Facilitar a troca de experiências e a divulgação de informações sobre literatura, arte e o que acontece no interior do Estado. É nesta direção que gerentes e técnicos dos municípios do Eixo de Literatura Infantil e Formação do Leitor, componente do Programa Alfabetização na Idade Certa(Paic), participam a partir desta terça-feira, dia 2, das 8 às 17 horas, da 2ª Etapa do Curso Formação do Mediador da Leitura. Promovido pela Secretaria da Educação(Seduc), o evento acontecerá até a próxima sexta-feira, dia 5, no Centro de Referência do Professor, em Fortaleza, (rua Conde D' Eu s/n – bairro Centro).
Conforme Fabiana Skeff, responsável pelo Eixo, a idéia é criar a Comunidade de Relacionamentos on line dos Clubes de Leitura, visando à construção de um blog em cada município cearense. A iniciativa propiciará aos professores um espaço de encontro com o intuito de desenvolver a cultura da leitura dentro da sala de aula.
Com a meta de alfabetizar todas as crianças da rede pública de ensino até sete anos de idade, o Programa Alfabetização na Idade Certa(Paic) oferece materiais pedagógicos aos alunos do primeiro e segundo ano da rede municipal. Além disso, promove a formação dos profissionais em alfabetização, programa de incentivo à leitura e a implantação de sistemas que avaliem as séries iniciais do ensino fundamental e propiciem um diagnóstico da situação para que o município possa gerenciar o ensino que oferta à sociedade.
As ações do Programa são distribuídas em cinco eixos definidos como prioritários: Avaliação Externa; Gestão da Educação Municipal; Gestão Pedagógica; Educação Infantil e Formação do Leitor. A Secretaria da Educação do Estado (Seduc) assumiu o gerenciamento do Alfabetização na Idade Certa, mas conta com as parcerias da SECULT, APRECE, UNDIME-CE, APDMCE, Fórum de Educação Infantil e UNICEF.
Fonte: Portal SEDUC
terça-feira, 2 de junho de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Da série eu recomendo: Rafael Limaverde

Artista plástico, cartunista, xilogravurista, fotógrafo, meu dileto amigo Rafael Limaverde escreveu o livro "De bicicleta pela América Latina", que registra sua aventura ciclista de Fortaleza ao México, de lá, passando por Venezuela, Equador, Peru, Bolívia, Chile, até a Argentina de onde, via Paraguai, Uruguai, sul, sudeste e nordeste do Brasil, retorna a Fortaleza, mais que uma viagem, um rito de passagem com compromisso social e ética cidadã.
Limaverde ilustrou os livros para crianças Toctelecoteco da Vovó, Palavras ao Vento, Ventos da Esperança, Valente - O Boi Bumbá, Aventuras no Farol, dos três primeiros somos coautores e os outros são em coautoria com o poeta Francélio Figueredo e o contador de histórias Almir Mota, respectivamente, sob minha prazerosa coordenação editorial.
O cartum deste post peguei "escondido" de um dos blogs que ele mantém na net. Confira mais ilustrações de Rafael Limaverde em Ilustras Rafael.
terça-feira, 19 de maio de 2009
CAMPANHA CONTRA AS ENCHENTES
O blog Sedentário, contradizendo o próprio nome, não fica parado não e promove campanha em favor das vítimas das enchentes no Nordeste. Aliás, para fazer justiça, o nome completo do blog é Sedentário e Hiperativo.
Em solidariedade, divulgo a campanha e indico o blog criado para agregar recursos sobre as enchentes: Enchentes no Nordeste .
Em solidariedade, divulgo a campanha e indico o blog criado para agregar recursos sobre as enchentes: Enchentes no Nordeste .
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Carta aberta a Ruy Vasconcellos
Meu caro amigo Ruy,
Bem ponderada tua intervenção sobre replicar em Fortaleza a "Virada Cultural" de São Paulo.
Faz falta a proatividade cultural de uma "Padaria Espiritual". O Ceará tem relação estreita com a literatura. Precisa acreditar mais nisso. Carlos Emílio Correia Lima, um tremendo agitador cultural, com foco na literatura, depois da revista O Saco, do movimento Siriará, e de um "exílio" no Rio de Janeiro, volta na segunda metade dos anos de 1990 e replica uma ação literária que fazia no meio sudestino: as rodas de poesia. Com elas, sobre o palco sob a passarela, Espaço Rogaciano Leite Filho, num período de uns três anos (incluindo o da virada do milênio, um século depois da Padaria Espiritual), mobilizou todos os sábados, em saraus de duas horas, poetas, poetisas e um público bastante considerável. Uma quantidade surpreendente de pessoas interessadas em poesia, muitas delas se dizendo até escritoras, a maioria, sabemos nós, fogo de palha, mas o movimento saldou com o surgimento de uma geração promissora de literatos. Uma pena ter acabado essa programação gratuita no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Pena maior a quase total dispersão depois disso.
(O Ceará é berço de bons poetas, Antônio Sales, Cruz Filho, Arthur Eduardo Benevides, Francélio Figueredo... E não podemos esquecer e nem deixar esquecer nosso poeta maior, um poeta da língua portuguesa, um poeta universal: José Albano.)
Quanto a prosa, notadamente o conto, um outro benquerer cearense (lembremos de Raimundo Magalhães, Raimundo Magalhães Jr., Gustavo Barroso, Alberto Santiago Galeno, Moreira Campos, Tércia Montenegro, Pedro Salgueiro...), imagino um dia, um lugar e um movimento para esplendê-la: o 1º de Abril, a praça do Ferreira, exatamente sob o Cajueiro da Mentira, e sessões de leitura ou contação de histórias. Com os devidos trato de mídia e organização do evento, esse dia poderá vir a ser algo bem maior para nós do que uma “Virada Cultural” à paulista.
Um abraço deste teu reverente amigo,
Kelsen Bravos
Leia mais:
Sobre O Saco e o Grupo Siriará
Bem ponderada tua intervenção sobre replicar em Fortaleza a "Virada Cultural" de São Paulo.
