terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Um livro sem o devido crédito na minissérie Maysa


Quem leu a biografia Maysa - só numa multidão de amores, resultado de minuciosa pesquisa (três anos) do jornalista Lira Neto, ao assistir à Maysa - quando fala o coração, minissérie da rede Globo, percebe nas cenas a simples transposição dos contextos escritos no livro. Estranha-nos o fato de não haver o devido crédito ao premiado biógrafo no expediente e nem nas reportagens sobre a minissérie. Será que o talentoso Manoel Carlos age sempre assim ao escrever seus roteiros de sucesso?!

Entre outras "coincidências", o capítulo de estreia começa sua narrativa pelo fim, tal como o faz Lira Neto, na biografia; e também a cena da cantora passando de ônibus em fente à mansão dos Matarazzo é idêntica à do livro. Essas "coincidências" valem muito mais do que uma referência da biografia nos créditos da minissérie como "consulta bibliográfica".

Vamos acompanhar a excelente (podia ser diferente?) minissérie para ver o quanto ainda tem do livro. Proponho a quem não o leu que o faça e também compare. Onde encontrar Maysa - só numa multidão de amores.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Quadrilha - parodiando Drummond

O cenário político de Fortaleza depois da reeleição de Luizianne Lins (PT) configura-se de embates entre os poderes executivo e legislativo municipais. O ingrediente maior dessa disputa é o vice-prefeito eleito, Tin Gomes (PHS), ter conspirado contra a titular para eleger presidente da Câmara de Vereadores Salmito Filho (PT). Ela apoiava Elpídio Nogueira (PSB). Tin Gomes é primo do atual governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), que o indicou para vice. Com isso Cid pôs em xeque qualquer pretensão de Lins abandonar a gestão municipal para disputar um cargo eletivo em 2010, mesmo sendo aliado dela.
Parodiando Drummond, a coisa fica assim: Tin que ama Salmito, que amava Luizianne, que amava Elpídio, que amava Cid, que não ama ninguém...

SALMITO FILHOTE DE GOMES?
Um presidente de qualquer poder legislativo tem de ser independente e agir com muita transparência. Salmito Filho está mais para depositário do caráter do vice-prefeito, que, verdade seja dita, foi, à frente do legislativo municipal, simpático aos interesses da primeira gestão de Luizianne Lins. Filho terá, entretanto, chances de mostrar não ser filhote do Gomes. Ele poderia começar explicando os critérios para definir a escolha dos componentes da mesa diretora e das lideranças das comissões como a de orçamento.

TRANSPARÊNCIA NA VICE-PREFEITURA
Quanto a Tin Gomes, gostaria de saber qual é mesmo a função de um vice-prefeito. Seria bom ele submeter um plano de ação da vice-prefeitura (quando não estiver substituindo a titular) à apreciação da prefeita Luizianne Lins (a quem, de fato e de direito, a população de Fortaleza elegeu, a despeito do vice que lhe foi imposto). Após o aceite da prefeita, seria o plano de ação apresentado aos cidadãos de Fortaleza.

ELEITORES ATENTOS
Uma observação a mais: um legislativo municipal subserviente a um vice-prefeito infiel é prenúncio de golpe. Não queremos um outro Juraci Magalhães. Os eleitores de Fortaleza estamos atentos!

BÍBLICA
Grande foi o Rei Davi, que fez 73 Salmos. Esse Tin Gomes fez apenas um Salmito.

