*Chico Araujo
16/05/2017
A bem da verdade, a pergunta que intitula esse breve texto insistentemente me acompanha. Insurge-se e se impõe como pensamento dominador que não consigo afastar de pronto; ela somente vai se dissipando quando, por necessidade dos meus próprios passos, vou trilhando a minha sina.
Enquanto não, ela me faz olhar e olhar e olhar o ir e vir das pessoas nas ruas e avenidas e praças por onde vou também passando... Ela me vai martelando o juízo, insistente, sem-cerimônia: “Para onde vão essas pessoas em seus dias”?
Há inegável desencontro de caminhadas nos destinos vários de tanta gente transitando por espaços diversos a cada novo dia, a cada nascer de manhã nova. Intimamente, ruminando na aflição da não resposta, construo forte desejo de que todos consigam alcançar o lugar para onde se projetam. Inclusive eu.
Não duvido de que esse meu pensar sobre supostas e possíveis direções diversas devam-se apenas ao fato de que essas tantas pessoas as quais vejo passar umas pelas outras – algumas vezes seus corpos se esbarrando na velocidade de cada passar – se desencontram por não haver ponto de incidência a envolvê-las em um momento delas... entre si. Cada uma vai ao abraço do que lhe cabe abraçar. Inclusive eu.
Então, eis que me distancio delas, naturalmente, para deitar sobre o chão as marcas de meus próprios rastros. É nesse instante em que, aflito por não saber resposta para a pergunta insinuantemente constante, desejo, em oração singular, que cheguem em paz onde precisem chegar. Inclusive eu.
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Chico Araujo, poeta, ficcionista, compositor, intérprete, escreve aqui toda quarta-feira.