Faz falta a proatividade cultural de uma "Padaria Espiritual". O Ceará tem relação estreita com a literatura. Precisa acreditar mais nisso. Carlos Emílio Correia Lima, um tremendo agitador cultural, com foco na literatura, depois da revista O Saco, do movimento Siriará, e de um "exílio" no Rio de Janeiro, volta na segunda metade dos anos de 1990 e replica uma ação literária que fazia no meio sudestino: as rodas de poesia. Com elas, sobre o palco sob a passarela, Espaço Rogaciano Leite Filho, num período de uns três anos (incluindo o da virada do milênio, um século depois da Padaria Espiritual), mobilizou todos os sábados, em saraus de duas horas, poetas, poetisas e um público bastante considerável. Uma quantidade surpreendente de pessoas interessadas em poesia, muitas delas se dizendo até escritoras, a maioria, sabemos nós, fogo de palha, mas o movimento saldou com o surgimento de uma geração promissora de literatos. Uma pena ter acabado essa programação gratuita no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Pena maior a quase total dispersão depois disso.
(O Ceará é berço de bons poetas, Antônio Sales, Cruz Filho, Arthur Eduardo Benevides, Francélio Figueredo... E não podemos esquecer e nem deixar esquecer nosso poeta maior, um poeta da língua portuguesa, um poeta universal: José Albano.)
Quanto a prosa, notadamente o conto, um outro benquerer cearense (lembremos de Raimundo Magalhães, Raimundo Magalhães Jr., Gustavo Barroso, Alberto Santiago Galeno, Moreira Campos, Tércia Montenegro, Pedro Salgueiro...), imagino um dia, um lugar e um movimento para esplendê-la: o 1º de Abril, a praça do Ferreira, exatamente sob o Cajueiro da Mentira, e sessões de leitura ou contação de histórias. Com os devidos trato de mídia e organização do evento, esse dia poderá vir a ser algo bem maior para nós do que uma “Virada Cultural” à paulista.
Um abraço deste teu reverente amigo,
Kelsen Bravos
Leia mais:
Sobre O Saco e o Grupo Siriará
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Casa do Conto em Canindé
De Canindé, recebemos excelentes notícias. A primeira é a de que Verônica Oliveira Pinto, contadora de histórias, que se recuperava de uma cirurgia, já está de volta e em plena forma. A segunda é a de que no dia 15/05/09, às 16 horas, o grupo fará uma apresentação para as crianças da Sociedade Hospitalar São Francisco, numa área ampla e arejada da pediatria, segundo informa Rita Lima, que acrescenta "já fomos verificar [o espaço] e conversamos com a Dra. Lea, acertamos um roteiro com histórias curtas, brincadeiras leves e roda de leitura."
O carro do Projeto
Quanto ao carro para uso específico da Casa do Conto, já está sendo adesivado com a logomarca da Casa do Conto e com o brasão oficial da Prefeitura Municipal de Canindé. O coordenador dos transportes da Secretaria da Educação informou que "na próxima semana [11 a 15/05] nos entregará, mesmo assim estamos em ação", afirma Rita Lima.
Formação do PAIC -
A convite da 7ª CREDE, que reúne 22 municípios, a Casa do Conto fará apresentação nos dias 11 e 12/05/09 na abertura da formação do Programa Alfabetização na Idade Certa - PAIC. Além da contação de histórias, nesses dois dias o núcleo da Casa do Conto vai expor em um estande os "trabalhos, com baú, baner, exposição das fotos do projeto Conhecendo Canindé, documentários, biografias de artistas canindeenses, materiais do projeto Jornal na Sala de Aula", anuncia Rita Lima.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Clubes de Leitura
O Governo do Estado do Ceará promove, de 27 a 30/04, o curso Mediador de Leitura a fim de instrumentalizar e sensibilizar os técnicos de educação do Eixo de Literatura Infantil e Formação de Leitores, do Programa Alfabetização na Idade Certa - PAIC, para a criação de Clubes de Leitura em cada um dos 184 municípios do estado.
O que é o Clube de Leitura?
Espaço onde se estimula o prazer de ler e o consequente encontro das pessoas consigo mesmas, com os outros e com a diversidade cultural do mundo, o Clube de Leitura se constitui numa rede de professores leitores.
Como será a integração dos 184 Clubes de Leitura
Uma das ferramentas de integração dessa rede é o Blog do Clube de Leitura, que incorpora, no mínimo, 184 blogs, a ser mediado pela SEDUC por meio da Coordenadoria de Cooperação com os Municípios, sob gestão da professora Márcia Oliveira Cavalcante Campos e da coordenadora das Células de Programa e Projetos Estaduais, Lucidalva Pereira Barcelar. Sob consultoria de Regis Freitas, blogger e administrador de cultura digital, e deste professor editor e blogger que vos fala.
Quando os Clubes de Leitura começam a funcionar?
Os Clubes de Leitura se efetivam a partir de junho. a formação, entretanto, já começou no dia 27 de abril e já resultou em muita leitura e escrita. Para conferir as criações dos participantes sobre leitura, cultura e identidade, clique aqui.
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Capacitação vai incentivar a leitura entre os profissionais da educação
Com o objetivo de preparar os técnicos da educação para a implantação dos Clubes de Leitura nos 184 municípios do Estado do Ceará, a Secretaria da Educação(Seduc) realizará a partir desta segunda-feira, dia 27, das 8 às 17 horas, o curso Mediador da Leitura. A iniciativa integra o Eixo de Literatura Infantil e Formação do Leitor do Programa Alfabetização na Idade Certa(Paic). O evento seguirá até a próxima quinta-feira, 30, no Centro de Treinamento Prof. Antônio Albuquerque de Sousa Filho (rua Adolfo Moreira de Carvalho s/n – Água Fria).
A ação visa incentivar o prazer da leitura e estimular a diversidade cultural entre os participantes dos clubes: professores das séries iniciais e educação infantil. Ao todo serão 225 participantes entre formadores do Eixo de Literatura Infantil e Formação do Leitor que atuam na Secretaria da Educação (Seduc), na Superintendência das Escolas de Fortaleza (Sefor), nas 20 Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (Crede) e nas 184 secretarias municipais de educação. Além destes, estarão presentes representantes das instituições parceiras do Paic (UNICEF, SECULT, Fórum de Educação Infantil, APRECE, UNDIME-CE e APDMCE).