Notícias associadas:

Blog do Eliomar

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Nova Ortografia

Este infográfico sintetiza as principais mudanças do Novo Acordo Ortográfico em prol da unificação da língua portuguesa.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Minissérie Maysa na Globo

Depois de "ressuscitada" pela competente biografia escrita pelo jornalista Lira Neto, a vida da cantora Maysa vira minissérie na Globo, dirigida por Jaime Monjardim, filho da puava artista que tinha o espírito bem avante de seu tempo. Impressiona a semelhança dos atores do seriado com as pessoas da novela real que foi a vida da musa-estopim da música brasileira. Confira as cenas.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Tamboril - uma cidade leitora

A 1ª Minimaratona de Contação de Histórias de Tamboril, promovida pela Casa do Conto, revela ser a cidade um celeiro de talentos. Foram intensas três horas de narração de contos, músicas, adivinhas e declamação de poesia. Participaram do evento crianças, pré-adolescentes, adolescentes, adultos e melhor idade. A sociedade tamborilense se fez representar por seus cidadãos e cidadãs (de todas as idades), líderes comunitários, diretores escolares e representantes dos gestores locais. O prefeito de Ocara, em visita a sua cidade natal, também se fez presente. A família de Tamboril se reuniu numa festa de incentivo a leitura e solidariedade, uma vez que a minimaratona também lançou a campanha "Histórias por um Natal sem Fome", que consta de uma série de eventos de contação e das ações do Clube de Leitura da Casa do Conto em Tamboril.
Confira as fotos: clique.
Leia também: Lamparina de histórias

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Casa Ilustrada


O SESC em parceria com as Edições Casa do Conto promove, em comemoração à Semana da Criança, a exposição Casa Ilustrada, na Galeria de Arte da sede na Clarindo de Queirós. As escolas podem agendar visita para o bate-papo com a curadora da exposição, Nathália Forte.

A Casa Ilustrada expõe imagens de livros das Edições Casa do Conto, editora especializada em literatura para crianças. Ela é o segmento editorial de uma associação sem fins lucrativos formada por escritores, artistas plásticos, contadores de histórias e educadores para promover a leitura como forma de inclusão social.
Os livros da Casa do Conto nascem da arte do escritor e do ilustrador. Ao serem lidos, eles ganham a vida na imaginação dos leitores. A exposição reúne, portanto, a emoção de vários artistas: a do artista da palavra (o escritor), a do artista plástico (o ilustrador) e a do artista leitor (você).
A Casa Ilustrada lança um desafio em forma de brincadeira. Expõe a imagem sem o texto, a fim de que você leia o sentimento do ilustrador nas cores e formas, e – melhor ainda – sinta nas ilustrações a emoção por você mesmo. Depois, eis o desafio, expresse em palavras o que sente.
Cumprido o desafio, resta a leitura do livro; esta, porém, é uma outra história…
Mas você, leitor, tem toda a liberdade para sentir e, se quiser, não dizer nada.
A sua presença já é para nós uma grande emoção.
Kelsen Bravos
Editor

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

MAIS RESPEITO!

A continuidade de Luizianne Lins na PMF é substantiva, significa a prática do Orçamento Participativo (excelente caminho para democracia direta), a realização das obras planejadas, negociadas, orçadas, licitadas, enfim prontas para acontecer.
Há eloqüente lista de obras (todas previstas pela gestão atual) que mereciam ter sido melhor debatidas. Não o foram, o que ocorreu foi um festival de agressões, uma grosseria, que o eleitorado de Fortaleza (um dos mais conscientes e qualificado das Américas) não aceita!
(Atenção candidatos: para ganhar eleição em Fortaleza, precisa ter conteúdo, nada de bazófia, messianismo, paternalismo e estrionismo! Mais respeito, por favor!)
Um segundo turno bem seria saudável; mas a falta de propostas e um debate mais objetivo sobre Fortaleza frustrou o eleitor que parece optar decidir a eleição no primeiro turno.
Seriam bons nomes para um segundo turno com Luizianne Lins: Renato Rosendo ou Patrícia Saboya.
As demais candidaturas precisam primeiro levar-se mais a sério. Sérgio Braga é um bom quadro político (nem teve tempo de falar), Barreto perdeu-se na ironia de um rancoroso discurso (poderia ter sido mais inteligente, e isso ele o é; mas o rancor embotou-lhe o raciocínio); Carlinhos, uma liderança que merece respeito, cumpriu o objetivo de divulgar o partido. Júnior parece não saber o que é administrar uma cidade, suas bandeiras são a de um pleito para grêmio escolar. Os demais não merecem comentários de minha parte, porque desrespeitam demais o eleitor: falam muito em vão o nome do povo e o nome de Deus.
Vergonha na cara faz bem e dá voto.

