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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Novela: Eleições na Mitomanolândia... 4

Epsódio: Do anjo corneteiro, arauto da (in)segurança, ao senhor do caos...

... e continua a novela nas eleições da Mitomanolândia...

... enquanto o candidato, arremedo de Visconde de Sabugosa, submisso ao Marquês de Rabicó, se afasta do botequim do Zé, chegam ali, abraçados, mais dois candidatos, para os quais ele perde em demagogia...  um serve de cicerone ao outro, pois o outro, há tanto tempo dela distante, não conhece mais a cidade...

A conversa em tom amigável busca o conchavo entre ambos. O cicerone fala manso com a mão sincera no ombro do amigo:

- Mas, homem ... Mas, homem não, senhor! Mór, rômi... Vou falar com você em cearês mesmo. O que num entender, pergunta que eu explico... então...

Mór, rômi, num é assim que se esfola um bode não, macho! Esse negócio de segurança, de votar com coração, votar em quem tá do lado do povo... vindo de você, macho, num cola, nãaaaao. O povo repara nas "coisa", hômi. 

Óia, macho, tem de falar que vai olhar bem nas bila dos zói deles e dizer que vai ajudar, e dizer assim: DEIXA QUE EU RESOLVO! Esse povo quer é ajuda e num precisa ser muita não, qualquer coisa serve. O importante é abraçar e dizer que vai fazer... e a gente num pode esquecer disso nunca, viu? Depois faz qualquer coisinha... um empreguim aqui outro ali. De veeeez em quando, a gente faz um favorzão exemplar e mostra para todo mundo, desse modo você atende apenas a um eleitor muito bem e acende o desejo nos muitos que estão esperando, viu? Entendeu, macho?! assim mantém todos eles aqui chegadim a nós. Aprende, macho!

- Entendi. Mas não sei é como vou fazer pra agradar o povo sem desagradar o homem que me mandou vir lá do além-mar  para me candidatar e tirar voto de quem quer fazer a verdadeira mudança na Mitomanolândia...

- Mór, rômi, é só fazer como eu disse, promete muito, faz pouco, depois ajuda de verdade exemplarmente só um, com isso levanta a expectativa dos outros e pronto fica no abraço, na promessa e no oba-oba...

- Pois é... Esse negócio de prometer e fazer acreditar quem faz muito bem é o candidato Visconde de Sabugosa que é opositor do nosso patrão... 

- Mór, rômi, que opositor que nada, você nem imagina o bem que ele nos está fazendo...

- ... e de mais a mais a única coisa que eu tenho para prometer para esse povo e não cumprir é segurança. Delegado que sou, já fiz isso, já fui eleito por isso e nunca fiz nada do que prometi por essa Mitomanolândia... [disse o candidato numa crise perigosa de verdade.]

O que fiz muito foi cena, e estava dando certo até que prenderam um tal de cabo que sabia demais e me ameaçou muito. Ele estava preso e nem me preocupei, que bandido preso e algemado comigo não tem vez! Acontece que o cabo fugiu e parece que foi pra França, eu logo tratei de ir pro Canadá e desde então não tenho paz. Até dormindo fico me lembrando do cabo e da França, do cabo e da França e é a noite inteira: cabo, França, cabo, França... Barbaridade! Que agora me deu arrepio, tchê!... Um caos toma conta de mim. E não da cidade como quer o nosso patrão. Ele quer que a cidade vire um caos, para ele aparecer e resolver.

Mas a minha dúvida é saber quem mais está com ele, por exemplo, tem esse com cara e discurso do Visconde de Sabugosa, que se eleito, não fará outra coisa senão transformar essa cidade num caos. Tem aquele outro com cara de Gato de Botas...

- Pois então... é assim mesmo. Mór, ròmi, num se preocupe não, macho, pois quero que não se preocupe com isso. Deixe que eu resolvo. Caos é comigo mesmo. E já entrei na política tangendo o curral eleitoral que herdei. Fique tranquilo e vá se esconder, vá. Mas antes me dê cá um abraço e seu voto!

Mór, rômi, num esqueça de pedir pro seus eleitores que votem me mim, viu?

Agora vá, vá, siga em paz, avia, rapaz, que tenho de falar ainda com esses dois que nem nas pesquisas entram...

...

Abalado o delegado fugitivo, se vai pensando num certo Livro, entregue a Joseph Smith por anjo chamado Morôni... e sente-se o próprio ser de luz e lamenta: "Deveria ter me associado ao candidato que está precisado de luz..." Mas decide-de pelo candidato Visconde de Sabugosa e ao encontrá-lo o vê conversando com um ... o que seria mesmo aquilo... um... rabicó? Será?!...

Aguarde as cenas dos próximos capítulos... 

domingo, 30 de setembro de 2012

Novela: Eleições na Mitomanolândia... 3

... e continua a novela Eleições na Mitomanolândia...

... E aquele candidato logilíneo que se coloca como arauto da democracia direta, que fala com o jeitão do Visconde de Sabugosa e tem um monte de Emília como cabo eleitoral, nem se assustou com o coro de "abestado, abestado, abestado", destinado ao candidato para chamar de seu...

Experiente, passado na casca do alho, o vetusto jovem candidato não se assustou porque, quando uma mensagem é repetida intermitentemente, o seu sentido se esvazia para quem a ouve.

