quarta-feira, 14 de junho de 2017

“Todo segundo é a possibilidade de uma nova descoberta...” - Chico Araujo (em 06/06/2017)

*Paisagem surrealista - Evandro Schiavione - 1984
Começo pedindo todas as desculpas possíveis ao autor da frase que intitula esse meu texto, pois reconheço que não sei quem ele seja. Recebi-a em uma daquelas várias mensagens de WhatsApp que nos chegam diariamente. Mas, ao mesmo tempo em que peço escusas por dessaber a autoria, destaco a frase – um pensamento mesmo – entre aspas, declarando não ser ela de minha autoria, mas de outrem.

Isso dito, passo a um pouco transitar de braços dados com ela, por entender que carregue em si uma verdade. Isso porque, na cisma de embraçado a ela, ao intuir o instante mais próximo que vem, achar-me em uma estrada semidesconhecida, rumo a um lugar plenamente nunca visto para, nele, respirar benéfico ar cerca de 800 metros acima do mar e me maravilhar com paisagem de rara beleza verde de tanta natureza intacta em meu redor.

Em meu redor, sim. Pois estive ali, espírito solto, voz calada, olhar contemplativo, bem no ponto exato onde me deveria pôr estando cingido por aquela maravilha. Por dentro, uma sensação especial, um possível sem qualquer limite, limitado que me encontrava naquela grandeza se alongando por espaços e espaços e espaços... eu, como que me esticando junto com ela...

Ahhhh, Zé Rodrix... Uma Casa no campo... Uma casa beijada docemente pela dimensão do natural e do supranatural... Uma casa onde os pássaros trinam melodias pasmosas em concerto continuado – só a noite lhes acena justo sossego; afinal, o dia seguinte é de harmonia novamente.

Ali fui acolhido por amigos que, em gentileza intensa, de alguma forma naquele lugar me plantaram, entretecendo raízes profundas de amizade muito antes iniciada e agora amalgamada em uma memória para a qual ouso não haverá esquecimento.

Com eles, ouvi discos, li páginas de livros. Com eles, dividi falas num ouvir e calar, falar e ser ouvido, calar e dar ouvidos novamente a vozes alegres, tranquilas, mas bem festejadas. A paz transitou por aquele espaço. A paz nem pediu licença – precisava? – e foi-nos soprando sua graça. Eu a senti tocando meu espírito; eu a vi, vibrando em sintonia com o vento as folhas das tantas árvores e plantas, eu a vi no colorido das flores.

Todo segundo é a possibilidade de uma nova descoberta... E ele, quando me veio na ocasião especial, me desvendou a existência de sob o véu que a recobria numa insistência renitente de se aprazar. Lá não era um olhar pela janela; lá foi a vida em chama acesa.

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Chico Araujo publica no Evoé! todas as quarta-feiras. Leia mais Chico Araújo em Vida, minha vida...

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