responsabilidade, entrega ao governo federal as decisões da segurança no estado.

4. A intervenção acéfala

O comando interventor troca os pés pelas mãos e trata profissionais sérios como bandidos. Soldados inexperientes, armados até os dentes, fizeram cerco à concentração dos grevistas e só não aconteceu uma calamidade, graças à ação da assessoria jurídica do SINPOCI e a presença da mídia. O coronel da força interventora  imediatamente foi ao local e se desculpou e explicou que não dera nenhuma ordem para que se fizesse aquele cerco. De onde partiu então a ordem? Se não foi do comandante foi de quem? Esse comando está acéfalo?




5. O interventor
Quem está no comando da força interventora é o general de divisão Geraldo Gomes de Mattos Filho. Um linha-dura cria do excelso general Newton Cruz. Cruz-credo, esconjuro. Está explicado o excesso registrado no tópico anterior. A que ponto nós chegamos. Sem mais comentários.

6. Postura da Polícia Civil
A Polícia Civil é a mais atuante das polícias no setor de inteligência investigativa (ressalte-se o recorde de apreensão de drogas alcançado no ano de 2010). Inteligência é a palavra-chave. E tem sido ordeira, a postura dos políciais civis e dos comandantes de greve. Vi, todavia, alguns manisfestantes movidos pela santa ira batendo boca e, num bom cearês, "chamando pros paus" o delegado geral da Polícia Civil do Ceará. No meio da confusão, uma voz feminina se alevanta e diz: "Gente, não precisa disso, não vamos perder a razão." Tem razão, não é assim que se conquista apoio a uma, repito, causa mais que legítima.


7. Uma reflexão
Lamentável que uma gestão histórica como a que faz o engenheiro Cid Gomes desmorone numa situação de impasse de negociação, pior do que isso, pela falta de diálogo sincero com o funcionalismo público em seguidas greves, a dos professores (uma lástima), a dos policiais militares e bombeiros (caótica) e a, por enquanto, tensa da Polícia Civil. Um governador de visão estratégica primorosa, um gestor eficaz que tanto bem vem fazendo ao Ceará, muitos dos quais o futuro agradecerá bem mais do que nós, um homem, portanto, de visão de futuro, não pode fraquejar naquilo que mais valoriza um político, ou seja, no trato com aqueles a quem deve satisfação, os eleitores. Estamos todos na expectativa de um, pelo menos um pronunciamento respeitoso à população e aos funcionários públicos de todo o estado. Que faça isso e retome o poder geral das decisões de sua gestão, antes que perca o respeito até de seus mais fiéis eleitores.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

E para o professor ó...

Em cinco dias a polícia conquista a maioria de suas reivindicações. A PM em greve causa para a sociedade a mesma consequência das greves dos bancários, comerciários, motoristas e cobradores, a economia do comércio estagna. Bem diferente das consequências das greves dos professores, porque esses não fazemos "falta" alguma para sociedade movida pela força da grana que compra votos. Os professores despertamos consciências críticas. 

Daí 62 dias parados, gente fazendo greve de fome, não ter dado em nada. Parlamentares falaram; mas contemporizando a favor do governo. Este ironiza e manda os profissionais trabalharem por amor. A liderança sindical, fraca, treme na base e se ajoelha às imposições do governo. A polícia espanca professores a mando do presidente da Assembleia Legislativa, a tal Casa do Povo. E NENHUM parlamentar se envergonha disso. A mídia e jornalistas, a maioria se omitiu covardemente. 

A educação não move (de imediato) a economia. Mas os professores têm grande poder de voto. Talvez este seja o maior trunfo da Educação. Precisamos saber usar mais o voto a nosso favor. A começar mudando o comando sindical, que é fraco.



Alguns argumentam ser necessário os políticos porem seus filhos e parentes para estudar na escola pública, que talvez isso resolva o problema. Discordo. Precisamos é tirar políticos elitistas das casas do povo: câmara de vereadores, assembleias legislativas, câmara de deputados, senado federal (congresso nacional). Fizemos isso com o poder executivo nacional elegendo Lula e olha só no que deu, a vida da maioria melhorou muito!

Comecemos listando todos que votaram contra os professores. Lembro que a Câmara Municipal de Fortaleza jogou pimenta nos olhos dos professores! E estamos em ano de eleição. Os profissionais da Educação precisamos mostrar nossa força. A hora é agora.