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sábado, 18 de fevereiro de 2017

CARTA AOS QUE FAZEM OS COLETIVOS DE JUVENTUDE E ARTE DA CIDADE! - Fabiano dos Sntos Piúba*

Ontem, 17 de fevereiro de 2017, numa manhã chuvosa de sábado, tivemos uma roda de escuta/conversa da Secult com coletivos de juventude e de cultura. Foi tenso e intenso. Forte e vibrante. Contente e potente como é a juventude que faz acontecer a arte nas veias e vielas das periferias de Fortaleza. O encontro iniciou com uma intervenção artística muito impactante sobre a dura realidade da vida desses jovens com suas atividades culturais nas comunidades onde moram e atuam. Munidos de raiva mesclada com muito amor, apresentaram para a Secult uma pauta de ação cultural no sentido de potencializar o que eles já realizam independente e apesar do estado. Saímos arrebatados do Teatro Carlos Câmaras com uma agenda conjunta. O encontro foi uma espécie de “Se intera, Secult!” Agora estamos com uma responsa de rochedo e não podemos falhar. Na noite anterior escrevi uma carta para a moçada. Mas, depois de ontem, outra já está burilando na minha cabeça. Por hora, compartilho a primeira Carta:

CARTA AOS QUE FAZEM OS COLETIVOS DE JUVENTUDE E ARTE DA CIDADE
Fortaleza, 17 de fevereiro de 2018
Teatro Carlos Câmara, Roda de escuta/conversa da Secult com os coletivos

Caros e caras amigos e amigas dos coletivos de juventude, arte, cultura e saraus da cidade.

Existe uma topografia poética que está sendo descrita na superfície das periferias da Grande Fortaleza. Uma topografia visível e invisível, dizível e indizível. É preciso mais que olhos para enxergar seu relevo. Um caminho possível é por meio da experiência. Somente se enveredando nas entrelinhas e bifurcações da cidade é que podemos perceber essa topografia poética. São meninos e meninas dos coletivos de juventude e cultura das periferias que estão escrevendo golpe a golpe, verso a verso, palmilhando essa topografia com seus corpos vibrantes e espíritos livres que existem e resistem, que vivem e sobrevivem, que passam e transpassam por entre os tiros e homicídios que rasgam a cidade.

Vocês resistem com poesia, no sentido de que poesia é transformar uma coisa em outra. Os coletivos vêm tentando transformar suas realidades entre o medo da morte e a esperança da vida, acreditando na força das palavras e das artes como se elas fossem coletes à prova de balas. São frágeis e vulneráveis ao tempo que fortes e vigorosos, num paradoxo desconcertante e uma potência encantadora. Jovens que acreditam na arte porque, de alguma forma, ela mudou suas vidas e maneiras de ver, ser e estar no mundo. Ou, como dizem alguns de vocês: a arte nos salvou. Pode até ser que a arte possa salvar alguém. Gosto de pensar que ela nos expande. Ferreira Gullar escreveu que “a arte existe porque a vida só não basta”. Pois é, a vida só não basta, a educação só não basta, a assistência social só não basta, a segurança pública só não basta. Colocamos arte e a cultura nesse caldo ou estamos perdidos. E a barra está pesada. Ouvindo alguns de vocês, percebemos uma consciência que estamos numa luta quase perdida. Mas essa consciência é seguida por uma outra mais forte. É preciso resistir e converter a ordem. Chamou-nos atenção também o fato dessa resistência ser guarnecida de afeto, ternura e amor. Tem a batalha, tem o corre, tem a luta, tem a guerra, mas vocês resistem com ternura, afeto e amor. Ouvimos do Alécio D’leste do Coletivo Natora uma coisa que ilustra bem esse sentimento: “Ser integrante de um coletivo de juventude é ter um cuidado, uma prevenção de vidas através do afeto”.

