Seria impossível chegar a casa antes do início do debate entre presidenciáveis, ligo, então, para o poeta Vessillo Monte e o convido para um encontro extraordinário no Botequim. O destino conjurou mesmo para que fosse assim excepcional o 16 de outubro de 2014, pois o poeta não só aquiesceu como anunciou a vinda também do doce gigante Flávio San. Ele iria ter conosco depois de sair do trabalho. Chegara o dia de conhecê-lo pessoalmente. Grato encontro.
A conversa fluía divertida, quando vimos na televisão as imagens iniciais do tal debate. Pedimos para altear o som. Bem diferente de nossa conversa, a pugna entre Dilma e Neves começou tensa e foi gradativamente ficando irritante. Surpreso, constatei estar o poeta deveras interessado pelo contexto político eleitoral, ao ponto de tomar partido e indignar-se com a demagogia de Aécio Neves. San, o doce gigante, quedou sossegado ao perceber as mesas vizinhas, segundo ele, todas dilmadas - garantia de nenhum contratempo. Melhor assim - disse.
Apesar de tenso, o debate foi quase irrelevante em apresentação de programas e propostas da canditadura de cada um. Dilma reafirmando dar seguimento ao excelente caminho político adotado em sua gestão e Neves dizendo que faria a mesma coisa mas, segundo ele, de forma melhor.
Assim sendo, concluímos - como todas as pessoas de bom senso - ser melhor dar continuidade ao projeto de Brasil do atual governo. Mudar não vale a pena. Time que está ganhando não se muda. Até porque os projetos são bem distintos, embora Neves minta e omita o quanto de submissão da soberania nacional ao mercado tem o projeto de Brasil do PSDB.
A tensão do debate se deu pela exigência de se esclarecer questões atinentes a desvios de condutas e corrupções no histórico de cada um. Toda vez que Dilma Rousseff pedia esclarecimento, Aécio Neves fugia alegando ser mentira, que nunca ele cometera nepotismo, jamais arrombara a Saúde de Minas em cerca de 4,5 cinco bilhões, não havia ilegalidade no aeroporto de uso privado construído com verba pública, admitiu, entretanto, ter dirigido alcoolizado, e retrucou que Dilma ofendia Minas ao constrangê-lo com os pedidos de esclarecimentos. Alegou querer discutir propostas e não sua vida pessoal.
Neste momento Vessillo Monte se indigna e advoga ser necessário sim tal esclarecimento. Lembrou, citando Roma antiga, a razão do termo "candidato", palavra que vem de cândido cujo significado em latim quer dizer branco. Justamente a cor das roupas dos homens públicos romanos e de quem aspirava exercer função pública. Senadores, por exemplo, sempre se vestiam de branco a fim de à luz do dia ou à escuridão da noite, o branco se destacasse e todos soubessem dos passos dos homens públicos, afinal eram responsáveis pela gestão do Estado Romano.
Outrossim, de Aécio Neves e Dilma Rousseff nenhuma atitude nem o seu histórico podem ficar às escuras, afinal ambos são CAN-DI-DA-TOS! Quanto aos hábitos de cada um, eles têm de vir à luz, pois o Brasil traz no artigo quarto do seu Código Civil que ébrios contumazes, viciados em tóxicos, dementes sem discernimento, entre outros, são incapazes de assumir e exercer certos atos, o que se dirá do de governar a Nação Brasileira! Tem de esclarecer sim, CAN-DI-DA-TO!- esbravejou o poeta.
O mais irritante foi Aécio Neves reiterada vezes falar em vão o sagrado nome de Minas, como se ele fosse Ela. Logo ele que lhe traiu a confiança depositada nas urnas! Minas Gerais é sim sagrada para todos nós brasileiros e conhece bem o dano causado por traidores da Nação Brasileira, Joaquim Silveíro dos Reis, por exemplo, inconfidente que traiu Tiradentes e a Conjuração Mineira.
Minas Gerais é Brasil. O povo mineiro é brasileiro. Vivemos uma democriacia de orientação laica, sagrada então é sua Nação. Toda vez que o "serial big lie" Joaquim Aécio Silvério Neves dos Reis fala em vão o sagrado nome de Minas, todo o Nação Brasileira sente um forte nó na garganta! Vamos gritar e reafirmar nossa libertação nas urnas!
Ao final do debate, vimos Dilma
passar mal. Nesse instante, deve ter-lhe aflorado a Santa
Ira, ressaltou Flávio San, alegando ser difícil qualquer pessoa de boa-fé suportar
incólume tamanha desfaçatez. Até ele, o Doce Gigante, fleumático até para
espantar moscas, ao ver a cara lisa do "serial big lie" Aécio Neves,
ao fim do debate, apertou que partiu o copo, assutando-nos. Pediu descupas. Se
eu estou indignado a este ponto imagino a presidenta. Aguentar tanta mentira,
tanto cinismo não é fácil. Entendo perfeitamente a Dilma. - ponderou Flávio
San.
Por compromissos de pai e marido zeloso, pouco depois do debate tive de me despetir mais cedo da libação. Flávio San efusivamente estendeu-me a mão. Lembrei-me do copo quebrado e lhe dei um forte abraço.