Conforme Fabiana Skeff, responsável pelo Eixo de Literatura Infantil do Paic, a ideia é que o professor leitor seja um mediador para a construção do aluno leitor.
O Clube da Leitura é uma iniciativa do Programa Alfabetização na Idade Certa, implantado pelo Governo do Estado, por meio da Seduc, que propiciará aos professores um espaço de encontro com o intuito de desenvolver a cultura da leitura dentro da sala de aula. O projeto, que tem início em junho deste ano, será amplamente divulgado nos municípios cearenses. Cada um destes contará ainda com um blog na internet para facilitar o intercâmbio entre os Clubes de Leitura do Estado.
Veja as datas de cada participante:
Dias 27 e 28: Macro A (Credes 1, 2, 9) MABRO B (Credes 3, 4, 5, 6), Macro C (Credes 08, 12, 14), Seduc, Secult, Unicef, Fórum de Educação Infantil, Aprece, Undime-CE, APDMCE e Sefor
Dias 29 e 30: Macro D (Credes 10, 11, 16, 17), Macro E (Credes 07, 13, 15), Macro F (Credes 18, 19, 20), Macro G (Fortaleza), Seduc e Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza.
A ação visa incentivar o prazer da leitura e estimular a diversidade cultural entre os participantes dos clubes: professores das séries iniciais e educação infantil. Ao todo serão 225 participantes entre formadores do Eixo de Literatura Infantil e Formação do Leitor que atuam na Secretaria da Educação (Seduc), na Superintendência das Escolas de Fortaleza (Sefor), nas 20 Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação (Crede) e nas 184 secretarias municipais de educação. Além destes, estarão presentes representantes das instituições parceiras do Paic (UNICEF, SECULT, Fórum de Educação Infantil, APRECE, UNDIME-CE e APDMCE).
Conforme Fabiana Skeff, responsável pelo Eixo de Literatura Infantil do Paic, a ideia é que o professor leitor seja um mediador para a construção do aluno leitor.
O Clube da Leitura é uma iniciativa do Programa Alfabetização na Idade Certa, implantado pelo Governo do Estado, por meio da Seduc, que propiciará aos professores um espaço de encontro com o intuito de desenvolver a cultura da leitura dentro da sala de aula. O projeto, que tem início em junho deste ano, será amplamente divulgado nos municípios cearenses. Cada um destes contará ainda com um blog na internet para facilitar o intercâmbio entre os Clubes de Leitura do Estado.
Veja as datas de cada participante:
Dias 27 e 28: Macro A (Credes 1, 2, 9) MABRO B (Credes 3, 4, 5, 6), Macro C (Credes 08, 12, 14), Seduc, Secult, Unicef, Fórum de Educação Infantil, Aprece, Undime-CE, APDMCE e Sefor
Dias 29 e 30: Macro D (Credes 10, 11, 16, 17), Macro E (Credes 07, 13, 15), Macro F (Credes 18, 19, 20), Macro G (Fortaleza), Seduc e Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Feliz aniversário, Fortaleza?
Quanta estupidez, meu Deus! Viver é muito perigoso. Um cabo despreparado, agora também vítima, um bando de vândalos, estes sim impunes. Precisamos saber como se organiza, quem estimula essas ações criminosas. Uma sede de justiça resseca nossa garganta: que o cabo seja punido exemplarmente, não por ele pobre vítima, mas pela instituição que arma despreparados; que esse vandalismo genocida seja definitiva e expressamente extinguido da nossa sociedade com a detenção, julgamento e a devida punição aos agentes desse terror, em todas as instâncias, a dos que agem e as do que planejam.
Reproduzo aqui a crônica de Raymundo Netto, sobre mais uma fatalidade gerada pela violência em Fortaleza, na semana do aniversário da capital cearense.
Crônicas de Nádia (o adeus à Diana Tobri)
Raymundo Netto
“Bem, alguns me conhecem como Praça dos Mártires, a primeira praça de Fortaleza, com muito orgulho; outros me conhecem mais como Passeio Público, e como agora esse é o nome com maior destaque resolvi escolhê-lo para o Orkut. (...) Tenho muitas histórias pra contar e adoraria conversar, fazer novos amigos. Quem puder, venha me visitar pra conversar, encontrar os amigos, relaxar, namorar, trazer a família, fazer um piquenique, tirar um cochilo (tenho espreguiçadeiras a disposição de segunda a sexta), jogar xadrez, ler, enfim, as opções são muitas . Sejam todos muito bem-vindos!”
Com essa chamada, Nádia Brito, 22 anos, estudante de História da Universidade Estadual do Ceará, em conclusão de curso, abriu um perfil de Orkut autodenominando-se “Passeio Público”, e assim respondendo e interagindo com quem a adicionasse. E mais, oferecendo-se: “Precisando de fontes, livros, referências sobre mim, é só pedir e terei muito prazer em compartilhar”.
A conheci recentemente. Não mais que um ano. Ingressou em meu orkut “depois que soube de um livro”... Tão jovem, achei curiosa a sua paixão pela cidade (como se eu não soubesse...), seu interesse pela história, pela conservação e preservação do patrimônio. “Você vai sofrer muito ainda, Nádia”. “Ora, e eu não sei?” Ela era monitora da disciplina de Didática e Ação Educativa Patrimonial na Universidade, participava do projeto de requalificação do Passeio Público, ação da ONG Mediação dos Saberes, e estagiava no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
Dizia estar lendo muito, colecionava fotos, artigos de jornais, queria saber mais e quanto mais lia, mais ficava fascinada por Fortaleza. “Para que tanta pressa, menina? Tenha calma. Eu já fui assim.” Ela queria ensinar História, mas faria Direito também, tinha muitos planos na área educacional e afirmava: “Vou me preparar o melhor que eu puder para realizar meus objetivos”.