De mais a mais o foco dele é outro. Pleiteia uma nova sociedade, questiona o atual sistema, combate o capitalismo, o neoliberalismo, qualquer forma de ismo que não o da participação direta da sociedade civil organizada.

Na sua lógica, até o atual processo eleitoral é questionável; mas se candidata por ele, obviamente torcendo para não ser eleito (merece por isso bem mais pontos percentuais nas intenções de votos para prefeito da Mitomanolândia).

Não quer ser eleito, porque se sabe bom só no discurso, que aparece bem articulado, mas sem nenhum senso prático.

Quanto mais teoriza, quanto mais tergiversa, mais cresce em importância a seus eleitores, tal qual o numeral um em relação à quantidade de zeros a segui-lo, para quem, aliás, as ideias do candidato são a luz no fim do túnel, um bálsamo, uma panaceia para o coração (eu disse coração, viu?) político desesperançado de seus eleitores.

Promete a utopia, e se candidata em um processo eleitoral que condena. E deve torcer muito para não ganhar, pois se eleito, não governa, porque não terá maioria na câmara de vereadores. Engana seus seguidores fazendo-os acreditar num mundo melhor, negando e prometendo (negando e prometendo, repito) o impossível.

Na prática isso que ele faz não tem outro conceito senão aquele definido pela associação de propostas e declarações que não podem ser postas em prática, feitas apenas com intuito de obter benefício eleitoreiro ou de popularidade para quem as promete. E esse conceito não é outro, senão demagogia.

Mas se redimirá se assumir que sua candidatura tem apenas o caráter mobilizador e educativo sem intenção de assumir a gestão, que quer apenas eleger de novo vereador o guru demagogo de seu partido. Mas aí não estaríamos falando mais das Eleições na Mitomanolândia.

...

Ouvindo ainda o "abestado, abestado, abestado" proferido em coro ao candidato para chamar de seu pelos fregueses do botequim do Zé, onde há os melhores queijos e paçoca, o logilíneo candidato súbito estancou o passo e tomou outro rumo, pois viu que ali também chegavam , abraçados, mais dois candidatos para quem perdia em demagogia...  um servia de cicerone, pois o outro não conhecia a cidade, devido a tanto tempo que dela ficara distante...

Aguarde os próximos capitulos...

[Dedico este capítulo ao poeta romano Carlo Alberto Salustri] 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Novela: Professores e Professoras a Palácio

Pronto. Agora está nas mãos do Poder Legislativo legitimar a seguinte situação:
AVISO: Qualquer ficção com realidade será mera semelhança.

Síntese da novela: Professores e professoras a Palácio

Capítulo 1:
A categoria dos professores e professoras do Estado do Ceará, reunida com o Palácio da Abolição, negocia o Piso Salarial. Em um intervalo da reunião, as professoras e os professores se retiram da sala para tomar um chá, cafezinho, ir ao banheiro. Porque sabiam que na sala só havia gente de bem, deixaram suas carteiras, bolsas todas lá. Ao voltarem receberam a informação de que receberiam o piso. Festejaram; mas ao chegarem em casa, perceberam que em suas carteiras e bolsas faltava exatamente o valor correspondente ao que foi acrescido em seus salários para complementação do tão sonhado Piso Salarial.

Capítulo 2:
Era exatamente a soma da regência de classe e outras gratificações recebidas por meio de lutas históricas em prol da valorização da carreira do magistério. Entraram em greve para reaver seus direitos adquiridos e garantir melhor salário, conforme determina o Supremo Tribunal Federal. Entretanto, resultante de um conciliábulo, a greve dos professores é decretada ilegal e a Justiça manda-os voltar às atividades. Recusam-se, e gritam o lema: "Da minha carreira não abro mão, estamos em greve defendendo a Educação". 

Capítulo 3:
Comovido com a situação dos professores o Palácio da Abolição lamenta não poder atender a reivindicação da categoria sob o argumento de que não há verbas suficientes no orçamento. A categoria propõe que o Palácio da Abolição recorra ao Ministério da Educação, pois o Governo Federal tem recurso para complementar o orçamento de Estados e Municípios para pagar o Piso Legal ao Magistério. Em vez disso, o Palácio da Abolição resolve substituir a proposta de tabela de pagamento anterior e envia ao Poder Legislativo a Mensagem Nº 7.295/2011. A tabela proposta na mensagem, segundo avalia a categoria, é pior ainda do que a primeira, que já era muito ruim. Enquanto isso, escolas vão sendo construídas, a oferta de matrícula aumenta, contraditoriamente, o trabalho do professor cada vez mais se desvaloriza e milhares de alunos ficam sem aula.

Capítulo 4:
Cabe agora ao Poder Legislativo, em nome da democracia, postergar a votação da Mensagem Nº 7.295/2011 e recomendar que o Palácio da Abolição recorra à suplementação a que tem direito junto ao Governo Federal. Desse modo crianças, adolescentes e adultos, alunos e seus familiares, todos os responsáveis, eleitores que são, vão lembrar de cada nome e de como a sociedade civil é tratada por suas legislaturas e pelo Palácio da Abolição. Como será que o Poder Legislativo vai deliberar? Vai respeitar os eleitores ou se submeter sem autonomia ao que ordena o Palácio da Abolição? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Veja íntegra da Mensagem Nº 7.295/2011