domingo, 7 de setembro de 2008

7 de Setembro

Desfile militar, a parada, feito pelas forças armadas, polícia, bombeiros e afins é tradição. Todo ano deve acontecer. É até bonito.
Agora... deploráveis são as escolas comemorarem o 7 de Setembro com uma parada militar. Quando é que a Educação vai se tocar de que há muito este país deixou de ser um quartel?!
Precisamos de manifestações cívicas, patriotas sim, para fortalecer o sentimento de posse e auto-estima, de CIDADANIA da nação brasileira. O que um desfile militar promovido pelas escolas ajuda nisso?!
Que Educação, hem?!
Alguém conhece uma escola que faça diferente?

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Viva, Waldick!

Waldick Soriano habita o lado bom de minha memória afetiva.
O jornalista Xico Sá dá o tom a ele numa bela e boêmia crônica.
No Globo.com confira entrevista com o ídolo.
(Foto: folha online)

segunda-feira, 7 de julho de 2008

terça-feira, 17 de junho de 2008

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O meu amor plural



Dia 23 de abril, dia do meu amor plural.
O meu coração já estava mais que ateu, mudava de fato de calçada quando me aparecia uma flor. Mais do que jardim sem luar, eu era só desamor. Quando a Lídis me (re)apareceu, desaguou torrencial (e ainda está desaguando) em mim o seu amor. Iluminou meu pântano, alimentou meu mangue, fortaleceu meu rio. Desde então venho me oceanando cada vez mais de seu sou, de sua alegria; e, deste mar, me reverto a ela, rio às avessas, com o meu sou, com esto plenilunar. Ela é minha constância e instabilidade, minha guerra e minha paz, minha robustez e minha debilidade, minha paixão e meu amor.
Agora somos mais Vida. Aguardamos Luísa Moura Bravos para início julho.
Meu amor é plural.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Leitura muuuito interessante...

Por Amor à Mestiça Deusa do Sol

Dia 13 de abril, Fortaleza faz, oficialmente, aniversário. Na sexta-feira, dia 11, artistas da capital do Ceará, em cortejos vindo de vários lugares, encontram-se na Praça do Ferreira, tida como o Coração da Cidade. A idéia é declarar à Mestiça Deusa do Sol amor em forma de maracatu, circo, quadrilhas juninas, boi, dança, bonecos gigantes, tambor de coboclo e muita música. Leia mais .
(Fonte: http://www.fortaleza.ce.gov.br/)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Prêmio Casa do Conto

No dia 25 de março, o projeto Casa do Conto aniversaria. Neste 2008 completa seis anos. No vídeo acima, de 2005, a direção executiva fala a representantes do público da ONG Casa do Conto, pais, crianças, líderes comunitários e professores.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Intertexto 3

Cluster de entretenimento


Para pôr fim ao turismo sexual no Brasil, precisa-se mais do que leis proibitivas. Fazer cumprir a lei e punir exemplarmente já seria um bom começo. Mas é pouco. Deve-se investir na geração de emprego e renda das pessoas locais. Proporcionar a oportunidade de elas serem gestoras do turismo, em vez de considerá-las entraves aos milionários projetos internacionais, ou, pior ainda, em vez de utilizá-las como objetos de consumo, “vendendo-as” como parte do pacote turístico. Falamos assim, porque com freqüência flagram-se apelos inescrupulosos que envolvem até adolescentes e, pasmem, crianças.