Os saraus e rolés, talvez, sejam as traduções com maior relevo dessa topografia poética. A rapaziada canta rimas, colore muros e declama seus próprios poemas escritos sobre a realidade que mora dentro de suas almas e ao redor de seus corpos juvenis. E não é somente a tal realidade nua e crua. Esses jovens estão guarnecidos de metáforas e de versos potentes, afiados como pontas de lápis, afinados como guitarras e redondos como vinis rodando no prato da picape, traduzindo com literatura, música e cor uma realidade escancarada em suas ruas e portas. Muitas vezes, o andamento de seus versos lembram o ritmo alucinante de tiroteios, um cortejo cadente do maracatu, uma rima de rap e repente ou um suingue de reggae. Noutras, o silêncio depois de um corpo abatido ou o compasso de um pássaro feito de nuvens atravessando o poente na Praia de Iracema, atraindo nosso olhar para o lado oposto da avenida Beira-Mar.

No contrafluxo da sedução e cooptação por parte das tais facções, vocês realizam saraus literários e musicais por entre vielas, becos, praças – quando estas existem – e nos próprios espaços que chamam de nárnias – suas sedes que são lugares distintos e encantados. Leem livros, capturam textos na internet e declamam seus poemas e canções – como pães saídos da fornalha – escritos em folhas avulsas, em telas de celulares ou ditas no calor da hora porque já sabem de cor o corre do texto. Com as cordas da memória e do coração.

Mas o fato é que agora essa meninada está também ameaçada. Seus saraus e poesias não são vistos com bons olhos pelo crime organizado nem pela polícia. Em uma reunião com os coletivos que compõem o projeto É o Gera de ocupação cultural do Teatro Carlos Câmara, ouvimos Gabriela Savir do Ocupa Cajueiro dizer: “Tivemos que nos recolher e isso está destruindo a gente por dentro”. Ou de Roni, do mesmo Coletivo, “o trabalho está despedaçado, quebrado”.Depois numas mensagens recentes com Alécio D’leste ele nos escreveu: “Estamos cansados, mas resistimos e existimos, acreditamos na arte”. Diante disso, o que podemos fazer enquanto cidadãos? O que podemos realizar como política pública?

A cidade já não se faz com olhares do centro para periferia, da Aldeota para o Jangurussu, da Praia de Iracema para o Bom Jardim, das Academias para as Ruas. Os olhares higienistas, colonizadores e reguladores nunca couberam e jamais caberão. Existe uma dinâmica própria orgânica, criativa, produtiva e pensante nas periferias que os modelos e parâmetros iluministas já não dão conta sozinhos. Aliás, nunca deram.

Ninguém vê o pôr do sol olhando para a Aldeota. Para contemplá-lo temos que mirar pro lado do Pirambu e, depois dele, a Barra do Ceará, espraiando nossos olhos numa geografia que se estende para além da cidade vertical, girando e girando em 360 graus por Antônio Bezerra, Grande Bom Jardim, Jangurussu, Grande Messejana, Edson Queiroz, Vicente Pinzon, Poço da Draga, Oitão e tudo que há entre eles. A cidade que nos interessa e nos toca é a periferia. Ver e sentir essa topografia poética implica em mirar outras margens. Como disse certa vez o professor André Haguette, “temos que nos aproximar da periferia por questões éticas e não por medo”.

Retirando do contexto em que foi dita – numa plateia sensível de classe média com elevado poder aquisitivo – provocaria a frase do professor dizendo: temos que vivenciar a periferia por questões éticas e estéticas e não pelo medo de uma cidade apavorada. Fortaleza não é uma cidade violenta. Fortaleza está sendo uma cidade violentada. Portanto, não se trata apenas de uma aproximação ou relacionamento. No âmbito da política pública, a juventude da periferia tem que ser parte central de sua construção e não meros beneficiários. Como nos disse Alécio, “não é ser só assistido, é ser parte da política pública com a participação da periferia dentro da decisão”.

Então, o que podemos propiciar como política pública de cultura? Que os jovens da periferia construam conosco, que sejam parte central dessa construção. Existe um mantra na Secult em que afirmamos que política pública não se conjuga na primeira pessoa, ela é uma construção social e coletiva. Mas esse mantra não pode ser compreendido como algo dado. Ele só se faz no exercício pleno e cotidiano de democracia. Fora disso é só um discurso vazio. Acreditamos que estamos aqui exercitando a democracia.