Enquanto isso, participava de todo tipo de projeto que aparecesse em sua frente. Era dinâmica, engajada, criativa e, acima de tudo uma otimista romântica. Linda, era linda. Sabia de seu valor e garantia que o que mais chamava atenção nela era a sua alegria, alegria essa impressa constantemente em seu sorriso largo, gratuito, descrição unânime extraída das lembranças de seus amigos, colegas e professores inconformados com a forma besta com que um policial despreparado (cabo Francisco Carlos Barbosa Ribeiro, 50 anos, 26 de quadro), em meio às rotineiras brigas e apedrejamentos de ônibus da cidade por torcedores de futebol, arrancou-lhe toda esta vida, após um dia de aula, numa parada de ônibus do Itaperi, na semana passada (dia 15, dois dias depois do aniversário da cidade).
Como livrou o flagrante, dizem que a lei é justa, o cabo Ribeiro, que precisou de três tiros para calar de vez a Nádia, vai responder o processo em liberdade.
Quando ouvi a notícia pela televisão não pude deixar de olhar para as minhas filhas, ainda com nove anos, e arriscar imaginar a dimensão da dor dos pais neste momento. Sendo ela filha única, é incalculável. Mesmo assim, eles ainda tiveram força, determinação e doaram os órgãos da estudante (rins, fígado, córneas e coração) para que, pelo menos, seis pessoas possam carregar um pouco de sua vida adiante. Eles, felizardos.
Vi, também pela TV, a mulher que já recebeu, após interminável espera na fila de transplante — outra dura realidade —, o coração de Nádia. Ele continuará pulsando, resistindo, lutando.
Já a Nádia, a moça de história de final triste, final este que devemos tomar como nosso, espero que seja bem recebida “num outro lado”, tomara que exista algo assim, e que nesse lugar possa ver o mar, o céu, o sol, a lua, sentir o fresco vento no final de tarde, admirar réplicas de estátuas gregas e que por lá seja recebida por um imenso baobá, — ah, o baobá tem que haver —, e possa encontrar a paz, uma paz que ela não encontrou aqui, e que nós ansiamos de braços cruzados, pobre almas impassíveis e adormecidas, torcendo e fingindo que não é com a gente.
E é com muita tristeza que escrevo agora essas palavras de adeus à Nádia, ou Diana Tobri, personagem criada por ela (seu nome ao contrário), lamentando que a espetaculosa cidade de contrastes, desigualdade, impunidade e violência que ela descobria-se “fascinada” se encontre ainda tão despreparada e indigna para receber e garantir o futuro.
Reproduzo aqui a crônica de Raymundo Netto, sobre mais uma fatalidade gerada pela violência em Fortaleza, na semana do aniversário da capital cearense.
Crônicas de Nádia (o adeus à Diana Tobri)
Raymundo Netto
“Bem, alguns me conhecem como Praça dos Mártires, a primeira praça de Fortaleza, com muito orgulho; outros me conhecem mais como Passeio Público, e como agora esse é o nome com maior destaque resolvi escolhê-lo para o Orkut. (...) Tenho muitas histórias pra contar e adoraria conversar, fazer novos amigos. Quem puder, venha me visitar pra conversar, encontrar os amigos, relaxar, namorar, trazer a família, fazer um piquenique, tirar um cochilo (tenho espreguiçadeiras a disposição de segunda a sexta), jogar xadrez, ler, enfim, as opções são muitas . Sejam todos muito bem-vindos!”Com essa chamada, Nádia Brito, 22 anos, estudante de História da Universidade Estadual do Ceará, em conclusão de curso, abriu um perfil de Orkut autodenominando-se “Passeio Público”, e assim respondendo e interagindo com quem a adicionasse. E mais, oferecendo-se: “Precisando de fontes, livros, referências sobre mim, é só pedir e terei muito prazer em compartilhar”.
A conheci recentemente. Não mais que um ano. Ingressou em meu orkut “depois que soube de um livro”... Tão jovem, achei curiosa a sua paixão pela cidade (como se eu não soubesse...), seu interesse pela história, pela conservação e preservação do patrimônio. “Você vai sofrer muito ainda, Nádia”. “Ora, e eu não sei?” Ela era monitora da disciplina de Didática e Ação Educativa Patrimonial na Universidade, participava do projeto de requalificação do Passeio Público, ação da ONG Mediação dos Saberes, e estagiava no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
Dizia estar lendo muito, colecionava fotos, artigos de jornais, queria saber mais e quanto mais lia, mais ficava fascinada por Fortaleza. “Para que tanta pressa, menina? Tenha calma. Eu já fui assim.” Ela queria ensinar História, mas faria Direito também, tinha muitos planos na área educacional e afirmava: “Vou me preparar o melhor que eu puder para realizar meus objetivos”.
Enquanto isso, participava de todo tipo de projeto que aparecesse em sua frente. Era dinâmica, engajada, criativa e, acima de tudo uma otimista romântica. Linda, era linda. Sabia de seu valor e garantia que o que mais chamava atenção nela era a sua alegria, alegria essa impressa constantemente em seu sorriso largo, gratuito, descrição unânime extraída das lembranças de seus amigos, colegas e professores inconformados com a forma besta com que um policial despreparado (cabo Francisco Carlos Barbosa Ribeiro, 50 anos, 26 de quadro), em meio às rotineiras brigas e apedrejamentos de ônibus da cidade por torcedores de futebol, arrancou-lhe toda esta vida, após um dia de aula, numa parada de ônibus do Itaperi, na semana passada (dia 15, dois dias depois do aniversário da cidade).
Como livrou o flagrante, dizem que a lei é justa, o cabo Ribeiro, que precisou de três tiros para calar de vez a Nádia, vai responder o processo em liberdade.
Quando ouvi a notícia pela televisão não pude deixar de olhar para as minhas filhas, ainda com nove anos, e arriscar imaginar a dimensão da dor dos pais neste momento. Sendo ela filha única, é incalculável. Mesmo assim, eles ainda tiveram força, determinação e doaram os órgãos da estudante (rins, fígado, córneas e coração) para que, pelo menos, seis pessoas possam carregar um pouco de sua vida adiante. Eles, felizardos.
Vi, também pela TV, a mulher que já recebeu, após interminável espera na fila de transplante — outra dura realidade —, o coração de Nádia. Ele continuará pulsando, resistindo, lutando.
