Na conversa fiada que corria solta, Vessillo Monte rememora fatos ontológicos de gente merecedora de registro na memória de nosso Botequim. Lembramos vários. Um deles lhes conto assim:
Forjado no lesco-lesco do jornal da família, cumpriu longos estágios em todos os setores. Passou da manuteção das rotativas à presidência de um dos mais importante noticiosos do Brasil, condição para qual muito contribuiu. Varava os quatro cantos do mundo a sua fama de excelente negociador.
Todos declaram que ele deixava para o momento do até-logo o grande fecho e real interesse do contrato. Às vezes, seguia com os negociadores até o estacionamento...
Pois esse famoso empresário de comunicação do Ceará, depois de uma longa conversa com investidores, seguiu do estacionamento até um vicinal botequim tipo pé-sujo. Entrou com os figurões e pediu doses de uisque, sem parar de conversar, sempre olhando-os com atenção.
Ao vê-los entrar, Marquinhos, trabalhador gráfico de muitas histórias, evitando ser surpreendido da fuga do expediente para tomar umas cachacinhas, encolhe-se todo atrás de uma coluna, espremendo-se entre ela e o balcão.
Depois de duas rodadas de uisque, o patrão, que ficara de costas para ele, pagou a conta e seguiu com os empresários até o estacionamento. Onde deu dois tapinhas no ombro de cada um. Conta a lenda dos tapinhas que, se eles foram dados, os negociantes cederam aos argumentos do jornalista.
Espreguiçando-se para aliviar as caimbras em razão de tanto tempo encolhido, Marquinhos pede a conta. Ao que o dono do botequim informa já ter sido paga pelo patrão com acréscimo de mais duas.