Não temos receitas nem modelos totalizantes. Não temos um edital pronto e, talvez, esse instrumento não seja suficiente nem dará por sim conta desse contexto. A verdade é que estamos um tanto atordoados com todo esse contexto social complexo de difícil compreensão para definição de ações no sentido de transformar e qualificar essa realidade com políticas públicas democráticas e acertadas. Tampouco temos a ilusão de que ações artísticas e culturais isoladas serão a salvação. Sabemos também que sem ações integradas e políticas intersetoriais não se chega ao longe, embora tenhamos a convicção de que segurança pública sem cultura é só violência, assim como educação sem cultura é só adestramento e assistência social sem cultura é só assistencialismo.

Como estávamos dizendo, não temos receitas e, tampouco somos iluministas que trarão “luzes” para as “trevas” com projetos mirabolantes e salvadores. As luzes são vocês, jovens das periferias com seus coletivos e saraus que fazem acontecer independente e apesar do Estado. Estamos hoje aqui para ouvir, ou melhor, escutar. Parar para escutar. Parar para sentir. Parar para conversar. Parar para pensar caminhos possíveis. O nome disso é experiência, pois exige um percurso e uma travessia. De como podemos reconhecer, potencializar e dar dignidade às iniciativas, projetos e ações orgânicas dos coletivos de juventude e de cultura que estão sentido, pensando, pulsando, escrevendo, cantando, dançando, desenhando uma topografia poética de alto-relevo social, cultural e humano pelas quebradas da cidade. E, a essa topografia, não cabe nenhum tipo de regulamentação. Nossa desejo e meta é chegarmos a um tempo e afirmação de que o precisamos é de menos polícia e mais poesia.

A cultura e a arte são caminhos possíveis de humanização e de reinvenção de mundos. Gosto muito dessa imagem: a arte como um caminho possível. Parece-nos que é isso que os coletivos de juventude estão fazendo com essa topografia poética que vem sendo escrita nas periferias da cidade, longe das pautas dos programas violentos da televisão, dos noticiários de horários nobres das rádios, TVs e jornais, longe da percepção do poder público. Mas vocês estão aqui e estão lá, estão ali e acolá, golpe a golpe, verso a verso, contrapondo o “tempo de violência” com “tempos de cultura”** com toda a vibração de seus corpos e espíritos de jovens livres, libertários, guerreiros, afetuosos e amorosos.

Que nós da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) possamos escutar, conversar, aprender, confabular, experienciar e compartilhar essa topografia poética no sentido de construirmos uma política cultural para juventude, compreendo o direito à cultura como fator indispensável de humanização e o direito à cidade como o direito de reinventá-la. A partir daqui, vamos juntos construir ações concretas para potencializar as existências e resistências dos coletivos e saraus e de como dialogamos com as outras políticas públicas. Para nós da Secult, hoje é um dia de muita força e potência. Como nos contou Monique Souza, essa nossa roda de escuta/conversa “será um momento caloroso, mas é do caos que nascem as estrelas”. Nossos ouvidos e olhos, nossos mentes e corações estão abertos e atentos. Caminhemos, pois já escreveu o poeta espanhol Antonio Machado, “Caminhante não há caminho / se faz o caminho ao andar / golpe a golpe, verso a verso”.

Abraços ternos e calorosos,

Fabiano dos Santos Piúba


_________________________

*Fabiano dos Santos Piúba - é doutor em educação, poeta, compositor e secretário da Cultura do Ceará. A carta aos que fazem os Coletivos da Juventude e Arte da Cidade, foi publicada originalmente no perfil do FaceBook de Fabiano dos Santos Piúba.


** A expressão “tempo de cultura versus tempo de violência” foi dita por Eudoro Santana e tem servido de mote para pensarmos as políticas culturais no meio desse contexto social em que estamos envolvidos.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Gestão da Cultura do Ceará pulsa razão-emoção amalgamadas!