A questão é que os apelos desse tipo de turismo encontram raízes históricas. A parte doentia da civilização européia (que com o passar dos séculos só aumentou), plena de taras sociais, inclusive o (falso) moralismo exacerbado, viu no “Novo Mundo” um “paraíso” para suas perversões (sociais, econômicas e carnais). A tal representação daquela civilização interpretou como uma afirmação libertina a frase "não existe pecado do lado de baixo do Equador”, registrada a primeira vez por aqui pelo historiador da Companhia das Índias Ocidentais Gaspar Barleurs, autor de História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil.

Luz no tunel
Em outubro de 2005, o Rio de Janeiro foi palco do Fórum Mundial do Turismo, que discutiu, entre outros temas, a “Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. Dados da CPI da exploração sexual infantil, propalados na ocasião, já constatam esse fato em outras regiões brasileiras. O Nordeste, por exemplo, está sendo o destino mais freqüente do prostiturismo. Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco estão entre os principais roteiros. A apresentação desse diagnóstico só demonstra a vontade brasileira de combater quadro tão desolador. Talvez por conta disso, o Brasil não esteja mais sozinho nessa luta. Quase toda a América do Sul, (Uruguai, Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana e Suriname). Ao todo doze países firmaram compromisso de parceria na luta contra esse crime. Investem na prevenção como arma de combate ao turismo sexual e contra a prostituição infantil.

A luta, entretanto, se anuncia árdua, pois enfrenta todo um conglomerado lastreado em negócio vendido como “paraíso dos prazeres proibidos ao sul da linha do equador”, que gera muita riqueza aos investidores e miséria social ao local explorado. As empresas já andam até se mimetizando em algo saudável autodenominando a associação de suas ações mercantis de cluster de entretenimento, que, se levado a sério, não deixa de ser um conceito interessante; mas o problema é que quem está no comando são sempre os mesmos.

Cluster de entretenimento
Um cluster de entretenimento consiste na integração de vários segmentos de lazer e cultura, música, esporte, gastronomia, por exemplo, à área de turismo. Requer parceria entre o setor público e o privado. Ambos cumprem papéis que devem ser bem-definidos. Uma das exigências, porém, é contar com empresas de competitividade e padrão internacionais. Este fato exclui a maioria das empresas nacionais, pois competitividade num mundo globalizado significa padrões internacionais. Sem regras claras que garantam vantagens sociais aos nativos, os paraísos podem acabar como está hoje o Rio de Janeiro, numa Guerra Civil, ou como Paris que atualmente sofre uma revolta dos excluídos. Nesse novo tipo de organização de mercado, o papel do Estado é: definir as regras econômicas que garantam a estabilidade necessária aos investidores, e fiscalizar as ações dos investimentos quanto às garantias sociais do projeto, à valorização do nativo. Sempre a primeira parte é atendida em detrimento da segunda.

Ascensão e consolidação social nativa
O Ceará é um exemplo eloqüente disso. Há alguns anos o Estado vem preparando infra-estrutura necessária aos investidores. Construiu excelentes autovias de ponta a ponta de seu extenso litoral. Mas os projetos sociais associados a essas vias turísticas para os cearenses dessa imensa orla, entretanto, quase inexistem. Os nativos de fato estão sendo é tangidos pelos “resorts”, cujos donos sequer falam bem o português; mas dominam o francês, o inglês, o espanhol e o italiano. Mais do que de acesso a pontos turísticos essas estradas, deveriam ser vias de ascensão social para os nativos. Mas o que ocorre é a descaracterização da fonte de renda tradicional e geram o subemprego que lhes é oferecido. Em vez de trabalhadores (de serviços gerais à gerência) ou donos do negócio os nativos, os donos do lugar, são transformados em serviçais, seja na cozinha, nos jardim ou nos serviços gerais.

Educação
Alega-se, e com certa razão, que a maioria não tem formação especializada sequer para ser trabalhador, daí, serviçais. E o estado não apresenta política de educação para este fim. Daí a pergunta: que projetos sociais beneficiam os nativos? Sem isso acaba restando-lhes a opção pelo fim da dignidade, pois como diria Zé Dantas, cantado por Luiz Gonzaga, "dar esmola a um homem que é são/ ou lhe mata de vergonha/ ou vicia o cidadão".