Já a Nádia, a moça de história de final triste, final este que devemos tomar como nosso, espero que seja bem recebida “num outro lado”, tomara que exista algo assim, e que nesse lugar possa ver o mar, o céu, o sol, a lua, sentir o fresco vento no final de tarde, admirar réplicas de estátuas gregas e que por lá seja recebida por um imenso baobá, — ah, o baobá tem que haver —, e possa encontrar a paz, uma paz que ela não encontrou aqui, e que nós ansiamos de braços cruzados, pobre almas impassíveis e adormecidas, torcendo e fingindo que não é com a gente.
E é com muita tristeza que escrevo agora essas palavras de adeus à Nádia, ou Diana Tobri, personagem criada por ela (seu nome ao contrário), lamentando que a espetaculosa cidade de contrastes, desigualdade, impunidade e violência que ela descobria-se “fascinada” se encontre ainda tão despreparada e indigna para receber e garantir o futuro.
sábado, 4 de abril de 2009
No que deu o meme da página 161?
No dia 25 de outubro de 2007, recebi uma espécie de desafio em rede ou uma corrente de desafio de meu amigo-irmão Lira Neto. Tratava-se do "Meme da página 161". Naquela data escrevi:
"Sobre o desafio transcrevo aqui palavras de Lira: 'Recebo, de dois blogueiros amigos, Vássia Silveira e Maurício Lima (o Maurição), o mesmo desafio. Trata-se, vocês já devem ter visto por aí, do meme da página 161:
1. Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2. Abrir na página 161;
3. Procurar a 5ª frase completa;
4. Postar essa frase em seu blog;
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6. Repassar para outros 5 blogs.
Pois bem. Passo a tarefa a outros cinco blogueiros:Kelsen Bravos, Natércia Pontes, Victor Gentilli, Socorro Acioli e Reinaldo Morais."
Ao ler tal desafio, estiquei o braço para mesa que fica aqui atrás do meu birô e toquei em dois livros (leio/releio mais de um livro por vez e os espalho pela casa, coincidiu de haver dois no mesmo lugar). E agora, o que faço? Resolvi registrar os dois. Façam sua escolha:
Um era Corações sujos de Fernando Morais, livro reportagem que trata da Liga do Caminho dos Súditos, em japonês, Shidô Remmei. Uma associação de imigrantes nipônicos formada em 1944 para preservar sua cultura e identidade, ameaçada pela segunda guerra mudial. Com a rendição do Japão, seus líderes radicalizaram e promoveram o "silenciamento" de quem afirmava a derrota dos súditos de Hiroíto. O outro é Baudolino de Umberto Eco, cuja história - que a exemplo de O Nome da Rosa se passa na idade média - retrata o relato ao historiador Niceta Coniate da saga picaresca do menino que conquista o apreço de Barba Ruiva, e o acompanha em suas viagens.
A frase (definir período seria mais apropriado) do primeiro livro é:
'Nas duas ou três semanas seguintes o grupo ouviu de novo as instruções para quando estivesse em ação, que eram repetidas ou pelo mesmo Ogazawara, da Tinturaria Oriente, ou por Sunao Shinyashiki.'
O período do segundo livro é:
'É pura maldade, e nada mais.'
Cumpri minha parte, o desafio agora segue para os blogueiros Daniel Diaz, Régis Freitas, Washington Forte, Natany Ribeiro (e a turma do Loquaz) e Pablo Uchoa. 25/10/07 de Kelsen Bravos."
E agora, quero saber no que deu ou está dando esse tal desafio.
"Sobre o desafio transcrevo aqui palavras de Lira: 'Recebo, de dois blogueiros amigos, Vássia Silveira e Maurício Lima (o Maurição), o mesmo desafio. Trata-se, vocês já devem ter visto por aí, do meme da página 161:
1. Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2. Abrir na página 161;
3. Procurar a 5ª frase completa;
4. Postar essa frase em seu blog;
5. Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6. Repassar para outros 5 blogs.
Pois bem. Passo a tarefa a outros cinco blogueiros:Kelsen Bravos, Natércia Pontes, Victor Gentilli, Socorro Acioli e Reinaldo Morais."
Ao ler tal desafio, estiquei o braço para mesa que fica aqui atrás do meu birô e toquei em dois livros (leio/releio mais de um livro por vez e os espalho pela casa, coincidiu de haver dois no mesmo lugar). E agora, o que faço? Resolvi registrar os dois. Façam sua escolha:
Um era Corações sujos de Fernando Morais, livro reportagem que trata da Liga do Caminho dos Súditos, em japonês, Shidô Remmei. Uma associação de imigrantes nipônicos formada em 1944 para preservar sua cultura e identidade, ameaçada pela segunda guerra mudial. Com a rendição do Japão, seus líderes radicalizaram e promoveram o "silenciamento" de quem afirmava a derrota dos súditos de Hiroíto. O outro é Baudolino de Umberto Eco, cuja história - que a exemplo de O Nome da Rosa se passa na idade média - retrata o relato ao historiador Niceta Coniate da saga picaresca do menino que conquista o apreço de Barba Ruiva, e o acompanha em suas viagens.
A frase (definir período seria mais apropriado) do primeiro livro é:
'Nas duas ou três semanas seguintes o grupo ouviu de novo as instruções para quando estivesse em ação, que eram repetidas ou pelo mesmo Ogazawara, da Tinturaria Oriente, ou por Sunao Shinyashiki.'
O período do segundo livro é:
'É pura maldade, e nada mais.'
Cumpri minha parte, o desafio agora segue para os blogueiros Daniel Diaz, Régis Freitas, Washington Forte, Natany Ribeiro (e a turma do Loquaz) e Pablo Uchoa. 25/10/07 de Kelsen Bravos."
E agora, quero saber no que deu ou está dando esse tal desafio.
segunda-feira, 30 de março de 2009
segunda-feira, 23 de março de 2009
Nota de Falecimento

Porque tu, Flor de Candura, há muito vinhas desfalecendo, os corações humanos endureceram. Gestos simples como um sorriso tornaram-se raros. Atitudes como ceder a vez ao próximo tornaram-se ridículas; não buzinar perto de hospitais, um fóssil.
Cultivar uma flor e esperar brotar um botão, esplender as pétalas, recender o perfume, só para depois presenteá-la com gesto gratuito a quem se queda num semblante triste, sem ti, minha Brandura, tudo isso é saudade.