Reproduzo aqui, à revelia dele, uma postagem de Fabiano dos Santos Piúba no FaceBook, em 15 de novembro de 2016. Vocês, ao ler, hão de saber por quê.


CENA CASARÃO E OUTROS MICRORGANISMOS CULTURAIS ATOMIZADOS NA CIDADE


A lua mais linda de ontem em Fortaleza foi a abertura de um novo lugar na cidade: Cena Casarão - um teatro de grupos que reúne Pavilhão da Magnólia, Grupo Expressões Humanas, Teatro de Caretas Caretas e Cia. Prisma de Artes. A casa é composta por ambientes diversos e, além das exposições que narram um pouco das histórias de cada grupo, fomos brindados com quatro apresentações magníficas: Yemonja a princesa negra com Edvaldo Batista, Clitemnestra com Juliana Veras, Devoração com Cia Da Arte Andanças e Intervenção com Silvia Moura. Ainda rolou uma festa no final.

Voltei pra casa tecendo em minha cabeça uma teia sobre a importância desses lugares e desses grupos na cidade, sobre a importância das pessoas que estavam lá. Cada uma delas. Quem foi para apresentar suas dramaturgias cênicas e quem foi para fruí-las. Quem foi porque estava de bobeira na véspera de um feriado de meio de semana e quem foi porque tinha consciência de que algum acontecimento na cidade estava começando ali, naquele lugar da Rua Floriano Peixoto, 1437 numa noite de lua grande.

Precisamos mobilizar as pessoas e animar as cidades. Animá-las no sentido de alma mesmo – ânima – e de espírito. E quem insufla as almas e espíritos de uma cidade? Respondo: as artes e a cultura com seus saberes, estéticas e experiências. Sem alma não há habitantes. Precisamos habitar de almas nossos habitantes com repertórios e percursos culturais. Arrepiar as pessoas por entre as veredas da cidade! E foi exatamente isso que senti na noite de ontem na Cena Casarão.

Desde a entrada com a narrativa e tambores da princesa Yemonja, passando pela Clitemnestra na voz e corpo rubro de Juliana Veras até ser completamente tomado pelo Devoração no grito de Wellington Gadelha, pelos passos arrodeados e olhar impávido de Samia Bittencourt, na respiração de corpo corrente de Aspásia Marianasob os olhares ternos de Andréa Bardawil. Arrepios capazes de mobilizar as pessoas e animar as cidades através das artes. Travessia. Porque, em primeira análise estamos falando mesmo é do direito à cidade como o direito de reinventá-la em outra cidade. Mais humanista e solidária. De reinventá-la por meio de movimentos de afetos, mas também de bravuras; de experiências de delicadezas, mas também de forças; de mobilidades de existências, mas também de resistências; de fluxos espontâneos, mas também de sustentabilidades. Dinâmicas necessárias para construção de novos convívios sociais e de novas zonas de contatos e tatos culturais que só as artes permitem movimentar em prol de uma cidade com convivências mais justas e bonitas.

Saí da Cena Casarão com essas tessituras em minha cabeça e quis compartilhar essas palavras e coisas. Pensando de como esses lugares-movimentos são de uma relevância orgânica no sentido de garantir a construção do direito de reinventar nossa cidade por meio de travessias artística-culturais potentes e mobilizadoras. Não estamos falando aqui exatamente de novidades, mas de reafirmação solidária e transformadora em rede com outros espaços e grupos de Fortaleza e do interior do Ceará em conexões com o mundo. Estamos conversando sobre redes e parcerias. A cultura, como disse Gilberto Gil é no mínimo dois, é no mínimo par. Por isso gosto de pensá-la como um direito humano e como solidariedade. Como um saber/fazer comum que roda como uma ciranda de mão em mãos, portanto um saber da experiência solidário. Parece-me que a Cena Casarão não é uma casa solitária e sim solidária, cujo mínimo é dois. Os eus e os outros que coabitam em nós e nas cidades.