Sem perspectivas os donos da terra vão vendendo as terrinhas e sendo tangidos para o sertão. Em pouco tempo o dinheiro se esvai. Daí voltam, sem eira nem beira, para o local de origem. A cultura consumista do Mercado tangirino encanta os jovens e as jovens, que sonham com o fantástico mundo do estrangeiro. As meninas sonham em casamento com os “príncipes ” visitantes. Nada contra esse encatamento teríamos, se a maioria dos que aqui viessem fossem pessoas decentes.

Infelizmente, os que aqui chegam vêm atraídos pela indecente promessa do sexo fácil e da interpretação de que ao sul do equador não existe pecado. E essa interpretação é motivada pela “promessa” das bundas brasileiras estampadas nas propagandas turísticas. Quem de fato faz tal promessa?! A quem ela interessa? Bem que poderia ser essa questão debatida pelas televisões. Mas, creio, seria perigoso tocar no assunto de forma tão séria, pois estaria mexendo com uma gama de interesses e negócios de milionários “clusters de entretenimento”.

Ora, pois, o turismo sexual e a prostituição infantil são produtos de um perverso “cluster de entretenimento” que se alastra em todos os países da América do Sul. O pior é que em cidades como Fortaleza, por exemplo, além do sexo e “rock’-n’-roll”, cada vez mais apartamentos com vidros à prova de bala e portas blindadas estão sendo vendidos aos ragazzi de todas as nações(sobretudo portugueses, espanhóis, italianos), “tutti buona gente” do mundo inteiro. Para que tanta proteção blindada, de que e de quem eles se defendem? O que estão querendo esconder?

Enquanto isso, vemos – por enquanto só vemos – as meninas e os meninos pôr as mãos nos joelhos, dar uma agachadinha e balançarem as bundinhas. Chega disso! Uma política séria de segurança (e saúde) pública deve ser urgentemente imposta ao setor de turismo e seus atores.

Só há uma arte que supera a de bem receber, a de ser bem-vindo. O desrespeito à primeira é problema nosso. E para quem desrespeitar a segunda, que lhe seja dada severa e exemplar punição, e que seja divulgada em todo mundo, para que saibam que no Brasil não toleramos desrespeito à nossa família, à nossa sociedade.

Intertexto 2

Reproduzo aqui Carta Aberta da Sociedade Tremebé São José e Buriti, veiculada pela Internet, embora questione o argumento: "É da caça, da pesca e da agricultura que vivemos".

"ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA (ANPUH) - SEÇÃO CEARÁ -
Caixa Postal 12179. Agência Benfica. Fortaleza-CE. CEP. 60.200-180
anpuh_ceara@yahoo.com.br

SOCIEDADE TREMEMBÉ SÃO JOSÉ E BURITI
C A R T A A B E R T A AOS AMIGOS APOIADORES DA NOSSA LUTA

Nós, Tremembé das Comunidades São José e Buriti, distrito de Marinheiros/Baleia, município de Itapipoca, no Ceará, somos originários de Almofala, em Itarema, e estamos comunicando o sofrimento que estamos vivendo.

Mais pratasmente nossas terras foram invadidas e nós vivemos como escravos, pagando renda exorbitante, humilhados e mal tratados. Foram vários proprietários: Major Carneiro, Euclides, Zulmira e Zé Maria, Dr. Prata e desse para a empresa Nova Atlântida. A Empresa tem cinco escrituras registradas em cartório de cidades do Ceará. - terra indígena, invadida.