Resta nas pessoas um vazio existencial, um intenso inconformismo com o qual, sem ti, Afago de Avô e Avó, se associam rudezas, atitudes simiescas (que me perdoem os símios por esta símile).
Sem ti, Olhar de Criança, as guerras imperam, a arte do encontro, como diz Vinícius de Moraes, perde para os desencontros da vida, a amizade faliu. Não mais nos surpreendemos, a indignação e a curiosidade se esvaneceram.
Sem ti, Acalento Materno, o calor ficou gélido, a solidão empederniu o afago e se quebraram os translúcidos cristais da conciliação.
Sem ti, Abraço Paterno, o medo afasta as pessoas umas das outras, irmão desacata irmão, impera a lei do mais forte, em detrimento da solução pela inteligência. O diálogo se extinguiu.
Sem ti, Emoção de Namoro, o brilho nos olhares marejam de desamparo e não se fazem mais serenatas. A poesia se esvaiu pela rudeza dos números dos lucros a qualquer custo. As relações viraram negócio.
Sem ti, Amor, amar o próximo como a si mesmo é só uma lei religiosa e não a prática de não deixar morrer o semelhante, nem em vida nem em memória. Com tua ausência, passamos sem solidariedade por quem agoniza pelas calçadas.
Ó Senhora Dona Gentileza, volta a mostrar teu rosto, teu sorriso, sai dessa catalepsia que nos esfuma o brilho vital.
Anda, alevanta daí!
Não por vontade minha, mas pelo afã de todos, pois um só é pouco para sentimento tão coletivo, alevanta, Delicadeza!
Estás morta! Ó Gentileza, tu estás morta!
- Anda, amigo, anda, amiga, me dá a mão. Vamos acordar em nós a solidariedade aos órfãos de quem morreu de indignação, que sua morte não seja em vão. Por sua ausência, a partir de hoje, e sempre, com esto brutal expressaremos a fúria. Contra quem nos alui, seremos acres!
domingo, 22 de março de 2009
Leitura para crianças

Os livros de literatura infantil da Casa do Conto, escritos em prosa ou em verso, semeam a identidade e a cultura brasileiras abordando costumes, lendas, mitos, brincadeiras, cenários e expressões regionais de forma universal, e manifestam temas como solidariedade, respeito à vida humana e à natureza. Em linguagem adequada às crianças, ao estimular o prazer de ler e brincar, desafia a descobertas e entendimento do mundo.
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terça-feira, 17 de março de 2009
Dois Pontos: Literatura

Tive o prazer de recepcionar a equipe de acadêmicos e profissionais do curso de Comunicação da UNIFOR, orientada pelo professor e escritor Felipe Barroso. Eles vieram gravar o programa Dois Pontos que sempre reúne dois escritores num bate-papo descontraído. Ao meu lado está Túlio Monteiro. A gravação foi num cantinho de minha casa batizado Largo da Boemia, onde costumo me confraternizar com os amigos.
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Túlio Monteiro,
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Maratona de histórias da Casa do Conto

Maratona de Contos
Fortaleza, Saboeiro, Catarina, Canindé, Crato, Sobral, Tamboril – CE
Casa do Conto
Fortaleza: dia 28, sábado, 14h
No Centro Cultural Banco do Nordeste
Rua Floriano Peixoto, 941, Centro.
GRATUITO
Em 2009, o Projeto Casa do Conto está fazendo sete anos de atividades. Para comemorar a data com os amantes da arte de contar e ouvir histórias, a Casa do Conto realizará uma maratona com grupos de contadores de histórias de sete cidades cearenses que participam do projeto. 240min. Na foto o Grupo de Contadores de Histórias de Tamboril.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Feira da Lagoa da Parangaba
Referência cultural das mais ricas, a feira da Parangaba preserva um costume ancestral, o comércio ao ar livre. A TV Unifor, que tem um excelente acervo produzido pelos acadêmicos de Comunicação sob orientação de seus excelentes professores, fez uma simpática reportagem sobre ela. Clique no título "Feira dos Pássaros".

Feira dos Pássaros
Tem gente que não deixa de ir um domingo sequer. Cresceu sendo levado pelo pai à feira, hoje leva o filho e promete levar o neto. A intenção de algumas dessas pessoas é aprender na prática as regras do comércio. Há negócio de tudo quanto é jeito. Chegam com no máximo dez reais e saem com cem. Não importa o valor, o importante é fazer negócio e sair lucrando. Pode ser uma relação de compra envolvendo dinheiro ou escambo de mercadoria, enfim toda sobre de transação comercial. Vale tudo que é argumento, grito, palavrão, cara feia, enfim é um regateio, uma negociação no mais puro estilo árabe.

Feira dos Pássaros
Tem gente que não deixa de ir um domingo sequer. Cresceu sendo levado pelo pai à feira, hoje leva o filho e promete levar o neto. A intenção de algumas dessas pessoas é aprender na prática as regras do comércio. Há negócio de tudo quanto é jeito. Chegam com no máximo dez reais e saem com cem. Não importa o valor, o importante é fazer negócio e sair lucrando. Pode ser uma relação de compra envolvendo dinheiro ou escambo de mercadoria, enfim toda sobre de transação comercial. Vale tudo que é argumento, grito, palavrão, cara feia, enfim é um regateio, uma negociação no mais puro estilo árabe.
segunda-feira, 9 de março de 2009
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Turismo sexual x Cluster de entretenimento
Os apelos do turismo sexual no Brasil encontram raízes históricas. A doentia civilização européia (que com o passar dos séculos só piorou), plena de taras sociais, inclusive o (falso) moralismo exacerbado, viu no “Novo Mundo” um “paraíso” para suas perversões (sociais, econômicas e carnais).
A tal civilização interpretou como uma afirmação libertina a frase portuguesa "não existe pecado do lado de baixo do Equador”, registrada a primeira vez por aqui pelo historiador da Companhia das Índias Ocidentais Gaspar Barleurs, autor de História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil.