Por fim e em última análise, o que estava querendo dizer desde o início – depois de uma conversa breve de calçada com Ivan Ferraro e Paulo Victor Gomes Feitosa que se prolongou em meu juízo – é que voltei pra casa na Maraponga pensando na Microfísica do Poder de Michel Foucault. De forma muita rasa, para Foucault o poder não se manifesta de uma única maneira nem tem uma única fonte. Muito pelo contrário, ele tem uma vasta e extensa gama de formas e discursos. Mas, muito além da noção do poder, fiquei imaginando nesse momento na ideia da microfísica, nas energias das pequenas partículas. Aí fui tomado por substantivos compostos do tipo micro-práticas, micro-feixes, micro-relações, micro-cruzamentos, micro-malhas, micro-redes, micro-teias, micro-zonas culturais que podemos gerar numa espécie de cultura bacteriana de artes que pode tomar conta das cidades. Microrganismos que para serem vistos não necessitam exatamente de microscópios privados ou estatais, mas, talvez, de caleidoscópios que podem gerar combinações a partir de luzes e olhares diversos numa cartografia poética da cidade.

A Cena Casarão, assim como vários outros espaços – a exemplo do Teatro das Marias, Grupo Garajal, Galpão da Cena, Lona da Maria, Casa de Teatro Dona Zefinha, Arte Jucá de Arneiróz, Cia Teatral Acontece, Nóis de Teatro... – são lugares-movimentos que atuam como microrganismos culturais e criativos, portanto, sociais e econômicos. Talvez, nos tempos sombrios de hoje, os mais potentes e necessários ambientes, capazes de atomizar e “bacterizar” a cidade dada pelo macro-poder, gerando novos sentidos e significados para outra cidade possível. E antes que perguntem, também estou falando de políticas públicas o tempo todo, desde as primeiras palavras deste artigo: A lua mais linda de ontem em Fortaleza foi a abertura de um novo lugar na cidade: Cena Casarão.

Por Fabiano dos Santos Piúba

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Por uma Fortaleza de leitores

Fabiano dos Santos 
A leitura é um ato criativo de construção de sentidos que conjuga individualidade e pluralidade. Mas ler é também uma prática cultural e social de atribuição de sentidos e significados. Nesta perspectiva, podemos afirmar que ler não é um consumo passivo, senão uma forma de participação e de construção de sua própria história e de sua sociedade. Aliás, Paulo Freire já nos ensinou há muito tempo que aprendemos a ler para podermos escrever nossa própria história. Daí que os atos de ler e escrever são práticas de liberdade. Este é o sentido da prática de ler e de reler o mundo. Sendo assim, a leitura e a escrita são antes de tudo uma interpretação do mundo em que se vive e uma possibilidade de lançarmos palavras sobre este mundo, para que possamos falar, interpretar e escrever sobre ele. Ler e escrever nesta perspectiva são também libertar-se. 
Por que estou começando assim esta nossa conversa? (Fonte: Jornal O Povo)

sábado, 7 de julho de 2012

Cultura em Debate: A questão da SECULT-CE 3


Mais uma opinião sobre a Questão da Cultura no Ceará. Desta feita uma opinião de peso internacional. Fabiano dos Santos Piúba responde pela direção de Leitura, Escrita e Bibliotecas do Cerlalc-Unesco - Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe, com sede em Bogotá, Colômbia. Além disso, Fabiano dedicou muitos anos à gestão da Cultura na SECULT-CE, quando nos legou, entre outros brilhantes projetos, o revolucionário Programa Agentes de Leitura, tão bom que virou um projeto nacional, quando Piúba foi convidado para assumir uma cadeira no Ministério da Cultura para tanto, e o programa Agentes de Leitura já é reconhecido internacionalmente, assim como o seu autor. O texto a seguir foi publicado no Jornal OPOVO.