Desde 2002 enfrentamos uma luta pesada contra essa empresa que quer construir uma cidade turística internacional em nossas terras. Podemos dizer que já foi dado início às construções pela empresa, mesmo contra a liminar em Ação Civil Pública a nosso favor, do Ministério Público Federal. Eles estão se aproveitando da situação da nossa terra ainda não estar demarcada pela FUNAI. Pretendem expulsar nossas famílias das nossas terras de origem para outro lugar.
As nossas comunidades são cheias de belezas naturais: matas, lagoas, rio. manguezal, água limpa, ar puro, e não aceitamos esse mega projeto, não queremos ver nossas águas poluídas, nossa mata devastada, nossos animais mortos. É da caça, da pesca e da agricultura que vivemos.
Como estamos lutando contra essa invasão na Justiça, essa empresa está fazendo tudo para nos amedrontar, pois foram capazes de colocar parte dos nossos parentes contra nós, mesmo em troca de dinheiro. Contam com o apoio da prefeitura de Itapipoca e do governo estadual. Mas não desistimos de lutar, enfrentamos perseguições frente a frente com nós, lideranças Tremembé.
Desde o início sofremos ameaças e agressões de policiais militares da 3ª. Cia. de Itapipoca, da Comarca de Trairi, e de Fortaleza, contratados pela empresa. Pessoas agredidas fisicamente: crianças, idosos e mães de família, ameaçadas (os) de atropelamento pelos bugres da empresa em nossa estrada, fotografando e apontando as casas das lideranças. Denunciamos sem solução.
Já entupiram a cacimba de um idoso, fizeram ameaças de morte a um grupo de oito índios, nossos parentes, quando desentupiram a cacimba. Nós estamos impedidos de ir ao rio, ao mar, às nossas camboas, onde pescamos para sobreviver, porque a empresa colocou cancelas impedindo o acesso. Uma ameaça recente: um policial conhecido por Marinho, militar reformado, além de viver amedrontando as famílias que resistem à empresa, bateu no jovem Djacir Santos de Oliveira, conhecido por 'NEGO' porque esse rapaz e mais três tentaram tirar uma lombada na nossa estrada, com tocos de pau e arame, que está prejudicando as crianças que vão para a escola. O Nego reclamou ao vigia da empresa, foi quando o Marinho chegou, botou o carro por cima e foi logo agredindo o rapaz. Ainda puxou a pistola mas caiu no chão. Deu uma coronhada na cabeça do Nego e quebrou seu ombro O rapaz está bastante machucado e consta na comunidade que está ameaçado de morte pelo mesmo Marinho que anda armado, com dois capangas.
Agora a empresa está perseguindo nossos apoiadores: o Professor Dr. Jeová Meireles, da UFC, por ter dado parecer técnico da situação da nossa terra, juntamente com a Profa. Marcélia Marques, antropóloga, da UECE, que identificou cinco sítios arqueológicos na nossa terra.

Diante disso, e dos fatos novos revelados em jornais nacionais, a decisão do juiz federal em Sobral, que determinou o embargo da construção de uma pequenina casa de farinha em nossa terra, pedimos o apoio de vocês, nesta hora tão difícil. Antes que haja uma desgraça com o nosso povo.

Nossos agradecimentos, nossas saudações.

Itapipoca-Ceará - Nordeste do Brasil, 20 de outubro de 2007.

Ninno Amorim"

Intertexto 1




I.

NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!

EDUARDO ALVES DA COSTA
Niterói, RJ, 1936


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II.
INTERTEXTO

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei.

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

BERTOLD BRECHT
Augsburg-1898 - Berlim-1956

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III.

Als die Nazis die Kommunisten holten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Kommunist.

Als sie die Sozialdemokraten einsperrten,
habe ich geschwiegen;
ich war ja kein Sozialdemokrat.

Als sie die Gewerkschafter holten,
habe ich nicht protestiert;
ich war ja kein Gewerkschafter.

Als sie die Juden holten,
habe ich nicht protestiert;
ich war ja kein Jude.

Als sie mich holten,
gab es keinen mehr, der
protestieren konnte.

MARTIN NIEMÖLLER – símbolo da resistência aos nazistas
Lippstadt - 1892-1984.
(precisa traduzir?)