Para mudar essa realidade precisa-se mais do que leis proibitivas. Fazer cumprir a lei e punir exemplarmente já seria um bom começo. Mas é pouco. Deve-se investir na geração de emprego e renda das pessoas locais. Proporcionar a oportunidade de elas serem gestoras do turismo, em vez de considerá-las entraves aos projetos da elite capitalista e de seus sócios internacionais, ou, pior ainda, em vez de utilizá-las como objetos de consumo, “vendendo-as” como parte do pacote turístico. Existem apelos inescrupulosos que envolvem até adolescentes e, pasmem, crianças.
Em outubro de 2005, o Rio de Janeiro foi palco do Fórum Mundial do Turismo, que discutiu, entre outros temas, a “Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. Dados da CPI da exploração sexual infantil, propalados na ocasião, já constatam esse fato em outras regiões brasileiras. O Nordeste, por exemplo, está sendo o destino mais freqüente do prostiturismo. Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco estão entre os principais roteiros. A apresentação desse diagnóstico só demonstra a vontade brasileira de combater quadro tão desolador.
Talvez por conta disso, o Brasil não esteja mais só nessa luta. Quase toda a América do Sul, (Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname). Ao todo doze países firmaram compromisso de parceria na luta contra esse crime. Investem na prevenção como arma de combate ao turismo sexual e contra a prostituição infantil.
A luta, entretanto, se anuncia árdua, pois enfrenta todo um conglomerado lastreado em negócio vendido como “paraíso dos prazeres proibidos ao sul da linha do equador”, que gera muita riqueza aos investidores e miséria social ao local explorado. As empresas já andam até se mimetizando em algo saudável autodenominando a associação de suas ações mercantis de cluster de entretenimento, que, se levado a sério, não deixa de ser um conceito interessante; mas o problema é que quem está no comando são sempre os mesmos.
Um cluster de entretenimento consiste na integração de vários segmentos de lazer e cultura, música, esporte, gastronomia, por exemplo, à área de turismo. Requer parceria entre o setor público e o privado. Ambos cumprem papéis que devem ser bem-definidos. Uma das exigências, porém, é contar com empresas de competitividade e padrão internacionais. Este fato exclui a maioria das empresas nacionais, pois competitividade num mundo globalizado significa padrões internacionais. Sem regras claras que garantam vantagens sociais aos nativos, os paraísos podem acabar como está hoje o Rio de Janeiro, numa Guerra Civil, ou como Paris que atualmente sofre uma revolta dos excluídos.
Nesse novo tipo de organização de mercado, o papel do Estado é: definir as regras econômicas que garantam a estabilidade necessária aos investidores, e fiscalizar as ações dos investimentos quanto às garantias sociais do projeto, à valorização do nativo. Sempre a primeira parte é atendida em detrimento da segunda.
O Ceará é um exemplo eloqüente disso. Há alguns anos o Estado vem preparando infra-estrutura necessária aos investidores. Construiu excelentes autovias de ponta a ponta de seu extenso litoral. Mas os projetos sociais associados a essas vias turísticas para os cearenses dessa imensa orla, entretanto, quase inexistem. Os nativos de fato estão sendo é tangidos pelos “resorts”, cujos donos sequer falam bem o português; mas dominam o francês, o inglês, o espanhol e, sobretudo, o italiano.
Mais do que de acesso a pontos turísticos essas estradas, deveriam ser vias de ascensão social para os nativos. Mas o que ocorre é a descaracterização da fonte de renda tradicional e geram o subemprego que lhes é oferecido. Em vez de trabalhadores (de serviços gerais à gerência) ou donos do negócio os nativos, os donos do lugar, são transformados em serviçais, seja na cozinha, nos jardim ou nos serviços gerais. Alega-se, e com certa razão, que a maioria não tem formação especializada sequer para ser trabalhador, daí, serviçais. E o estado não apresenta política de educação para este fim.
Daí a pergunta: que projetos sociais beneficiam os nativos? Sem isso acaba restando-lhes a opção pelo fim da dignidade, pois como diria Zé Dantas, cantado por Luiz Gonzaga, "dar esmola a um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha/ ou vicia o cidadão". Sem perspectivas os donos da terra vão vendendo as terrinhas e sendo tangidos para o sertão. Em pouco tempo o dinheiro se esvai. Daí voltam, sem eira nem beira, para o local de origem.
A cultura consumista do Mercado tangirino encanta os jovens e as jovens, que sonham com o fantástico mundo do estrangeiro. As meninas sonham em casamento com os “príncipes ” visitantes. Nada contra esse encatamento teríamos, se a maioria dos que aqui viessem fossem pessoas decentes. Infelizmente, os que aqui chegam vêm atraídos pela indecente promessa do sexo fácil e da interpretação de que ao sul do equador não existe pecado. E essa interpretação é motivada pela “promessa” das bundas estampadas nos postais.
Quem de fato faz tal promessa?! A quem ela interessa? Bem que poderia ser essa a polêmica do tema, a ser estimulada pelas televisões e pelas rádios brasileiras, maiores veículos de comunicação no país. Mas seria perigoso tocar no assunto de forma tão séria, pois estaria mexendo com uma gama de interesses e negócios de “clusters de entretenimento”.
Ora, pois, o turismo sexual e a prostituição infantil são produtos de um perverso “cluster de entretenimento” que se alastra em todos os países da América do Sul. O pior é que em cidades como Fortaleza, por exemplo, além do sexo e “rock’-n’-roll”, cada vez mais apartamentos com vidros à prova de bala e portas blindadas estão sendo vendidos aos ragazzi, “tutti buona gente” do mundo inteiro. Para que tanta proteção, de que e quem eles se defendem? O que estão querendo esconder?
E enquanto isso, vemos – por enquanto só vemos – as meninas e os meninos pôr as mãos nos joelhos, dar uma agachadinha e balançarem as bundinhas. Chega disso. Uma política séria de segurança (e saúde) pública deve ser urgentemente imposta ao setor de turismo e seus atores. Só há uma arte que supera a de bem receber, a de ser bem-vindo. O desrespeito à primeira é problema nosso. E para quem desrespeitar a segunda, que lhe seja, no mínimo, mostrada a porta de saída como serventia da casa.
A tal civilização interpretou como uma afirmação libertina a frase portuguesa "não existe pecado do lado de baixo do Equador”, registrada a primeira vez por aqui pelo historiador da Companhia das Índias Ocidentais Gaspar Barleurs, autor de História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil.