Fabiano dos Santos
ESPECIAL PARA O POVO
Fabiano dos Santos

Tínhamos boas notícias de quando o governador Cid Gomes era prefeito de Sobral e Clodoveu Arruda seu secretário de cultura. Uma política cultural se fazia na cidade, sobretudo voltada para a criação e qualificação dos equipamentos públicos. As construções de uma biblioteca e de um museu nas margens do Rio Acaraú viraram símbolo de sua gestão. Talvez, venha daí a expectativa criada pelo setor cultural e as suas mais variadas linguagens e vertentes, quando Cid Gomes assumiu o governo em 2007. Mas até aqui, o resultado em torno da política cultural para o estado tem ficado muito abaixo das expectativas. Não vou falar da gestão no campo da cultura nos seus primeiros quatro anos. Isso valeria um ensaio à parte. O fato é que desde então, o Estado carece de uma política pública para essa área. Não existe com clareza um plano nem uma agenda estratégica com programas, metas, investimentos, diagnósticos e avaliação de resultados definidos. Afinal, o que esperam o governador e a sociedade cearense como resultados e impactos no campo da cultura depois de oitos anos de governo?

Ao contrário do que aconteceu no primeiro mandato, onde os criadores, produtores e mediadores culturais permaneceram apáticos e sem qualquer coragem de fazer as críticas necessárias à Secult (dentre elas o controle descabido em torno do FEC), dessa vez se mobilizam em torno dessa agenda tão estratégica para o desenvolvimento do estado. Pois cultura é sinônimo de desenvolvimento sim. Cultura é capital social e uma política construída nessa perspectiva implica em impactos diretos nos indicadores de desenvolvimento humano e de inclusão social. Daí a importância

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Mais de mil maneiras de despertar o interesse e o gosto pelo livro e a leitura"


O diretor do Livro, Leitura e Literatura, do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos, ressalta que há milhares de projetos de pessoas e de instituições que atuam na democratização do acesso ao livro no Brasil. Exemplo disso são as bibliotecas comunitárias nas periferias das grandes cidades, projetos em comunidades rurais, ribeirinhas, quilombolas, indígenas por meio de ações criativas como clube de leitura, biblioteca volante e barco leitura.
Além disso, os mediadores da leitura trazem o universo do livro para a vida dos brasileiros jovens, adultos e idosos. “Existem mais de mil e uma maneiras de despertar o interesse e o gosto pelo livro e leitura. Essas iniciativas conseguem chegar de uma maneira mais dinâmica e interativa na vida das pessoas”, argumenta Fabiano. Leia mais...



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Notícias do Ministério da Cultura

O diretor do Livro, Leitura e Literatura da Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura, Fabiano dos Santos Piúba, coordenou os trabalhos de Fortaleza por meio de uma videoconferência. Ele apresentou a evolução do marco legal na área, como a criação do Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) em 2006, e destacou as políticas do MinC para o fortalecimento do setor como as propostas de criação do Fundo Pró-Leitura e do Instituto Nacional do Livro, Leitura e Literatura. Leia mais

Fonte: http://www.cultura.gov.br/site/2010/01/27/pre-conferencias/

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

PROPOSTAS DIRETRIZES À CADEIA MEDIADORA E FORMADORA

Na qualidade de delegado para a Pré-Conferência de Livro, Leitura e Literatura, como representante da cadeia Mediadora da Leitura do Estado do Ceará, eleito por meus pares, no dia 25 de janeiro de 2010, durante a Assembleia Estadual do Livro e da Leitura, em Fortaleza, apresento as seguintes diretrizes à Cadeia Mediadora, resultado da contribuição de representantes dos mediadores da leitura, sob minha coordenação, em seminário promovido pela frente de profissionais (à época identificada como Fórum de Literatura do Ceará), que organizou o seminário "Os caminhos do Livro: do autor ao leitor," promovido em parceria com a Assembleia Legislativa do Ceará, em 24 e 25 de setembro de 2009, e que selecionou propostas oriundas de discussões da classe desde 2004, em encontros mensais, organizados pela Câmara Setorial e pela Câmara Cearense do Livro até o ano de 2006. Ei-las:

 
  • Provocar políticas de incentivo e apoio a livrarias e outros espaços de leitura no desenvolvimento de projetos de atividades culturais e de mediação de leitura;
  • Articular as ações de leitura no Estado com a participação da Secretaria de Cultura, Educação, Turismo, Juventude, Ação Social, outras instâncias governamentais e entidades da sociedade civil buscando a intersetorialidade, a formulação participativa de políticas públicas e tratando o fomento à leitura como política de estado;
  • Garantir que o Estado e cada município criem seus respectivos planos Estadual e Municipal do Livro e da Leitura com base no Plano Nacional do Livro e da Leitura;
  • Promover audiências públicas específicas para discutir o Instituto do Livro e da Leitura do Estado do Ceará dada a importância estratégica dessa entidade;
  • Discutir e promover uma consistente formação de leitores no Estado a partir da reformulação e criação de políticas educacionais e culturais que tenham o livro e a leitura como foco principal (a partir de hoje com ações a longo prazo);
  • Discutir e promover uma consistente formação continuada de professores formadores de leitores no Estado (a partir de hoje com ações a médio prazo);
  • Discutir e promover uma consistente formação continuada de mediadores da leitura em diversos âmbitos da sociedade – bibliotecários, contadores de estórias, mediadores de clubes de leitura e outros promotores de leitura (a partir de hoje com ações a curto prazo);
  • Propor a criação e\ou readaptação arquitetônica dos espaços públicos que propiciem o conforto do leitor e garantam uma leitura prazerosa;
  • Incentivar a leitura em comunidades em condições de vulnerabilidade social;
  • Promover a leitura em espaços não convencionais, além das bibliotecas e salas de aula;
  • Mapear as ações relacionadas à leitura existentes no Estado com a criação de uma rede de ações e de um banco de dados constantemente atualizado;
  • Transformar as ações exitosas relacionadas à leitura em políticas públicas;
  • Fortalecer a comunicação através de um portal eletrônico com o intuito de divulgar as ações de fomento à leitura de maneira articulada e organizada;
  • Mobilizar e comprometer setores públicos e políticos no sentido de fomentar e apoiar ações relacionadas aos autores, à leitura, ao leitor e ao livro;
  • Criar oficinas do livro e de criação literária;
  • Criar os Quiosques do Livro nos mais variados espaços públicos adotando uma identidade arquitetônica favorável à prática leitora;
  • Garantir a melhoria das bibliotecas públicas;
  • Garantir a melhoria das bibliotecas escolares infra-estrutura adequada e a formação do responsável enquanto mediador da leitura;
  • Permitir o acesso da comunidade à biblioteca escolar como espaço da leitura com segurança e conforto propício à prática leitora;
  • Transformar o bibliotecário das bibliotecas públicas e escolares em mediadores da leitura;
  • Propor programas de fomento à leitura na zona rural, a exemplo de: Arca das Letras do MDA;
  • Propor programas de fomento à leitura em lugares não convencionais;
  • Garantir a continuidade do Projeto Agentes da Leitura como política pública permanente;
  • Descentralizar as ações da Bienal do Livro levando-as para bairros e outros municípios;
  • Criação de células de leitura principalmente nas indústrias;
  • Fomentar a geração de mercado para os bibliotecários;
  • Fomentar a criação de novos cursos de Biblioteconomia no estado do Ceará;
  • Disponibilização de livros de domínio público em site.

 
Encaminhamentos:
1.   Propor a criação do Instituto Estadual do Livro e da Leitura, uma instituição cujo objetivo seja executar as políticas e as ações do Livro, Leitura e Literatura no Estado.
2.   Propor a criação, em cada município, do Instituto Municipal do Livro e da Leitura, uma instituição cujo objetivo seja executar as políticas e as ações do Livro, Leitura e Literatura no município em articulação com seus similares bem como os de nível estadual e federal.

