Que gemam as dobradiças da casa cheia de flores
que sangrem os pescoços de galinha morta
a se debater pendurada por cordel em porta
por mão de quem manteve em silêncio suas dores
Que chorem as asneiras da mata particular
que revoem os colibris do alto da trepadeira
a beijar o néctar de uma vida inteira
plantada por mão de quem só soube amar
Que caiam as folhas da rosa mangueira
que se canse de nutrir tantos ais
a ouvir canções dos dias de quintais
em toadas de mãos que sugaram sua seiva
a se debater pendurada por cordel em porta
por mão de quem manteve em silêncio suas dores
Que chorem as asneiras da mata particular
que revoem os colibris do alto da trepadeira
a beijar o néctar de uma vida inteira
plantada por mão de quem só soube amar
Que caiam as folhas da rosa mangueira
que se canse de nutrir tantos ais
a ouvir canções dos dias de quintais
em toadas de mãos que sugaram sua seiva
Que rache o tempo das velhas paredes
que seguraram o vento de frias noites
a embalar o acalanto, o riso e açoites
Permitido o tranquilo sono das redes
Que finde o brilho do piso antigo
que esfregaram com rigor e medo
a receber as pisadas de domingo
permaneceu a mancha de tanto zelo
Que partam destinos da sua calçada
que encontrem sempre retorno certo
a esperar o calor do ninho
aos que sabem o portão aberto!
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*Márcia Matos - poeta, professora, a querida Márcia Matos faz colaboração bissexta ao Evoé. O poema "Era casa, era jardim" (memorial em versos com chuvas de fevereiro 2018) foi escrito em fevereiro deste 2018. Fotos da tatuagem a ilustrar a poesia Márcia Matos.