Para mudar essa realidade precisa-se mais do que leis proibitivas. Fazer cumprir a lei e punir exemplarmente já seria um bom começo. Mas é pouco. Deve-se investir na geração de emprego e renda das pessoas locais. Proporcionar a oportunidade de elas serem gestoras do turismo, em vez de considerá-las entraves aos projetos da elite capitalista e de seus sócios internacionais, ou, pior ainda, em vez de utilizá-las como objetos de consumo, “vendendo-as” como parte do pacote turístico. Existem apelos inescrupulosos que envolvem até adolescentes e, pasmem, crianças.
Em outubro de 2005, o Rio de Janeiro foi palco do Fórum Mundial do Turismo, que discutiu, entre outros temas, a “Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. Dados da CPI da exploração sexual infantil, propalados na ocasião, já constatam esse fato em outras regiões brasileiras. O Nordeste, por exemplo, está sendo o destino mais freqüente do prostiturismo. Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco estão entre os principais roteiros. A apresentação desse diagnóstico só demonstra a vontade brasileira de combater quadro tão desolador.
Talvez por conta disso, o Brasil não esteja mais só nessa luta. Quase toda a América do Sul, (Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname). Ao todo doze países firmaram compromisso de parceria na luta contra esse crime. Investem na prevenção como arma de combate ao turismo sexual e contra a prostituição infantil.
A luta, entretanto, se anuncia árdua, pois enfrenta todo um conglomerado lastreado em negócio vendido como “paraíso dos prazeres proibidos ao sul da linha do equador”, que gera muita riqueza aos investidores e miséria social ao local explorado. As empresas já andam até se mimetizando em algo saudável autodenominando a associação de suas ações mercantis de cluster de entretenimento, que, se levado a sério, não deixa de ser um conceito interessante; mas o problema é que quem está no comando são sempre os mesmos.
Um cluster de entretenimento consiste na integração de vários segmentos de lazer e cultura, música, esporte, gastronomia, por exemplo, à área de turismo. Requer parceria entre o setor público e o privado. Ambos cumprem papéis que devem ser bem-definidos. Uma das exigências, porém, é contar com empresas de competitividade e padrão internacionais. Este fato exclui a maioria das empresas nacionais, pois competitividade num mundo globalizado significa padrões internacionais. Sem regras claras que garantam vantagens sociais aos nativos, os paraísos podem acabar como está hoje o Rio de Janeiro, numa Guerra Civil, ou como Paris que atualmente sofre uma revolta dos excluídos.
Nesse novo tipo de organização de mercado, o papel do Estado é: definir as regras econômicas que garantam a estabilidade necessária aos investidores, e fiscalizar as ações dos investimentos quanto às garantias sociais do projeto, à valorização do nativo. Sempre a primeira parte é atendida em detrimento da segunda.
O Ceará é um exemplo eloqüente disso. Há alguns anos o Estado vem preparando infra-estrutura necessária aos investidores. Construiu excelentes autovias de ponta a ponta de seu extenso litoral. Mas os projetos sociais associados a essas vias turísticas para os cearenses dessa imensa orla, entretanto, quase inexistem. Os nativos de fato estão sendo é tangidos pelos “resorts”, cujos donos sequer falam bem o português; mas dominam o francês, o inglês, o espanhol e, sobretudo, o italiano.
Mais do que de acesso a pontos turísticos essas estradas, deveriam ser vias de ascensão social para os nativos. Mas o que ocorre é a descaracterização da fonte de renda tradicional e geram o subemprego que lhes é oferecido. Em vez de trabalhadores (de serviços gerais à gerência) ou donos do negócio os nativos, os donos do lugar, são transformados em serviçais, seja na cozinha, nos jardim ou nos serviços gerais. Alega-se, e com certa razão, que a maioria não tem formação especializada sequer para ser trabalhador, daí, serviçais. E o estado não apresenta política de educação para este fim.
Daí a pergunta: que projetos sociais beneficiam os nativos? Sem isso acaba restando-lhes a opção pelo fim da dignidade, pois como diria Zé Dantas, cantado por Luiz Gonzaga, "dar esmola a um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha/ ou vicia o cidadão". Sem perspectivas os donos da terra vão vendendo as terrinhas e sendo tangidos para o sertão. Em pouco tempo o dinheiro se esvai. Daí voltam, sem eira nem beira, para o local de origem.
A cultura consumista do Mercado tangirino encanta os jovens e as jovens, que sonham com o fantástico mundo do estrangeiro. As meninas sonham em casamento com os “príncipes ” visitantes. Nada contra esse encatamento teríamos, se a maioria dos que aqui viessem fossem pessoas decentes. Infelizmente, os que aqui chegam vêm atraídos pela indecente promessa do sexo fácil e da interpretação de que ao sul do equador não existe pecado. E essa interpretação é motivada pela “promessa” das bundas estampadas nos postais.
Quem de fato faz tal promessa?! A quem ela interessa? Bem que poderia ser essa a polêmica do tema, a ser estimulada pelas televisões e pelas rádios brasileiras, maiores veículos de comunicação no país. Mas seria perigoso tocar no assunto de forma tão séria, pois estaria mexendo com uma gama de interesses e negócios de “clusters de entretenimento”.
Ora, pois, o turismo sexual e a prostituição infantil são produtos de um perverso “cluster de entretenimento” que se alastra em todos os países da América do Sul. O pior é que em cidades como Fortaleza, por exemplo, além do sexo e “rock’-n’-roll”, cada vez mais apartamentos com vidros à prova de bala e portas blindadas estão sendo vendidos aos ragazzi, “tutti buona gente” do mundo inteiro. Para que tanta proteção, de que e quem eles se defendem? O que estão querendo esconder?
E enquanto isso, vemos – por enquanto só vemos – as meninas e os meninos pôr as mãos nos joelhos, dar uma agachadinha e balançarem as bundinhas. Chega disso. Uma política séria de segurança (e saúde) pública deve ser urgentemente imposta ao setor de turismo e seus atores. Só há uma arte que supera a de bem receber, a de ser bem-vindo. O desrespeito à primeira é problema nosso. E para quem desrespeitar a segunda, que lhe seja, no mínimo, mostrada a porta de saída como serventia da casa.
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