Observação:
Mais contribuições serão muito bem-vindas

Kelsen Bravos da Silva
Cadeia Mediadora do Ceará

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Políticas Públicas para o Livro, Leitura e Literatura


A Regional Nordeste reuniu-se virtualmente para debater o Plano Nacional do Livro e Leitura. A discussão está posta para a II Conferência Nacional de Cultura. Sete estados nordestinos participaram da Videoconferência pela manhã e tiraram as dúvidas sobre o Plano e a Conferência. À tarde, a programação foi um momento de reflexão e elaboração de estratégias e proposições baseadas nos eixos temáticos da Conferência Nacional de Cultura - CNC. Houve também a eleição de representantes estaduais da sociedade civil para a CNC. Foram eleitos 3 delegados da sociedade civil, em Fortaleza. Na Cadeia Produtiva, Mileide Flores é a delegada e Francílio Dourado, o suplente; já na Cadeia Criativa, Almir Mota ficou como delegado e Luiza Helena Amorim, na suplência; para a Cadeia Mediadora, Kelsen Bravos foi eleito delegado e Silvia Maria de Paiva, suplente.


O encontro ocorreu no dia 25 de janeiro, das 9h às 17h, em todas as salas do BNB das capitais da região com os seguintes objetivos:

- avaliar o Plano Nacional de Livro e Leitura;

- eleger três delegados da sociedade civil (e suplentes) e obter a indicação das Secretarias de Cultura dos Estados de um delegado (também com suplência) para a Pré-Conferência de Livro, Leitura e Literatura;

- propor estratégias do setor, baseadas nos eixos temáticos da II Conferência Nacional de Cultura.


As proposições do Ceará por eixo de ação para o Plano do Livro, Leitura e Literatura foram as seguintes:



EIXO 1
Produção simbólica e diversidade cultural (produção de arte e de bens simbólicos, promoção de diálogos interculturais, formação no campo da cultura e democratização da informação).

PROPOSIÇÃO:
Valorizar a diversidade cultural das manifestações folclóricas, da cultura popular e de personalidades históricas como um meio de fortalecimento das identidades nacional e regionais do Brasil, através da difusão e de intercâmbios da literatura brasileira (oral e escrita), prioritariamente, com as culturas dos países da América Latina e da África, favorecendo o acesso aos diferentes públicos com ações de formação e de fruição.

EIXO 2
Cultura, cidade e cidadania (cidade como espaço de produção, intervenção e trocas culturais, garantia de direitos e acesso a bens culturais)
PROPOSIÇÃO
Promover em espaços convencionais (bibliotecas públicas, comunitárias, centros culturais) e não convencionais (estações, hospitais, supermercados) o acesso ao livro e à leitura, por meio da disponibilização de acervos e da promoção de eventos de caráter literário e cultural, como forma de apropriação da cidade e de empoderamento dos bens simbólicos do livro e da leitura pelos cidadãos.

EIXO 3
Cultura e desenvolvimento sustentável (a importância estratégica da cultura no processo de desenvolvimento)
PROPOSIÇÃO
Ampliar, fortalecer e garantir a continuidade dos programas (pontos de cultura, pontos de leitura, agentes de leitura, alfabetização na idade certa) como políticas públicas de Estado, mantendo e favorecendo a criação de espaços que contribuam para a erradicação de analfabetismo, formação de leitores como processos de inclusão social que propiciem o desenvolvimento sustentável, a intersetorialidade e a interface entre o Estado e os diferentes segmentos sociais.

EIXO 4
Cultura e economia criativa (economia criativa como estratégia de desenvolvimento)
PROPOSIÇÃO
Fortalecer as cadeias criativa e produtiva do livro por meio da facilitação do acesso a mecanismos de financiamento para pequenas e médias editoras, livrarias, distribuidoras, gráficas e processos de produção de autores independentes, bem como a ampliação e manutenção das políticas de editais, os programas de capacitação e qualificação profissional, visando a sustentabilidade ao desenvolvimento da economia criativa do livro e da geração de emprego e renda.  

EIXO 5
Gestão e institucionalidade da cultura (fortalecimento da ação do Estado e da participação social no campo da cultura)
PROPOSIÇÃO
Garantir a institucionalidade da política de livro e de leitura por meio da aprovação e regulamentação das leis, planos, sistemas, bem como implementar e executar planos estaduais e municipais de livro e de leitura, por meio de instâncias participativas, programação orçamentária própria e estabelecimento de critérios de relações federativas.

Leia mais em Mais Cultura.